Vírus sincicial respiratório

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Hugo Dias

Validação Científica:

Profª Guiomar Oliveira

O que é?

O vírus sincicial respiratório (VSR) é um dos muitos vírus que causam constipações e infecções nas vias superiores do aparelho respiratório. O vírus respiratório sincicial pode causar igualmente uma infecção do aparelho respiratório inferior, tal como pneumonia e bronquiolite ao nível das vias aéreas de menor calibre (bronquíolos) nos pulmões.
O vírus sincicial respiratório dissemina-se através das secreções quando um doente tosse ou espirra. Pode igualmente ser transmitido através das mãos não lavadas e de objectos contaminados, tais como os lenços de papel sujos, os puxadores das portas e os tampos das secretárias. Este vírus entra habitualmente no organismo através dos olhos, do nariz e da boca quando uma pessoa com os dedos contaminados toca na face ou nos olhos ou quando inala gotículas contaminadas.
As pessoas com um risco mais elevado de contrair uma doença grave devido ao VSR são:

  • Os bebés, especialmente os que nasceram prematuros
  • Os idosos
  • As pessoas de qualquer idade com determinados tipos de doença cardíaca, doença pulmonar crónica ou deficiências imunitárias

As taxas mais elevadas de doença grave pelo vírus sincicial respiratório na infância ocorrem nos bebés com menos de seis meses de idade. Quase todas as crianças foram expostas ao vírus sincicial respiratório até aos dois anos de idade. A maior parte não irá ficar gravemente doente. Uma pessoa pode contrair uma infecção pelo vírus sincicial respiratório mais do que uma vez, mas as infecções que se seguem à primeira são geralmente ligeiras.

Manifestações clínicas

O vírus sincicial respiratório tende a causar sintomas típicos de constipação, incluindo:

  • Dores de garganta
  • Rinorreia (secreções nasais)
  • Obstrução nasal (nariz entupido)
  • Tosse
  • Pieira
  • Dores de cabeça
  • Febre

De um modo geral, os sintomas causados pelo VSR tendem a ser mais graves do que os da constipação comum. Os sintomas começam, geralmente, uma semana após o contacto com alguém com uma infecção por este vírus.

Nos bebés e nas crianças com menos de três anos ou nas crianças mais velhas com uma doença pulmonar, cardíaca ou imunológica subjacente, o vírus sincicial respiratório pode começar com um quadro que se assemelha a uma constipação ligeira, com espirros e rinorreia. Ao fim de dois ou três dias, o VSR pode disseminar-se para o tórax, levando ao aparecimento de tosse, uma respiração mais rápida do que o normal e pieira. As crianças mais jovens podem igualmente apresentar febre elevada. Os bebés com dificuldade respiratória podem gemer, apresentar adejo nasal (batimento das asas do nariz) ou “tiragem, o que significa que os músculos são puxados para dentro, de forma que as costelas podem ser observadas quando o bebé respira (retracção muscular entre as costelas).

Diagnóstico

O médico pode suspeitar de uma infecção pelo VSR com base nos sintomas e no exame físico durante determinadas alturas do ano em que este vírus é mais comum. Na maior parte dos adultos e nas crianças mais velhas não são necessários nenhuns exames adicionais, uma vez que os sintomas da infecção são geralmente ligeiros, sendo a doença geralmente tratada em casa.

Ao examinar um bebé ou uma criança com idade inferior a três anos ou crianças com problemas pulmonares, cardíacos ou imunitários, o médico irá procurar identificar a presença de febre, tosse, rinorreia, tiragem, pieira, polipneia (respiração rápida) e uma coloração azulada nos lábios e nas unhas das mãos, podendo este quadro interferir com a alimentação. Se os sintomas da criança forem marcados ou não evoluirem como seria de esperar, o médico pode querer confirmar o diagnóstico de infecção pelo vírus através de uma amostra das secreções do nariz ou da garganta para pesquisar a presença do VSR num laboratório.

Evolução clínica

Nas pessoas que são saudáveis de base, a infecção pelo vírus sincicial respiratório dura habitualmente cerca de uma a duas semanas. No entanto, a pieira que é causada pelo VSR pode prolongar-se até um mês ou mais.

Prevenção

A prevenção da infecção pelo vírus sincicial respiratório é difícil, uma vez que este vírus é altamente contagioso e dissemina-se facilmente de pessoa para pessoa. Actualmente, encontram-se em desenvolvimento vacinas para o VSR, mas os progressos têm sido lentos e é pouco provável que uma dose de vacina proteja adequadamente contra uma nova infecção.

A forma mais fácil de prevenir a infecção consiste em lavar as mãos regularmente, especialmente quando uma pessoa na família apresenta sintomas de constipação. Os adultos e as crianças mais velhas devem lavar as mãos com frequência, devem evitar tocar na face e nos olhos desnecessariamente e devem manter-se afastados do contacto directo com as pessoas que apresentam sintomas óbvios de constipação. Os bebés devem ser mantidos afastados de qualquer pessoa com sintomas de infecção respiratória, mesmo que se trate apenas duma constipação ligeira.

Os bebés que nasceram prematuramente ou que apresentam problemas pulmonares, doença cardíaca congénita ou problemas imunitários têm maior probabilidade de sofrer uma infecção grave pelo VSR. Nestes bebés, encontram-se disponíveis dois medicamentos para ajudar a prevenir uma infecção pelo vírus ou, pelo menos, para que esta seja menos grave. A imunoglobulina contra o vírus sincicial respiratório é produzida a partir do sangue de pessoas saudáveis que tiveram uma infecção pelo vírus e contém anticorpos (substâncias do sangue que combatem a infecção) contra o VSR. O palivizumab (Synagis) contém igualmente anticorpos contra o vírus, mas este tipo de anticorpo é produzido num laboratório. Ambos os medicamentos devem ser administrados uma vez por mês, imediatamente antes da estação de aparecimento do vírus sincicial respiratório (Novembro) até ao final da época (Abril). O palivizumab é administrado sob a forma de injecção num músculo (tal como as vacinas padrão da infância) e a imunoglobulina contra o vírus sincicial respiratório é administrada por via endovenosa.

Tratamento

Nas infecções ligeiras pelo vírus respiratório sincicial, o tratamento visa deixar a pessoa confortável. O tratamento pode incluir:

  • Um medicamento para a febre e para a dor ― por exemplo, paracetamol
  • Aumentar as quantidades de líquidos ingeridas para prevenir a desidratação
  • Repouso no leito
  • Um humidificador para suavizar a garganta e o nariz e, possivelmente, para aliviar a tosse (controverso)
  • Gotas nasais de soro fisiológico
  • Uma seringa em forma de ampola para libertar suavemente o muco que está a provocar a obstrução nasal.

Os bebés e as crianças mais jovens com uma infecção grave pelo vírus sincicial respiratório podem necessitar de ser internadas. No hospital, o bebé ou a criança podem receber oxigénio, soros endovenosos e medicamentos para os ajudar a respirar mais facilmente. Alguns adultos com um sistema imunitário enfraquecido podem receber um medicamento denominado ribavirina, mas este medicamento raramente é usado, uma vez que não demonstrou ser eficaz, é difícil de administrar e é muito dispendioso.

Quando contactar um médico
Consulte o médico imediatamente se o seu filho apresentar:

  • Febre elevada
  • Tosse acentuada
  • Pieira
  • Dificuldade em respirar
  • Respiração anormalmente rápida
  • Dificuldades na alimentação
  • Gemido
  • Adejo nasal
  • Tiragem intercostal
  • Coloração azulada dos lábios e das unhas das mãos (cianose)

Se tiver um bebé que nasceu prematuro ou um com problemas respiratórios graves ou com outros problemas de saúde, fale com o médico sobre a necessidade do seu bebé ser medicado com fármacos preventivos desde o final do Outono até ao início da Primavera.

Prognóstico

A maior parte das infecções pelo vírus sincicial respiratório podem curar completamente sem sequelas. Com um diagnóstico pronto e um tratamento apropriado, a maior parte dos bebés e das crianças recuperam das doenças respiratórias graves causadas pelas infecções pelo vírus respiratório sincicial. As mortes secundárias a infecções pelo vírus sincicial respiratório são relativamente raras, mas a infecção pode causar a morte nos bebés de alto risco com idade compreendida entre os dois e os seis meses e nas pessoas mais velhas que sofrem de problemas imunitários.
As crianças que têm uma bronquiolite causada pelo vírus sincicial respiratório na infância apresentam um risco ligeiramente elevado de revelar pieira recorrente à medida que crescem. Não se sabe se o vírus sincicial respiratório causa este problema ou se as crianças com um risco mais elevado de asma apresentam uma maior probabilidade de adoecerem com a exposição ao vírus sincicial respiratório durante a infância.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Pediatria

http://www.spp.pt/default.asp

Sociedade Brasileira de Pediatria

http://www.sbp.com.br/

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