Regras de ouro da diversificação alimentar

Drª. Gisele Câmara

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Obesidade Infantil pela Drª. Gisele Câmara: Regras de ouro da diversificação alimentar

Leia aqui o texto do áudio:

A diversificação alimentar do bebé é a primeira e talvez a mais importante oportunidade para iniciar a formação de bons hábitos alimentares na criança. Neste sentido, são regras de ouro para a diversificação alimentar do bebé:

  • Inicie a diversificação alimentar do bebé, ou seja, a oferta de novos alimentos para além do leite por volta dos 6 meses;
  • Não dê ao bebé alimentos ou bebidas doces. O bebé deve aprender a apreciar os paladares naturais dos alimentos e a água para matar a sede;
  • Não utilize sal na alimentação do bebé;
  • Procure apresentar ao bebé uma grande variedade de alimentos saudáveis até aos 12 meses;
  • Tenha persistência. Por vezes é preciso insistir até 15 vezes para que um novo alimento seja aceite;
  • Deixe que a criança veja, cheire e toque nos alimentos;
  • Incentive o bebé a provar os alimentos mas nunca o obrigue a comer e nem ofereça nada em troca;
  • Aprenda a reconhecer e respeite os sinais de fome e saciedade do bebé;
  • Faça das refeições momentos agradáveis de convívio. Assim será mais fácil para a criança apreciar os alimentos e a hora das refeições;

Seja um bom exemplo para incentivar uma alimentação saudável.

Leia aqui o artigo:

"Papa Bem: Uma abordagem à obesidade infantil"

A diversificação alimentar, ou seja, a oferta de novos alimentos para além do leite, representa para os pais uma etapa importante no desenvolvimento do seu bebé. Para uns é um período extremamente gratificante e motivo de muito entusiasmo; no entanto, para outros, pode ser motivo de angústias, frustrações e preocupações.

De facto, esta é uma etapa muito importante no desenvolvimento do bebé. Mais do que aquilo que muitos pais possam imaginar. A diversificação alimentar do bebé é talvez a mais importante oportunidade para iniciar a formação de bons hábitos alimentares na criança. Aquilo que a criança come nesta fase e as experiências que tem com os alimentos influenciam as suas preferências e hábitos alimentares durante a infância e até mesmo mais tarde, na vida adulta.

O cumprimento rigoroso do plano de introdução gradual dos alimentos em cada etapa do desenvolvimento do bebé é essencial para facilitar o diagnóstico de algumas alergias alimentares e evitar o aparecimento de alergias e outros problemas de saúde. Os pais devem estar atentos às instruções que recebem dos profissionais de saúde que acompanham o seu bebé.

Além disso, 10 medidas podem contribuir bastante para que esta etapa decorra bem e para que o seu bebé se transforme num verdadeiro apreciador de uma alimentação saudável! Confira:

  1. 1.      Iniciar a diversificação alimentar do bebé o mais próximo possível dos 6 meses e nunca antes dos 4 meses.

É por volta dos 6 meses de vida que o organismo do bebé está mais maduro e preparado para a diversificação alimentar. O bebé já é capaz de se sentar com apoio, manter a cabeça erguida, levar os alimentos com as mãos à boca e, acima de tudo, já consegue engolir os alimentos semi-sólidos. O seu aparelho digestivo já é capaz de digerir outros alimentos que não o leite e de eliminar o excesso de alguns nutrientes que uma alimentação mais diversificada pode conter.

Iniciar a diversificação alimentar antes do tempo pode ter consequências para a saúde da criança. É o caso da obesidade, que é mais comum em crianças que iniciaram a diversificação alimentar antes dos 4 meses.

Além disso, o facto de ainda não estar preparado para receber outros alimentos pode fazer com que o bebé rejeite energicamente a alimentação à colher. Esta rejeição repetida cria um sentimento de ansiedade e frustração da parte dos pais e do próprio bebé, e pode ter consequências negativas na formação dos hábitos alimentares da criança.

Assim, o melhor é esperar até aos 6 meses de vida para iniciar a diversificação alimentar. Entretanto, como cada caso é um caso, todas as dúvidas e situações devem ser conversadas com o médico que acompanha o bebé e que saberá dar as devidas orientações.

  1. 2.      Evitar dar ao bebé sumos ou bebidas adocicadas.

Os bebés já nascem com a preferência pelo paladar doce e esta preferência deve ser contrariada e não incentivada. Um dos erros mais cometidos durante a diversificação alimentar é a oferta de sumos e chás desde muito cedo. Muitos bebés habituados desde cedo aos sumos de fruta, mesmo que naturais e sem açúcar, acabam por rejeitar a água e querer sempre sumo. Com o passar do tempo é de se esperar que estas crianças tenham preferência por sumos e bebidas açucaradas, cujo consumo excessivo contribui para a obesidade infantil.

A água deve ser a bebida de eleição para satisfazer a sede.

  1. 3.      Não utilizar sal nem açúcar na alimentação do bebé.

Os bebés já apreciam naturalmente o paladar doce e o salgado e devem aprender a apreciar os paladares naturais dos alimentos.

Além disso, o açúcar favorece o excesso de peso e o aparecimento de cáries dentárias e a utilização de sal na alimentação durante o primeiro ano de vida tem sido associada à tensão alta na vida adulta.

Os pais e outros cuidadores habituados aos alimentos doces ou salgados podem ter dificuldade em oferecer alimentos aparentemente “insonsos”. Mas o paladar educa-se e para o bebé, que não conhece o sal nem o açúcar, é muito mais fácil apreciar os alimentos na sua forma natural.

  1. 4.      Procurar apresentar ao bebé uma grande variedade de alimentos saudáveis até aos 12 meses.

 Por volta dos 12 a 15 meses, é comum as crianças manifestarem a chamada “neofobia”, que é a aversão a novos alimentos. Os pais devem procurar familiarizar o bebé com uma grande variedade de alimentos saudáveis antes que esta situação se manifeste. Desta forma será mais fácil que a criança continue a ter uma alimentação saudável e variada na altura em que também pode começar a partilhar da alimentação da família.

  1. 5.      Ter persistência. Por vezes é preciso oferecer um alimento 10 ou mais vezes, em momentos diferentes, para que a criança passe a aceitá-lo.

O paladar educa-se e é comum que as crianças necessitem provar um alimento várias vezes antes de o aceitar. Cuspir os alimentos e fazer caretas é natural durante as primeiras refeições em que a criança ainda está a aprender a comer à colher, e nem sempre é sinal de que o bebé não gosta do alimento. Os pais, que muitas vezes se deixam influenciar por estas situações ou pelas suas próprias preferências e aversões, acabam por desistir de oferecer ao bebé determinados alimentos, principalmente alguns vegetais. Se deixarem passar esta oportunidade, mais tarde será muito mais difícil essa aceitação.

Também é comum que alguns alimentos sejam rejeitados pela criança quando estão doentes ou mesmo após uma doença. Pode ser necessário habituar o bebé a estes alimentos novamente.

  1. 6.      Deixar que o bebé veja, cheire e toque nos alimentos e participe de forma activa nas refeições.

 

A preferência por determinados alimentos não é apenas uma questão de gosto. O bebé é também influenciado por aquilo que vê e pelo cheiro e textura que sente. Permitir ao bebé que veja, cheire e toque nos alimentos e participe de uma forma mais activa nas refeições, com a sua própria colher, vai ajudá-lo a apreciar os alimentos e as refeições e a sentir-se mais auto-confiante.

  1. 7.      Incentivar o bebé a provar os alimentos mas nunca pressioná-lo a comer.

Pressionar o bebé a comer determinados alimentos, seja com distracções, seja com raspanetes, ou oferecendo algo em troca, como bolachas e outros alimentos mais desejados, é uma estratégia que só funciona naquele momento. Na verdade, este tipo de atitude aumenta a rejeição da criança pelo alimento que foi pressionada a comer e aumenta o desejo pelo alimento que recebeu em troca, normalmente menos saudável.

  1. 8.      Reconhecer e respeitar os sinais de fome e saciedade do bebé.

Os bebés nascem com capacidade de regular aquilo que devem consumir de acordo com as suas necessidades. Ao pressionar os bebés para que comam mais um pouco ou até mesmo “limpem o prato”os pais e outros cuidadores estão a contribuir perturbar esta capacidade de auto-regulação.

Numa altura em que as crianças estão constantemente expostas a alimentos e guloseimas, reforçar a capacidade de parar de comer quando estão satisfeitas é muito importante para a prevenção da obesidade infantil.

Os bebés demonstram de diversas formas que estão satisfeitos. São sinais de saciedade comuns nesta fase: virar a cara ou afastar-se da colher, cuspir a comida, ou distrair-se da refeição e dos alimentos.

  1. 9.      Fazer das refeições momentos organizados e agradáveis de convívio, sem distracções como a televisão.

Os bebés devem ser habituados a comer à hora das refeições. Refeições organizadas e os bebés sentados à mesa são regras importantes. Mas, para que os bebés aprendam a gostar dos alimentos e das refeições, as refeições devem ser momentos agradáveis e desejados, nos quais têm a atenção dos pais e participam activamente. Assim, as refeições são oportunidades de convívio e não apenas a hora de comer.

Os pais devem estar sentados com o bebé, de preferência de frente, de forma a verem-se olhos nos olhos, conversar com o bebé e perceber os seus sinais, num ambiente tranquilo, sem distracções como brinquedos e a televisão. O incentivo para que o bebé experimente novos alimentos e comece, a pouco e pouco, a comer sozinho é também muito importante. Sem se esquecer que cada bebé tem o seu próprio ritmo e as pressões e os raspanetes são desaconselhados.

  1. 10.  Não oferecer alimentos como gratificação por bom comportamento, para confortar o bebé, ou para conseguir que o bebé faça algo em troca.

A alimentação e os alimentos estão culturalmente ligados ao afecto. Alimentar a criança para que ela cresça forte e saudável é uma das maiores missões dos pais. No entanto, diante do grande aumento do número de casos de obesidade, é necessário ter o cuidado para que a criança não aprenda desde muito pequenina a comer por diversos motivos que não a fome.

Em primeiro lugar, os alimentos, recebidos como gratificação por bom comportamento ou como conforto em momentos de dor, tristeza ou irritação são normalmente guloseimas e ganham um valor especial e tornam-se muitas vezes os preferidos da criança. Para além disso, este tipo de atitude pode ainda contribuir para que a criança se habitue a comer por motivos emocionais.

Por fim, o que os pais fazem é para a criança o exemplo a copiar. Os pais e outros cuidadores têm de ser um bom modelo para incentivar hábitos saudáveis.

 

Bibliografia consultada:

  1. World Health Organization. Infant and young child feeding. Genéve: World Health Organization, 2009.

http://whqlibdoc.who.int/publications/2009/9789241597494_eng.pdf

  1. Hunt, Candida; Rudolf, Mary. Tackling childhood obesity with HENRY. Leeds, UK: Unite/Community Practitioners’ and Health Visitors’ Association, 2008.
  2. Rudolf, Mary. Tackling obesity through the healthy child programme: a Framework for action. 2009.

www.noo.org.uk

Conteúdo produzido no âmbito do projecto de produção de Informação do Programa Harvard Medical School-Portugal “Papa Bem: uma abordagem à obesidade infantil”

Este trabalho é co-financiado através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, QREN E COMPETE

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