Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Obesidade Infantil pela Prof. Isabel Loureiro: Será fácil amamentar?
Leia o texto do áudio aqui:
O leite materno é o alimento ideal para os bebés nos primeiros 6 meses de vida. Amamentar é um ato muito natural e gratificante. Contudo, envolve um processo de adaptação por parte da mãe e do bebé que pode ser prejudicado pela falta de auto-confiança e de apoio, quer profissional, quer familiar.
Algumas das dificuldades mais comuns estão relacionadas com a insegurança da mãe, as práticas de algumas maternidades que introduzem o biberão sem necessidade, e com a forma como o bebé é colocado ao peito.
É preciso dar à mãe bastante carinho e apoio para que ela se possa dedicar plenamente ao bebé e ter uma boa produção de leite. Ao amamentar, mãe e bebé devem estar confortáveis e o bebé a fazer uma boa pega, o que se pode verificar através de alguns sinais como ouvir o bebé a engolir e ver se tem a boca bem aberta, apanhando grande parte da aréola e não só o mamilo.
O bebé deve mamar sempre que tiver fome e deve ser ele também a decidir quando está satisfeito. Respeitar os sinais do bebé é um bom começo para a relação entre mãe e bebé.
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Será fácil amamentar?
O aleitamento materno é um ato muito natural, mas envolve um processo de adaptação e aprendizagem por parte da mãe e do bebé que pode ser prejudicado pela falta de conhecimento e de apoio.
Ainda antes do nascimento do bebé é importante informar-se acerca dos aspectos práticos do aleitamento materno: como funciona, quais são as dificuldades mais comuns e possíveis soluções, e quais as recomendações para o seu sucesso.
Aleitamento materno: como funciona, dificuldades mais comuns e possíveis soluções
O aleitamento materno está preparado para funcionar na perfeição em todos os seus detalhes. Contudo, é um processo complexo, que envolve a acção de diversas substâncias no organismo da mulher e a adaptação do bebé e da mãe ao ato de mamar. Qualquer interferência nestes processos pode introduzir dificuldades na amamentação e dar à mulher a sensação errada de que “o seu leite é fraco” ou de que não é capaz de amamentar.
Ao contrário do que muito pensam, a grande maioria das mulheres é capaz de amamentar o seu bebé. Compreender como o aleitamento materno funciona pode ser muito importante para ultrapassar algumas dificuldades. Neste sentido, são aspectos a destacar no funcionamento do aleitamento materno: a produção e a expulsão do leite; a “pega” do bebé; a duração e a frequência das mamadas.
A produção e a expulsão do leite
A produção e a expulsão do leite materno são mecanismos controlados principalmente por duas hormonas que agem no organismo da mãe: a prolactina e a ocitocina. A hormona prolactina é responsável pela produção do leite, enquanto a hormona ocitocina é responsável pela saída ou expulsão do leite.
Quando o bebé mama, impulsos nervosos saem do mamilo para o cérebro da mãe que “ordena” a libertação da prolactina e da ocitocina. Durante as primeiras semanas após o nascimento, é muito importante que o bebé mame frequentemente para estimular os mamilos da mãe e aumentar a produção de prolactina e de leite.
Um aspecto importante relativamente à prolactina é que esta hormona é libertada em maior quantidade durante a noite. Assim, as mamadas noturnas são essenciais para um boa produção de leite. A prolactina tem um efeito relaxante na mãe. Apesar de amamentar durante a noite, a mãe acaba por sentir-se descansada.
Relativamente à ocitocina, o seu papel é ajudar o bebé a extrair o leite da mama da mãe através da contracção das pequenas bolsas que armazenam o leite. A sua acção está muito ligada às sensações e sentimentos da mãe. Pode começar a actuar, por exemplo, quando a mãe vê, toca ou ouve o seu bebé, quando sente o seu cheiro, ou simplesmente quando pensa nele. Muitas vezes é possível ver o leite a escorrer ou a sair em jactos finos. É a ocitocina a actuar.
Estar junto do bebé desde as primeiras horas da sua vida é muito importante para estimular a acção da ocitocina. Contudo, se a mãe está aborrecida, triste ou tem alguma dor que a incomode, a ação da ocitocina pode ser bloqueada e a saída do leite pode ser mais difícil. Por isso é tão importante que a mãe receba o carinho e o apoio das pessoas mais próximas, se sinta confortável, descanse sempre que possível e tenha o seu bebé perto de si.
A ocitocina e a prolactina ajudam a mãe a reduz o stress, favorecendo a vinculação mãe-bebé, tão importante para o bem estar de ambos.
A confiança e o apoio da família e dos amigos são essenciais para que este processo decorra bem.
A “pega” do bebé
Para conseguir fazer com que o leite saia, a boca e a língua do bebé deverão estar bem adaptadas à mama da mãe. Chama-se a isso uma boa pega. Sem uma boa pega, o bebé pode não conseguir mamar de forma apropriada, o que interfere com a produção do leite e com estabelecimento do aleitamento materno nas primeiras semanas de vida do bebé.
Existem alguns sinais que podem identificar se uma pega é boa ou má. Ao observar estes sinais é possível verificar se o bebé necessita de ajuda para aprender a mamar.
São sinais de uma boa pega, que podem ser observados nas Ilustrações 1 e 2:
Ilustração 1: Sinais externos de uma boa pega Ilustração 2: Sinais internos de uma boa pega
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Conforme pode ser observado na Ilustração 2, quando a pega é correcta o bebé faz os movimentos de sucção a partir da mama da mãe e não do mamilo apenas. Com os movimentos, o leite atravessa os canais e o bebé consegue mamar bem. Suga o leite devagar e é possível ouvi-lo a engolir o leite mais ou menos de segundo a segundo. As bochechas do bebé permanecem arredondadas durante a mamada. Quando o bebé está satisfeito, larga a mama espontaneamente. O mamilo pode parecer estar esticado por alguns instantes, mas logo volta ao normal.
São sinais de uma má pega que podem ser observados nas Ilustrações 3 e 4:
Ilustração 3: Sinais externos de uma má pega Ilustração 4: Sinais internos de uma má pega
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A presença de qualquer um desses sinais pode indicar que a pega não está correcta. Conforme pode ser observado na Ilustração 4, quando a pega não é boa, o bebé mama a partir do mamilo e não consegue pressionar os ductos para a saída do leite. O leite não sai com facilidade e o bebé não consegue mamar bem. Suga depressa, sem engolir, e as bochechas ficam voltadas para dentro. Dar de mamar será doloroso ou desconfortável. Quando o bebé pára de mamar, o mamilo permanece esticado e parece amassado.
O facto de o bebé não conseguir mamar bem pode ter consequências como:
Quais são as causas de uma má pega e como corrigir este problema?
As causas de uma pega incorrecta variam. A utilização de biberões e chupetas antes do aleitamento materno estar bem estabelecido é uma das causas conhecidas. A forma como o bebé posiciona a boca e a língua para chuchar na chupeta ou sugar o biberão é diferente da forma como o faz para mamar ao peito da mãe. Assim, o bebé pode ter mais dificuldades para fazer uma boa pega e sugar.
Outras causas podem ser o facto de o bebé ser ainda muito pequeno ou fraco, e alguns problemas funcionais, como mamilos invertidos ou planos, ou mamas muito grandes que dificultam a apega.
É também comum que a posição da mãe e do bebé ao mamar interfiram na pega do bebé. Existem várias posições possíveis para dar de mamar. O importante é que a mãe esteja confortável, o bebé esteja voltado para a mama da mãe e que seu corpo esteja em contacto com o corpo da mãe e todo apoiado. A cabeça ou o corpo do bebé não devem estar retorcidos ou descaídos.
Quando a mãe observa que a pega do bebé não está correcta, deve retirar o bebé da mama para tentarem uma nova pega. Para retirar o bebé da mama, a mãe deve colocar vagarosamente o seu dedo mínimo dentro da boca do bebé até que ele solte o mamilo. Nunca se deve puxar o bebé para que ele largue a mama, isso pode machucar o mamilo e ser bastante doloroso. Para facilitar a nova pega, a mãe deve experimentar aproximar o mamilo da boca do bebé apenas quando este estiver com a boca bem aberta.
Muitas mães necessitam de ajuda nos primeiros dias logo após o nascimento do bebé para assegurar que o seu bebé mame bem. É importante aproveitar os dias em que está na maternidade e as primeiras consultas de saúde infantil para tirar as suas dúvidas e solicitar a ajuda necessária.
Duração e frequência das mamadas
A quantidade de leite consumido e a frequência das mamadas varia muito de bebé para bebé, de mamada para mamada e também com o passar do tempo. Os bebés que são amamentados a pedido e de acordo com o seu apetite, ou seja, que mamam sempre que têm fome e que param de mamar quando estão satisfeitos, conseguem obter tudo aquilo que necessitam para um crescimento saudável. Por sua vez, a mãe consegue produzir o leite necessário para satisfazer as necessidades do bebé.
É muito importante não restringir a duração ou a frequência das mamadas. A mãe vai começar a aprender os sinais do bebé e descobrir que o bebé tem fome antes mesmo de começar a chorar, o que será muito recompensador. O bebé deve mamar até sentir-se satisfeito. Nesta altura, soltará a mama. Depois de um pequeno intervalo, a outra mama pode ser oferecida ao bebé e este aceitará apenas se quiser.
Se, entretanto, o bebé permanece por mais de meia hora a mamar ou se quer mamar com intervalos de menos de uma hora e meia, pode ser que a sua pega não esteja correcta, o que deve ser verificado com atenção.
Recomendações para o sucesso do aleitamento materno
Com base em tudo aquilo que foi dito, seguem algumas recomendações para o sucesso do aleitamento:
Finalmente, sempre que tiver dúvidas deve pedir ajuda aos profissionais de saúde, grupos de apoio à amamentação ou pessoas mais experientes.
Informação adicional
Bibliografia consultada:
http://whqlibdoc.who.int/publications/2009/9789241597494_eng.pdf
Professora Doutora Isabel Loureiro
Médica de Saúde Pública, Professora Catedrática, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa
Mestre Gisele Câmara
Nutricionista, Bolseira de Investigação, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa
Mestre Ana Rita Goes
Psicóloga, Investigadora, Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa
12 de Dezembro de 2011
Conteúdo produzido no âmbito do projecto de produção de Informação do Programa Harvard Medical School-Portugal “Papa Bem: uma abordagem à obesidade infantil”
Este trabalho é co-financiado através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, QREN E COMPETE
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