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8% dos adolescentes auto agridem-se, mas devem deixar de o fazer

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

Um estudo recente revela que cerca de 8% dos adolescentes e dos adultos jovens auto-agridem-se de propósito. A maior parte deles deixa de o fazer com o passar do tempo, mas 1% dos adultos ainda se autoagride aos 29 anos de idade. Estes números provêm de um estudo a longo prazo que envolveu 1.800 adolescentes e adultos jovens. Eles foram inquiridos de tempos a tempos, no que diz respeito à sua saúde e comportamentos. Eles tinham, na sua maioria, cerca de 15 anos de idade quando do início do estudo e 29 quando este foi concluído. No início, cerca de 10% das raparigas e 6% dos rapazes afirmaram que, por vezes, se autoagrediam. Os métodos incluíam os ferimentos por cortes ou as queimaduras ou ainda correr riscos que punham a vida em risco. Os investigadores afirmaram que era bom verificar que a maior parte das pessoas que se autoagrediam deixam de o fazer. Mas o risco é elevado para as pessoas que continuam a fazê-lo. Outros estudos demonstram que as pessoas que são conduzidas ao hospital devido a lesões autoinfligidas apresentam uma probabilidade 100 vezes superior em relação à média de cometerem suicídio. A revista Lancet publicou o estudo e o serviço noticioso da Reuters Health escreveu sobre recentemente sobre ele.

Qual é a reação do médico?

De um modo geral, este estudo dá-nos boas notícias: a grande maioria das crianças que se autoagride deixa de o fazer.

As lesões autoinfligidas são infelizmente muito comuns, especialmente nos adolescentes. De facto, um em cada 12 jovens apresenta este problema. Isto significa que, numa classe média do ensino secundário, existe a probabilidade de duas crianças estarem a autoagredir-se. Os métodos mais comuns são os ferimentos por cortes ou as queimaduras. É muito comum nas pessoas com idade compreendida entre os 15 e os 24 anos. Mas este problema está a ocorrer mais frequentemente nas crianças com apenas 11 ou 12 anos de idade.

Os jovens magoam-se a si próprios por muitas diferentes razões. Para alguns, isto constitui uma forma de sentirem alguma coisa quando se sentem entorpecidos. Outros acham que reduz o stress ou que, muito simplesmente, os faz sentir melhor. Esta situação pode ocorrer se as lesões autoinfligidas libertarem endorfinas, substâncias químicas naturais que proporcionam uma sensação de bem-estar. Os jovens podem ainda autoagredir-se para se punirem ou fazem-no em vez de agredirem outras pessoas. Alguns apresentam esta atitude como forma de pedirem ajuda ou pelo facto dos seus amigos fazerem o mesmo. Muitos, mas não todos, os adolescentes que se autoagridem apresentam uma história de abuso emocional, físico ou sexual.

Neste estudo, investigadores australianos mantiveram o seguimento de cerca de 1.800 jovens entre 1992 e 2008. No final, mais de 1.600 ainda se encontravam no estudo. Em diversas ocasiões, durante esses anos, os investigadores colocaram-lhes questões sobre muitos aspetos da sua saúde física e mental e sobre os seus comportamentos, incluindo as lesões autoinfligidas.

E as boas notícias são as seguintes: 90% dos indivíduos que se autoagrediam tinham deixado de o fazer. Estas são notícias realmente espetaculares.

No entanto, isto não significa que as lesões autoinfligidas são algo que se possa ignorar. O estudo demonstrou igualmente que as pessoas que se autoagridem:

Assim, as lesões autoinfligidas podem desaparecer espontaneamente, mas as alterações da saúde mental e outros problemas subjacentes a este tipo de comportamento podem persistir.

Que alterações poderei efetuar agora?

É muito importante que os pais e outras pessoas que convivem com os jovens (professores, treinadores, família e amigos) estejam alertados para os sinais sugestivos de lesões autoinfligidas. Estas podem incluir:

É importante estabelecer uma aproximação com os adolescentes que mostram alguns destes sinais. Eles devem ser avaliados pelo seu médico e/ou profissional de saúde mental.

É alarmante o facto das lesões autoinfligidas serem tão comuns ― e é ainda mais alarmante que este problema esteja a aumentar. Estudos como este são úteis. Eles proporcionam-nos mais informações de que necessitamos para compreendermos melhor o motivo pelo qual as pessoas têm este tipo de comportamento, bem como o que podemos fazer para as ajudar e mesmo para prevenir este problema.

Espera-se que este estudo e outros semelhantes nos ajudem a manter os jovens ― os adultos de amanhã ― mais seguros, mais saudáveis e mais felizes.

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