O que é um aneurisma da aorta abdominal?


Veja o vídeo aqui com o Professor José Fernandes e Fernandes,  Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa:

Leia o artigo aqui:

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

O que é?

Um aneurisma da aorta abdominal é uma dilatação anormal potencialmente fatal (frequentemente com a forma de balão) de um segmento da maior artéria do corpo, a aorta, verificando-se nestas circunstâncias que a parede da artéria forma uma saliência em vez de permanecer direita.
A aorta transporta sangue rico em oxigénio do coração para artérias mais pequenas espalhadas pelo corpo. Um aneurisma abdominal ocorre na aorta abdominal, a zona da aorta que se situa entre a parte de baixo do peito e a região pélvica.

Normalmente, a aorta mede cerca 2,5 centímetros de diâmetro, mas o seu tamanho aumenta muito gradualmente com o avançar da idade. Se a secção da aorta abdominal tiver mais de 3 centímetros de diâmetro, diz-se que a pessoa tem um aneurisma da aorta abdominal.

Os aneurismas da aorta abdominal são mais comuns em pessoas a partir dos sessenta anos de idade. Apesar de cerca de 20% das pessoas com aneurismas da aorta abdominal terem um familiar próximo com o mesmo problema, não foi encontrada nenhuma ligação genética clara. Contudo, as conexões familiares parecem ser particularmente fortes entre irmãos.

A maioria dos aneurismas da aorta está relacionada com a aterosclerose, uma doença em que depósitos de gordura chamados “placas” se formam ao longo do interior das paredes dos vasos sanguíneos, que contribui também para a doença coronária (das artérias do coração) e para o acidente vascular cerebral (AVC, por lesão das artérias que levam o sangue ao cérebro).

Manifestações clínicas

A maioria dos aneurismas da aorta não provoca quaisquer sintomas, sendo frequentemente descobertos durante exames físicos de rotina ou aquando da realização de radiografias para doenças não relacionadas. Quando as manifestações ocorrem, podem incluir:

    • Dor no abdómen, nas costas ou nos flancos, entre o bordo inferior das costelas e os quadris
    • Sensação de plenitude gástrica após ingerir uma pequena refeição
    • Náuseas e vómitos
    • Massa pulsátil no abdómen

Raramente, podem formar-se coágulos de sangue flutuantes (trombos) perto do aneurisma. Estes coágulos podem soltar-se e bloquear vasos sanguíneos noutras partes do corpo, causando sintomas de fluxo sanguíneo insuficiente nos locais onde ficarem alojados.

Em cerca de 20% dos casos, um aneurisma abdominal não detectado sofre rotura sem aviso prévio e o doente sofre um colapso e morre de uma hemorragia maciça dentro do abdómen.

Diagnóstico

O médico irá questionar o doente acerca da sua história familiar de doenças cardíacas, especialmente sobre familiares cuja morte foi súbita e, talvez, inexplicada; irá ainda perguntar-lhe se fuma e determinar se tem colesterol alto, hipertensão arterial ou diabetes.

Por vezes, o médico pode suspeitar de um aneurisma da aorta baseado na audição de um fluxo sanguíneo anormal no abdómen durante um exame físico e ao ver e/ou sentir uma massa pulsátil no abdómen quando o doente se encontra deitado. Esta massa normalmente localiza-se no centro do abdómen, logo abaixo do umbigo.

Em 75% das pessoas com um aneurisma da aorta abdominal, este é encontrado quando é efectuada uma radiografia ou outro tipo de teste para uma doença não relacionada. Os aneurismas da aorta podem ser descobertos em radiografias simples, em ecografias, numa ressonância magnética nuclear (RMN), numa tomografia computorizada (TC) ou numa angiografia (uma visualização dos vasos sanguíneos obtida através da injecção de uma substância radioactiva no doente).

Para pesquisar a existência de aneurismas da aorta abdominal, a ecografia é um exame muito fidedigno e relativamente pouco dispendioso que não expõe a pessoa a radiação.

Evolução clínica

Quando um aneurisma da aorta se desenvolve, é uma doença para o resto da vida. A maioria dos aneurismas da aorta abdominal cresce com o passar do tempo, expandindo-se em média de 0,33 a 0,5 centímetros por ano.

Prevenção

É possível reduzir o risco de ter um aneurisma da aorta se controlar os seus factores de risco para a aterosclerose, especialmente o colesterol alto, a hipertensão arterial, o tabagismo e a diabetes. Se tiver o colesterol alto (hipercolesterolémia), siga as orientações do seu médico no que respeita a manter uma dieta com pouca gordura e colesterol e, caso necessário, a tomar medicamentos para baixar o colesterol. Se for hipertenso, siga as recomendações do médico em relação a alterar a sua dieta e a tomar a medicação. Se fumar, deixe de o fazer. Se é diabético, controle o açúcar no sangue frequentemente, mantenha uma dieta saudável e tome insulina ou medicação por via oral conforme prescrito pelo seu médico. Também é sensato fazer exercício físico regularmente e manter um peso ideal.

A U.S. Preventive Services Task Force recomenda a realização de uma ecografia para procurar identificar a presença de um aneurisma da aorta abdominal nos homens com idade compreendida entre os 65 e os 75 anos que tenham fumado em qualquer altura da sua vida.

Tratamento

O tratamento depende principalmente do tamanho do aneurisma. Quanto maior for o aneurisma, mais provável é que sofra uma ruptura. Uma cirurgia de emergência a um aneurisma que tenha rebentado tem um maior risco de morte do que uma cirurgia programada para reparar o aneurisma.

É quase sempre recomendada uma intervenção cirúrgica num aneurisma que esteja com uma fuga de sangue, sendo também geralmente recomendada uma cirurgia nas pessoas com aneurismas com mais do que 5,5 centímetros de diâmetro (excepto se houver uma outra doença que torne a cirurgia particularmente arriscada). Mesmo sem sintomas, uma pessoa com um aneurisma com mais do que 6,5 centímetros é quase sempre sujeita a uma cirurgia de emergência para reparar o problema.

As pessoas com aneurismas mais pequenos podem ser monitorizadas através de ecografia (de 12 em 12 meses para quem tenha um aneurisma com menos de 3,5 centímetros e de 6 em 6 meses se mais de 3,5 centímetros) de forma a verificar se o aneurisma está a aumentar de tamanho.

Existem duas opções para reparar os aneurismas da aorta abdominal: o método tradicional e a cirurgia endovascular. O método tradicional consiste numa cirurgia abdominal que envolve uma interrupção temporária da circulação na aorta, reparando o vaso sanguíneo através do corte da secção lesada e da substituição do aneurisma por um enxerto de plástico. Através de um novo método, a cirurgia endovascular, é efectuado um pequeno corte na virilha num ramo da artéria que vai para a perna. Um tubo especial chamado “stent” é introduzido na artéria até ao local do aneurisma, protegendo a parede da aorta abdominal da pressão no seu interior e impedindo que a parede da artéria se expanda e enfraqueça.

A escolha do procedimento depende da localização e da aparência do aneurisma, assim como da saúde do doente. Os doentes de idade mais avançada e mais débeis, que têm maior probabilidade de vir a ter complicações derivadas da cirurgia e da anestesia prolongada, são candidatos à cirurgia endovascular. Os doentes mais novos e, de um modo geral, mais saudáveis são provavelmente mais adequadamente tratados com uma cirurgia abdominal, apesar de esta recomendação se poder vir a alterar com o melhoramento dos dispositivos e técnicas endovasculares.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se observar uma massa pulsátil no abdómen, mesmo que se sinta bem. Se tiver uma dor abdominal, nas costas ou nos flancos associada a uma massa pulsátil, essa situação deve ser considerada uma emergência médica que requer atenção imediata.

Prognóstico

O prognóstico de um aneurisma da aorta abdominal não tratado depende do seu tamanho. Um aneurisma da aorta abdominal com mais do que 7 centímetros de diâmetro tem 75% de probabilidades de entrar em ruptura nos 5 anos seguintes; com 6 centímetros, o risco de ruptura é de 35% nos 5 anos seguintes e entre os 5,0 e os 5,9 centímetros o risco de ruptura é de cerca de 25% nos 5 anos seguintes. O risco de ruptura é bastante menor em aneurismas com menos de 5 centímetros.

Com uma cirurgia reparadora eficaz, o prognóstico é bom e depende mais da gravidade dos efeitos da aterosclerose noutros órgãos, especialmente no coração, no cérebro e nos rins.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular

http://www.spacv.org/

Sociedade Portuguesa de Cardiologia

http://www.spc.pt/

Fundação Portuguesa de Cardiologia

http://www.fpcardiologia.pt/

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt/

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