Fatores psicológicos e relacionais e intervenções psicoeducacionais na asma

Prof.ª Lia Fernandes

É crescente o número de estudos que demonstram as implicações emocionais na asma, particularmente a ansiedade, pânico e depressão, quer no desencadeamento de crises quer no agravamento desta patologia respiratória. Tal acontece por ação direta do stresse, através de mecanismos psicofisiológicos e indiretamente pelo descuido nos autocuidados e adesão ao tratamento. Reversamente, estas alterações emocionais podem ainda ser desencadeadas pela própria asma.

É neste contexto que se destaca o papel das intervenções psicoeducacionais e multifamiliares, que combinam a transmissão de conhecimentos (direcionadas para aquilo que os asmáticos e familiares pretendem saber), com a promoção de mudanças comportamentais, no sentido da melhoria de autoeficácia.

Nestes programas procura-se desenvolver uma estreita interação entre os técnicos de saúde e doentes, estimulando a participação de todos, com a satisfação de diversas dúvidas, dissipando falsos constructos, tendentes à redução da ansiedade associada à doença, e ao encorajamento de hábitos e atitudes conducentes à saúde.

Nesta abordagem, pretende-se facilitar a expressão de sentimentos e emoções ligadas à asma, bem como repercussões na família, no trabalho e na rede social mais alargada, para além dos mecanismos que visam ‘colocar a doença no seu lugar’, nomeadamente no sentido de encontrar soluções para as crises, com a perspetivação da implicação da doença no passado, no presente e no futuro.

O desenvolvimento destes dois tipos de programas (psicoeducacional e multifamiliar), contempla em ambos, a dimensão de uma intervenção multidisciplinar e mostra-se como um recurso inovador, de âmbito alargado, com eficácia na melhoria de comportamentos.

Traduz-se assim em diferenças substanciais quer ao nível da melhoria clínica, quer psicológica, mas também em critérios de prevenção de morbilidade.

Trata-se de uma intervenção eficiente na redução de custos diretos, pela menor utilização dos cuidados de saúde (serviço de urgência, consultas, hospitalizações), menor utilização de medicação e ainda redução dos custos indiretos (diminuição do absentismo, menor envolvimento de cuidadores e outros recursos).

Face aos bons resultados obtidos com este tipo de intervenção, seria benéfica a sua aplicação futura em clusters específicos de maior risco, nomeadamente em indivíduos com asma grave e muito grave, bem como em perfis psicológicos específicos (com elevados níveis de ansiedade).

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Uma resposta to “Fatores psicológicos e relacionais e intervenções psicoeducacionais na asma”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Muito interessante e adequado à nossa realidade.
    Parabéns, a continuidade no seu desenvolvimento é muito importante, a meu ver.


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