Um novo comprimido para a esclerose múltipla pode reduzir as recidivas

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

Um estudo sugere que um novo medicamento reduz a taxa de recidivas nas pessoas com esclerose múltipla. A maior parte dos medicamentos para a esclerose múltipla é injetável. O novo medicamento, a teriflunomida, é tomado sob a forma de comprimido. O estudo incluiu 1.088 pessoas que tinham esclerose múltipla “recidivante-remitente”. As pessoas com esta forma de doença têm períodos com e sem sintomas. As pessoas do estudo foram divididas aleatoriamente em três grupos. Dois grupos foram distribuídos para tomar teriflunomida em doses diferentes. O terceiro grupo recebeu um placebo (um comprimido falso). As pessoas tomaram um comprimido por dia, todos os dias, durante mais de dois anos. Nessa altura, ambos os grupos que estavam a receber o medicamento real apresentaram uma diminuição de 31% nas recidivas em comparação com os indivíduos que estavam a receber placebo. Os efeitos secundários graves foram semelhantes nos três grupos. As pessoas que receberam o medicamento real tinham uma maior probabilidade de apresentar alguns efeitos secundários ligeiros. Elas tinham igualmente uma maior probabilidade de terem níveis elevados de uma enzima que podem indicar a presença de lesão hepática. Um especialista disse à HealthDay News que o novo medicamento parece ser tão eficaz como os tratamentos injetáveis. Outro medicamento administrado por via oral, o fingolimod, foi aprovado no ano passado, mas apresenta mais efeitos secundários. O New England Journal of Medicine publicou o estudo e a HealthDay News escreveu recentemente sobre ele.

Qual é a reação do médico?

A esclerose múltipla é uma doença terrível que lesa o sistema nervoso e que pode tornar as atividades da vida diária, tais como a marcha e a fala, impossíveis.

A esclerose múltipla tende a começar durante a fase inicial da idade adulta e afeta até 400.000 pessoas nos Estados Unidos da América. A sua causa é desconhecida. Encontram-se disponíveis tratamentos, mas nenhum é eficaz de forma fiável. Atualmente não existe cura para esta doença.

Assim, não é de estranhar que os investigadores se estejam a esforçar para encontrar melhores tratamentos.

Este estudo recente avalia um novo medicamento denominado teriflunomida. Este fármaco encontra-se relacionado com outro medicamento, a leflunomida. Este medicamento mais antigo já se encontra aprovado para tratar a artrite reumatoide. A teriflunomida é a substância química produzida quando a leflunomida é metabolizada pelo organismo. Os estudos previamente realizados em ratos e em pessoas sugeriram que a teriflunomida poderia ser um fármaco promissor como tratamento da esclerose múltipla.

Neste estudo, as pessoas tratadas com teriflunomida apresentaram resultados diferentes das que receberam placebo (comprimidos falsos). Elas evidenciaram:

  • Menos recidivas
  • Um declínio funcional mais lento
  • Uma menor atividade da doença, de acordo com uma cintigrafia cerebral
  • Mais efeitos secundários ligeiros, incluindo:
    • Náuseas
    • Diarreia
    • Diminuição da espessura do cabelo
    • Provas de função hepática anormais.

Trata-se de uma boa notícia para os doentes com esclerose múltipla, bem como para as pessoas que cuidam deles. São extremamente necessárias novas opções para o tratamento desta doença. É igualmente útil que a teriflunomida se encontre intimamente relacionada com um medicamento bem estabelecido para a artrite reumatoide. Este medicamento já foi prescrito a milhares de doentes durante a última década, pelo que é provável que os riscos da teriflunomida sejam previsíveis e que as pessoas sejam capazes de os tolerar.

Ainda assim, esta não é uma inovação dramática. Os benefícios associados à teriflunomida neste estudo foram modestos. Por exemplo, as pessoas tratadas com este novo medicamento apresentaram uma probabilidade 30% menor de sofrerem um agravamento da doença em comparação com as pessoas que receberam placebo.

Além disso, este ensaio clínico apenas incluiu os casos de esclerose múltipla “recidivante”. As pessoas com esta forma de doença apresentam um agravamento do quadro clínico em determinadas alturas e uma melhoria noutras. Os investigadores não incluíram os casos mais graves de doença “progressiva”, que se agrava ao longo do tempo.

Tornou-se evidente que este novo medicamento não curou a doença, mas proporcionou um certo benefício. E isto pode conduzir a novas informações sobre a forma como as recidivas da esclerose múltipla se desenvolvem e a forma de as interromper.

Quais as alterações que poderei efetuar agora?

Se experimentar sintomas inexplicados que não desaparecem e que podem estar relacionados com a esclerose múltipla, consulte o seu médico. O diagnóstico precoce e a instituição pronta do tratamento podem atrasar a incapacidade ou fazer com que ela seja menos grave.

Os sintomas típicos de esclerose múltipla incluem:

  • Marcha instável
  • Falta de coordenação
  • Visão dupla ou turva
  • Dificuldade em falar
  • Entorpecimento (diminuição da sensibilidade), formigueiros (parestesias) ou fraqueza (diminuição da força muscular) nos braços, nas pernas ou na face
  • Perda do controlo da bexiga (incontinência urinária) ou incapacidade para a esvaziar completamente (retenção urinária).

Infelizmente, a esclerose múltipla não pode ser prevenida. No entanto, os tratamentos podem reduzir as recidivas ou os danos provocados pela doença. Os tratamentos incluem:

  • Corticosteroides
  • Interferão
  • Acetato de glatirâmero
  • Natalizumab
  • Outros medicamentos imunossupressores.

Encontram-se igualmente disponíveis tratamentos para tratar os problemas de saúde relacionados com esta doença. Por exemplo, são frequentemente prescritos relaxantes musculares para os espasmos musculares que as pessoas com esclerose múltipla podem apresentar.

Cada um destes medicamentos apresenta potenciais efeitos secundários. Assim, se sofrer de esclerose múltipla, fale com o seu médico sobre todas as suas opções de tratamento. Certifique-se que compreende os riscos e os benefícios de cada tratamento.

O que poderei esperar ao olhar para o futuro?

Pode esperar ouvir muito mais sobre novos tratamentos para a esclerose múltipla, incluindo a teriflunomida. Necessitamos de saber mais sobre este novo medicamento. Por exemplo, um estudo adicional poderá proporcionar-nos mais informações sobre:

  • A sua segurança a longo prazo
  • A dose ideal
  • Quais as pessoas com uma maior probabilidade de beneficiarem com este medicamento
  • A melhor altura para iniciar o medicamento (uma vez que um tratamento mais precoce pode ser mais eficaz)
  • Se este tratamento pode igualmente ser útil noutras formas de esclerose múltipla (tais como a doença progressiva).

Finalmente, estes achados sobre a teriflunomida sugerem que outros medicamentos com ações semelhantes no organismo podem igualmente ser úteis. Isto pode conduzir a tratamentos ainda mais eficazes.

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