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Qual é a reação do médico?
Existem muitos motivos de preocupação quando uma mulher está grávida. Desde o fumo de cigarro que entra pelas janelas até ao queijo Brie nas sandes, os perigos para os bebés por nascer parecem estar a espreitar por todo o lado. Todos os dias existe mais um estudo que aponta para alguma outra coisa que as mães devem evitar.
Existe atualmente um estudo que salienta os perigos de uma determinada substância química: o bisfenol-A. O bisfenol-A encontra-se literalmente em todo o lado: nas embalagens dos alimentos, nos vedantes dentários, em equipamentos médicos, nas faturas das caixas registadoras e em muitos outros produtos.
Desde há algum tempo que os cientistas e os médicos se preocupam com os efeitos do bisfenol-A. A investigação mostra que esta substância pode afetar o sistema reprodutor e pode igualmente afetar o comportamento. Existe evidência suficiente para muitos países terem banido a sua utilização nos biberões e em alguns outros produtos.
O novo estudo fez parte do Health Outcomes and Measures of the Environment Study. Este estudo pretende avaliar os efeitos a longo prazo de níveis baixos de substâncias tóxicas presentes no meio ambiente.
Os investigadores vigiaram 244 mulheres e os seus filhos desde a gravidez até estes atingirem os três anos de idade. Os níveis de bisfenol-A foram medidos na mãe durante a gravidez, sendo igualmente doseados nas crianças quando atingiram um, dois e três anos de idade. Os investigadores realizaram igualmente testes do comportamento aos três anos de idade. Eles avaliaram não só o comportamento como também a “função executiva”. Esta é a capacidade para regular e controlar as emoções e o comportamento.
O que os investigadores descobriram é realmente interessante. Quanto maior a quantidade de bisfenol-A encontrado nas mães durante a gravidez, maior a probabilidade da criança se revelar ansiosa e deprimida e de ter uma função executiva inadequada ― se a criança fosse do sexo feminino. O efeito não foi tão forte nos rapazes. A existência de níveis elevados de bisfenol-A após o nascimento também não apresentou um efeito significativo.
É um pouco surpreendente que o efeito fosse observado de forma muito mais marcada nas raparigas do que nos rapazes. Os próprios autores afirmam que não têm a certeza absoluta do motivo. Contudo, não é surpreendente que os efeitos fossem observados quando as mães eram expostas durante a gravidez. Em muitos estudos realizados em animais, o bisfenol-A demonstrou causar problemas ao nível do desenvolvimento do sistema nervoso. Este estudo mostra que o mesmo é verdadeiro para os seres humanos.
Que alterações poderei efetuar agora?
Se estiver grávida ou se estiver a pensar engravidar, faça o que puder para limitar a sua exposição ao bisfenol-A. Eis algumas sugestões:
- Evite os plásticos com os números 3 e 7 ou as letras PC. Em alternativa, procure utilizar os números 1, 2 e 4.
- Não coloque os plásticos no micro-ondas, uma vez que o calor aumenta a probabilidade de libertação do bisfenol-A. Pela mesma razão, lave os plásticos na prateleira de cima da máquina de lavar loiça ou lave-os à mão.
- Certifique-se de que a garrafa térmica de metal para a água é realmente isenta de bisfenol-A. Muitas destas garrafas têm um revestimento de esmalte constituído por epóxi que contém bisfenol-A. Procure utilizar garrafas de aço inoxidável sem revestimento.
- Evite consumir tanto quanto possível alimentos enlatados. Algumas companhias utilizam latas isentas de bisfenol-A, mas são raras. Quando possível, pode ser útil passar por água os alimentos contidos nas latas.
- Evite igualmente as bebidas enlatadas!
- Se não necessitar de um recibo de uma loja ou restaurante não o guarde. O papel térmico utilizado nos recibos e nos bilhetes de cinema e de avião contém bisfenol-A.
O que poderei esperar ao olhar para o futuro?
À medida que aprendemos cada vez mas sobre os perigos do bisfenol-A, está a tornar-se mais evidente de que necessitamos de remover o mais possível esta substância do nosso meio ambiente. Espero que este estudo venha ajudar a apoiar os esforços nesse sentido.
No entanto, a mensagem mais importante é que necessitamos de ser muito mais cuidadosos no que respeita aos testes de substâncias químicas que utilizamos todos os dias. Quando os testes se revelam contraditórios, deveremos tomar partido pelo lado da saúde e da segurança, não pelo lado da indústria.