Quinta doença (Eritema infecioso)

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Hugo Dias

Validação Científica:

Profª Guiomar Oliveira

O que é?
A quinta doença, também conhecida por eritema infecioso, é uma infeção viral comum nas crianças em idade escolar. Esta doença é causada pelo parvovírus B19, que se dissemina através do contacto direto com os fluidos ou muco do nariz ou da boca de uma pessoa infetada. A quinta doença causa uma erupção cutânea vermelho viva com o aspeto de “cara esbofeteada” que apenas surge quando a pessoa infetada deixar de contagiar. A quinta doença é geralmente uma doença ligeira e algumas pessoas que são infetadas podem nunca chegar a saber que a tiveram.
Os surtos da quinta doença ocorrem habitualmente no final do Inverno e no início da Primavera. Quando os surtos atingem crianças em idade escolar, 10 a 60% das suscetíveis podem desenvolver sintomas. O parvovírus B19 infeta apenas os seres humanos e é diferente do parvovírus que infeta os cães.

Manifestações clínicas

Por vezes, a quinta doença não causa sintomas. Quando estes ocorrem, podem incluir sintomas semelhantes aos de uma constipação comum (obstrução nasal, rinorreia, febre ligeira), dores no corpo, dores de cabeça e fadiga. Estes sintomas desaparecem ao fim de três ou quatro dias e são seguidos, principalmente nas crianças, por uma erupção cutânea de cor vermelho vivo que geralmente tem início na face (erupção cutânea tipo “cara esbofeteada”). Esta erupção cutânea na face é seguida por uma erupção cutânea rendilhada e plana que surge nos braços, nas pernas, no tronco e nas nádegas de um modo simétrico. Esta erupção cutânea macular pode ser pruriginosa (provocar comichão) e pode persistir durante vários dias a várias semanas antes de desvanecer. Mesmo depois do desaparecimento da erupção cutânea, esta pode por vezes reaparecer se a pele ficar irritada pelo atrito, calor, frio, exercício físico ou exposição solar.

Os adolescentes e os adultos com a quinta doença podem não apresentar sintomas ou desenvolver a erupção cutânea típica, dores e/ou edema articulares (mais frequentemente nas nós dos dedos, nos punhos e nos joelhos).

As crianças com doenças hematológicas, como anemia de células falciformes ou anemia hemolítica, e as que têm uma imunodeficiência ou um cancro raramente apresentam a erupção cutânea da quinta doença. Em contrapartida, podem desenvolver uma anemia grave (níveis baixos da hemoglobina no sangue) em consequência da infecção pelo parvovírus B19. Os sintomas podem incluir palidez, respiração rápida, pulso rápido, febre e mal-estar (uma sensação generalizada de doença).

Diagnóstico

De um modo geral o médico pode diagnosticar a quinta doença através da observação da erupção cutânea típica com o aspecto de “bochechas ou cara esbofeteada” sem febre ou outros sinais de doença. A quinta doença raramente é diagnosticada antes do aparecimento da erupção cutânea, uma vez que podem não existir quaisquer sintomas precoces ou estes podem ser ligeiros e inespecíficos. Em casos raros, são realizadas análises de sangue para procurar anticorpos específicos contra o parvovírus B19. Os anticorpos são proteínas produzidas pelo sistema imunitário para ajudar a proteger o organismo contra os vírus e outros agentes invasores. O vírus propriamente dito ou o ADN viral (genoma viral) podem igualmente ser detetados no sangue de alguns doentes.

Evolução clínica

A quinta doença geralmente desaparece ao fim de três semanas, mas a erupção cutânea pode prolongar-se por mais tempo. Embora as dores articulares nos adolescentes possam persistir durante algumas semanas a meses, não existem habitualmente quaisquer problemas articulares a longo prazo.

Prevenção

A quinta doença é disseminada através das gotículas eliminadas com a tosse ou espirros, dos lenços de papel sujos e dos copos e talheres. É difícil evitar a exposição à doença, uma vez que a quinta doença é mais contagiosa três a catorze dias antes do aparecimento da erupção cutânea característica. Durante este período de tempo, a maior parte das pessoas infectadas não sabe que está doente e é capaz de disseminar a doença para outras pessoas.

Quando os surtos de quinta doença ocorrem numa comunidade, a lavagem frequente das mãos pode ajudar a prevenir a disseminação da doença. É especialmente importante lavar as mãos antes de comer e depois de ter tocado em objectos contaminados (lenços de papel, copos e talheres sujos). Actualmente, não existe uma vacina aprovada contra a quinta doença, embora esteja a ser testada pelo menos uma vacina.

Tratamento

Uma vez que a quinta doença é uma doença ligeira, geralmente não requer tratamento. Os cuidados no domicílio para uma criança cuja erupção cutânea é pruriginosa (comichão) podem incluir os banhos de aveia. Os adolescentes com dores articulares podem ser tratados com analgésicos de venda livre, tais como o paracetamol ou o ibuprofeno. A aspirina nunca deve ser dada a crianças com febre ou com uma doença de tipo gripal, incluindo a quinta doença, devido ao risco de desenvolverem uma síndrome de Reye, um problema cerebral grave que se desenvolve em algumas crianças que tiveram determinadas doenças virais e que foram tratadas com aspirina.

As crianças e os adultos com doenças hematológicas (anemia de células falciformes, anemia hemolítica) e as crianças com cancro ou com uma imunodeficiência apresentam um risco acrescido de terem uma doença grave em resultado da quinta doença. Os doentes com uma imunodeficiência podem receber imunoglobulina endovenosa contendo anticorpos contra o parvovírus B19.

Quando contactar um médico

Consulte o médico se você ou o seu filho desenvolverem uma erupção cutânea facial, especialmente se o seu filho apresentar uma doença de sangue, uma imunodeficiência ou se estiver a ser tratado para um cancro. Além disso, deve consultar o médico se uma criança com uma quinta doença previamente diagnosticada desenvolver febre ou um agravamento das dores articulares.

As grávidas que acreditam que foram expostas à quinta doença ou que desenvolvem uma erupção cutânea devem consultar imediatamente o médico. Embora a quinta doença materna não constitua, geralmente, um risco para o feto, pode, em casos raros, causar aborto ou anemia fetal.

Prognóstico

As pessoas anteriormente saudáveis geralmente recuperam completamente da quinta doença ao fim de algumas semanas.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Pediatria
http://www.spp.pt/default.asp

Sociedade Brasileira de Pediatria
http://www.sbp.com.br/

Centro de Prevenção e Controlo de Doenças – CDC (Estados Unidos da América)
http://www.cdc.gov/

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: