Asma e profissão

Prof. José Torres da Costa

Asma ocupacional é definida como o aparecimento de uma asma de novo, ou a recorrência de uma asma anteriormente quiescente, induzida por agente(s) existente(s) no local de trabalho.

É aceite que, entre 10% a 15% dos casos de asma no adulto possam ser atribuídos a uma exposição profissional.

Cerca de 500 agentes são capazes de induzir asma ocupacional. As actividades em que pode surgir são muito variadas, dependendo dentro de cada profissão a frequência de trabalhadores atingidos, que em alguns casos pode ser superior a 50%, com a natureza do agente e as condições de exposição.

A etiopatogenia da asma ocupacional é um puzzle com muitos pontos não esclarecidos. Os factores de risco mais frequentemente relacionados são os níveis de exposição, a atopia, os hábitos tabágicos e a presença de hiperreactividade brônquica.

A asma ocupacional pode surgir em indivíduos sem antecedentes de asma (primeiro episódio), ou apresentar-se como o agravamento de uma asma previamente existente. Na asma ocupacional alérgica existe habitualmente um período de latência entre o início da exposição e o aparecimento dos sintomas, de duração variável, podendo oscilar entre os 2 e 4 anos em trabalhadores expostos a tintas sintéticas, de 10 ou mais anos para trabalhadores da indústria de madeiras e de 6 meses a dois anos para trabalhadores expostos a alergénios de origem animal.

Após este período de latência, as crises podem ser desencadeadas pela exposição a pequenas doses do agente.

Uma característica fundamental da asma ocupacional é a relação temporal dos sintomas (falta de ar, tosse, pieira) com a exposição. Estes podem surgir imediatamente após a exposição, ou, como acontece em alguns casos, algumas horas após a exposição (frequentemente com o trabalhador já fora do ambiente de trabalho, o que dificulta o diagnóstico.

O nexo de causalidade entre doença e actividade profissional, pode ser presumido por qualquer um, mas cabe ao médico do trabalho o papel de rastreio, e aos alergologistas ou pneumologistas a sua demonstração.

Dois aspectos particulares:

  • é a única forma de asma com probabilidade de cura após afastamento, e
  • é possível a de atribuição de uma pensão pelo CNPRP, entidade para a qual se devem notificar todas os casos presumidos.

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