Cancro da próstata

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Prof. Luis Costa

O que é?

O cancro da próstata resulta do crescimento descontrolado de células anormais na glândula prostática. Esta glândula produz parte do fluído do sémen e localiza-se logo abaixo da bexiga, em frente do reto e próximo da base do pénis.

O cancro da próstata é um dos cancros mais diagnosticados nos homens portugueses. Mesmo assim muitos têm a doença sem ser diagnosticada pelo simples facto do cancro da próstata apresentar poucos sintomas numa fase inicial.

Apesar do cancro da próstata ser comum nem sempre ele é perigoso, uma vez que em alguns casos cresce de forma muito lenta. É com frequência diagnosticado antes de causar quaisquer sintomas e afeta geralmente os homens mais idosos, com uma idade média ao diagnóstico de 70 anos.

Quando as células na próstata se tornam cancerosas (malignas), elas tendem a aglomerar-se, formando pequenas “ilhas” de cancro no interior da próstata. Em muitos casos, demora anos, mesmo décadas, para que este cancro localizado se dissemine para fora da próstata podendo até nunca se disseminar.

A ciência não sabe, atualmente, a causa exata do cancro da próstata. Mas identificaram-se diversos fatores que aumentam o risco de doença num homem. Estes incluem:

  • Idade. Os estudos realizados com base em autópsias de homens que faleceram por outras causas constataram que cerca de três quartos ou mais apresentam um certo grau de cancro da próstata por volta dos 80 anos de idade.
  • Raça. Os homens de origem africana apresentam maior probabilidade de desenvolver cancro da próstata e do cancro lhes ser diagnosticado num estádio mais avançado. Eles apresentam igualmente uma probabilidade de mais do dobro de virem a falecer devido a esta doença quando comparados com a população caucasiana e uma probabilidade cerca de cinco vezes superior de morrerem devido a esta doença quando comparados com homens de ascendência asiática.
  • História familiar. Se houver história familiar de cancro da próstata em familiares diretos (pais e irmãos) o risco de cancro é duas ou três vezes superior ao de um homem que não tem familiares com esta doença. Os investigadores identificaram diversos defeitos genéticos que podem ser mais comuns nestes homens que desenvolvem um cancro da próstata, mas, de um modo geral, a maior parte destes defeitos hereditários só se identificam num número relativamente reduzido de cancros.
  • Estilo de vida. A alimentação rica em carnes vermelhas ou em lacticínios com um teor elevado de gordura parece aumentar o risco de cancro da próstata. Parece existir pouca evidência sobre a ligação entre excesso de peso e o risco de cancro da próstata, no entanto os homens obesos têm uma maior probabilidade de falecerem devido a esta doença em comparação com os homens com um peso saudável.

Manifestações clínicas

Nos seus estádios iniciais, o cancro da próstata raramente causa sintomas. De facto, a maioria dos homens a quem é diagnosticado um cancro da próstata não têm quaisquer sintomas e apenas são diagnosticados após uma análise de sangue mostrar níveis elevados do antigénio específico da próstata (PSA – do inglês prostate specific antigen). No entanto quando o cancro se dissemina para a bexiga ou comprime a uretra (o “tubo” que transporta a urina para fora do corpo) ele pode causar:

  • um jacto fraco de urina
  • a necessidade de urinar frequentemente
  • uma necessidade intensa e recorrente de urinar
  • uma incapacidade para urinar
  • dor ou sensação de queimadura ao urinar
  • sangue na urina ou no sémen
  • ereções menos firmes
  • uma diminuição na quantidade de sémen ejaculado
  • dor ou rigidez na região lombar, na anca ou na parte superior das coxas.

Se o cancro da próstata se disseminar para os gânglios linfáticos, para os ossos ou para outros órgãos, pode causar:

  • dores ósseas
  • perda de peso
  • anemia (uma diminuição dos glóbulos vermelhos)
  • inchaço do escroto, do pénis, das pernas e dos pés
  • fadiga.

  Diagnóstico

A história clínica e familiar é fundamental para o diagnóstico de cancro da próstata. Algumas situações benignas podem originar sinais ou sintomas semelhantes aos descritos acima, como por exemplo as prostatites (inflamação da próstata) e a hiperplasia benigna da próstata (aumento benigno de volume).

No exame físico é essencial proceder a um toque rectal para palpar a glândula prostática. Durante o toque rectal, o médico insere um dedo enluvado e lubrificado no reto para, desta forma, sentir parte da próstata através da parede rectal. A presença de um inchaço, de massas, de zonas de consistência mais firme ou de um aumento do tamanho podem indicar um cancro da próstata.

Porém a maior parte dos cancros da próstata são detetados através do rastreio da doença por meio do teste do PSA. O PSA é uma proteína produzida pela próstata que pode ser detetada no sangue e apresentar-se com níveis elevados quando esta glândula está alterada, como é no caso do cancro.

Determinados medicamentos para a próstata podem afetar os resultados do teste do PSA, por isso é necessário revê-los com o médico antes de avaliar os níveis de PSA encontrados.

Embora os médicos utilizem o teste do PSA para detetar a presença de um cancro da próstata, ele não proporciona um diagnóstico definitivo. Isto deve-se ao facto de outros problemas, tais como um aumento de volume da próstata, poderem elevar os níveis de PSA. De facto, a maior parte dos homens com um PSA ligeiramente elevado não têm um cancro da próstata. Além disso, alguns homens com cancro da próstata apresentam um valor de PSA normal.

O rastreio do cancro da próstata através dos níveis de PSA não é consensual, mas é sugerido nos homens com idade igual ou superior a 50 anos e naqueles com mais de 40 anos e fatores de risco conhecidos.

Se o nível de PSA for elevado ou se o toque rectal revelar um possível ser necessário realizar mais exames, tais como uma biópsia da próstata. Nesta intervenção, é utilizada uma agulha para remover pequenos fragmentos de tecidos da próstata, assim como de quaisquer áreas que pareceram anormais durante o toque rectal. Em seguida estas biópsias serão avaliadas ao microscópio para confirmação da presença, ou não, de cancro.

Se a biópsia mostrar um cancro da próstata, ser-lhe-á atribuído um grau de Gleason aos dois tipos de células mais comuns no tumor. A soma dos dois graus é a pontuação de Gleason. Esta pontuação permite descrever até que ponto as células do cancro se parecem anormais em comparação com as células prostáticas normais proporcionando uma estimativa grosseira da rapidez com que o cancro está a crescer. Uma pontuação de Gleason de:

  • 2 a 4 significa um cancro de baixo grau, não agressivo
  • 5 a 7 significa um cancro de grau intermédio
  • 8 ou mais significa um cancro de alto grau, agressivo.

Simultaneamente será necessário estadiar o cancro ao avaliar a extensão e disseminação do tumor. O plano terapêutico baseia-se na pontuação de Gleason e no estádio obtido para cada caso.

Quando se desenvolve um cancro da próstata, ele geralmente cresce de forma lenta ao longo de muitos anos. Apenas num pequeno número de homens, o cancro da próstata cresce e se dissemina rapidamente.

Prevenção

Embora a evidência seja contraditória, parece que os homens que comem uma dieta com um baixo conteúdo de gordura e rica em fruta e vegetais apresentam um risco reduzido de cancro da próstata. Os estudos mais antigos sugeriram que a alimentação rica de tomates, que contêm um antioxidante (o licopeno) podia reduzir o risco.

Alguns medicamentos normalmente usados para patologias benignas da próstata foram testados para verificar se permitem prevenir o cancro da próstata. Um estudo revelou que os homens que tomaram um destes fármacos reduziram o risco de cancro da próstata em cerca de 25%, mas também se verificou que o risco de cancro mais agressivo aumentou. Atendendo aos achados contraditórios detetados neste e noutros estudos mais recentes, os especialistas não estão de acordo no que respeita a proporcionar medicamentos aos homens com um risco mais elevado de cancro da próstata de uma forma profilática.

Tratamento

Quase todos os cancros da próstata irão responder a algum tipo de tratamento e em alguns casos pode mesmo não necessitar imediatamente de tratamento. Atualmente existem critérios para determinar quais os cancros que necessitam de tratamento e quais os que podem ser apenas vigiados.

O cancro da próstata pode ser tratado de diversas formas. Existem várias questões médicas e relacionadas com o estilo de vida que devem influenciar a escolha do tratamento. Estas incluem:

  • a extensão do cancro
  • a probabilidade do cancro vir a crescer e a disseminar-se rapidamente
  • a idade e a esperança de vida
  • quaisquer problemas de saúde que possam fazer com que a cirurgia ou outros tratamentos sejam mais arriscados
  • o risco de efeitos secundários.

Se o cancro estiver confinado à glândula prostática, pondera-se diversas opções:

Vigilância “armada”. Com esta abordagem, não se administra qualquer tratamento, a menos que comecem a ter sintomas. O médico irá monitorizar o cancro através de toques rectais e de doseamentos do PSA realizados periodicamente. Esta estratégia constitui uma boa opção para os homens idosos que estão demasiado doentes para serem submetidos a radioterapia ou a uma intervenção cirúrgica e/ou que têm uma elevada probabilidade de morrer devido a outro problema médico.

Vigilância “ativa”. Os homens cujo cancro da próstata não necessita de tratamento imediato podem optar por uma vigilância ativa. Se for escolhida esta abordagem o doente deverá ser seguido de forma mais apertada do que com a vigilância armada. Com intervalos de três a seis meses, deverá realizar um teste do PSA e um exame físico, e ser submetido a uma biópsia com intervalos de um a dois anos. Se qualquer destes exames mostrar um aumento da atividade da doença, deverá ser iniciado o tratamento.

Radioterapia. Este tratamento utiliza radiações para destruir as células cancerosas. Os médicos podem administrar as radiações de duas formas: aplicação de radiações sobre o corpo a partir do seu exterior (radioterapia com feixe externo); e aplicação de radiação no interior da próstata através de pequenas “sementes” radioativas colocadas cirurgicamente (braquiterapia, implantação de “sementes” ou radioterapia intersticial). Na maior parte dos casos, as “sementes” são deixadas no local permanentemente.

Para potenciar a eficácia da radioterapia pode ser prescrita uma terapêutica hormonal, na tentativa de redução do volume da glândula prostática antes da braquiterapia.

Os efeitos secundários da radioterapia podem incluir:

  • disfunção eréctil (incapacidade para ter uma ereção)
  • diarreia
  • hemorragia e dor rectal
  • incontinência urinária (incapacidade para reter a urina)
  • sangue na urina
  • fadiga.

Cirurgia. Durante uma prostatectomia radical, é removida a glândula prostática e as vesículas seminais (glândulas que libertam um líquido que faz parte do sémen) podendo ainda ser retirados os gânglios linfáticos pélvicos próximos. Durante a cirurgia deverão ser preservados ao máximo os nervos situados nas proximidades de forma a reduzir os efeitos secundários, tais como a disfunção eréctil e a incontinência.

Existem várias técnicas para a remoção da próstata: a via clássica através de uma incisão única no abdómen; e a via laparoscópica, removendo a próstata e outros tecidos através de várias pequenas incisões também no abdómen.

As possíveis complicações da cirurgia da próstata incluem:

  • a disfunção eréctil
  • a incontinência urinária
  • os problemas de intestinos
  • as infeções.

Crioablação. Este tratamento, também chamado crioterapia, mata as células cancerosas congelando-as e, em seguida, descongelando-as. Este tratamento não é proporcionado em muitos hospitais, pelo que pode ser difícil encontrar um especialista que realize esta técnica na sua área. São necessários estudos adicionais para determinar os efeitos a longo prazo da crioablação.

Ultra-sons de alta intensidade focalizados. Este tratamento destrói o cancro da próstata através de ondas de som de alta energia que aquecem as células até estas atingirem altas temperaturas. Os estudos atualmente em curso devem ajudar os médicos a determinar se este procedimento é seguro e eficaz.

Se o seu cancro da próstata cresceu até ultrapassar a cápsula da próstata, mas não se disseminou (metastizou) para outros órgãos, são geralmente recomendadas a vigilância  ou a radioterapia (com ou sem terapêutica hormonal).

Porém se o cancro se disseminou para outros órgãos, será geralmente prescrito uma terapêutica hormonal, também chamada terapêutica de privação de androgénios. Os androgénios são as hormonas sexuais masculinas, tais como a testosterona, que podem favorecer o crescimento do cancro da próstata. A terapêutica hormonal permite reduzir os níveis de testosterona ao evitar que os testículos a produzam. Uma outra abordagem menos comum consiste na remoção cirúrgica dos testículos.

Os efeitos secundários da terapêutica hormonal incluem:

  • disfunção eréctil
  • aumento das mamas (ginecomastia)
  • diminuição do desejo sexual
  • afrontamentos
  • aumento de peso
  • náuseas e diarreia
  • diminuição da densidade óssea e da massa muscular
  • alterações na função hepática.

Se o cancro da próstata se disseminou para outros órgãos e já não responde à terapêutica hormonal, poderá estar indicado iniciar um esquema de quimioterapia.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico imediatamente se notar o aparecimento de sangue na urina ou no sémen ou se a micção for dolorosa, desconfortável ou de, alguma forma, anormal.

Se tiver uma idade igual ou superior a 50 anos, pergunte ao médico quais as vantagens e desvantagens de efetuar um rastreio do cancro da próstata. Alguns clínicos afirmam que o rastreio tem mais desvantagens do que vantagens, pelo simples facto de alguns homens poderem vir a sofrer efeitos secundários de um tratamento de que potencialmente não necessitavam. O seu médico pode ajudá-lo a decidir se o rastreio faz sentido para si.

Se for decidido efetuar o rastreio, o médico irá provavelmente proceder a um exame da próstata e irá avaliar o nível do PSA com intervalos de um a dois anos a partir dos 50 anos de idade. Se existirem casos de cancro da próstata na sua família ou se for de raça negra, o rastreio pode ser iniciado aos 40 anos de idade.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente excelente. Quase todos os homens a quem é diagnosticado um cancro localizado sobrevivem pelo menos cinco anos. Mais de três quartos de todos os homens a quem é diagnosticada esta doença vivem pelo menos 15 anos. De facto, os homens com um cancro da próstata morrem mais vezes devido a outras causas do que em resultado do cancro. Nas situações de cancro da próstata disseminado, não é possível a cura mas a doença pode ser controlada por longos períodos usando hormonoterapia e posteriormente outros tratamentos tais como a quimioterapia e tratamento com radiofármacos.

Informação adicional

Institutos de Oncologia em Portugal

http://www.ipolisboa.min-saude.pt/ (Lisboa)

http://www.ipoporto.min-saude.pt/Homepage (Porto)

http://www.croc.min-saude.pt/ (Coimbra)

Liga Portuguesa Contra o Cancro

http://www.ligacontracancro.pt/

 Associação Portuguesa de Urologia

http://www.apurologia.pt/

 Instituto Nacional de Câncer (Brasil)

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home/

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/prostata/definicao

 Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO)

http://www.esmo.org/

 Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)
http://www.cancer.net/portal/site/patient

http://www.cancer.net/patient/Cancer+Types/Prostate+Cancer

Faça os quizzes:  Cancro da Próstata e Sobre o PSA

Uma resposta to “Cancro da próstata”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Um bom trabalho acerca do cancro da próstata.
    Pertinente, aborda os aspectos essenciais, esclarecedor.
    Muitos parabéns aos autores e ao hmsportugal.
    Jorge Neves


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