Obesidade infantil: um assunto que nos diz respeito

"Uma abordagem à obesidade infantil"

Certamente já ouviu falar em obesidade infantil. Mas talvez ainda não tenha noção da gravidade deste problema. Na verdade, cerca de uma em cada quatro das nossas crianças já tem excesso de peso antes de entrar para a escola. Por outro lado, muitas vezes as pessoas não dão grande importância ao excesso de peso da criança pequena. Contudo, o excesso de peso mesmo em crianças muito pequeninas já tem um impacto negativo para a saúde.

O projeto Papa Bem pretende informar a respeito deste assunto, com foco especial para o período entre a gravidez e os 5 anos de idade.

Ao ler este texto terá a oportunidade de saber porque é que a obesidade infantil é considerada uma doença crónica, o que leva uma criança a ficar obesa, e quais as consequências da obesidade para a saúde das crianças. Dedique alguns minutos do seu tempo e descubra porque é que este assunto também lhe diz respeito.

O que é a obesidade infantil?

A obesidade é uma doença que se caracteriza pelo excesso de gordura no corpo em quantidades capazes de prejudicar a saúde. Quando ocorre entre o nascimento e o início da adolescência é chamada obesidade infantil.

A obesidade é considerada uma doença crónica porque não tem uma cura definitiva e deve ser controlada durante toda a vida. Isso quer dizer que, mesmo que uma criança obesa seja tratada e emagreça, terá sempre tendência a engordar novamente.

Como é que uma criança fica obesa?

A grande maioria das crianças e adolescentes obesos têm a chamada obesidade nutricional, ou seja, engordam porque comem mais do que necessitam. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, são raras as situações em que as crianças e os adolescentes apresentam obesidade por outros motivos, como doenças ou a utilização de medicamentos.

Isso funciona da seguinte forma. Diariamente, as crianças necessitam de energia para o crescimento, o desenvolvimento e o funcionamento de todo o seu organismo. Essa energia vem através da alimentação. São as chamadas calorias. Quando uma criança consome mais calorias do que aquelas que gasta, as calorias em excesso acumulam-se sob a forma de gordura. Com o passar do tempo e a contínua acumulação de gordura no organismo, a criança deixa de ter um peso normal e passa a ter excesso de peso. À medida que a situação se agrava, o excesso de peso aumenta e pode atingir o grau de obesidade.

Observa-se assim que a obesidade não acontece de repente mas ao longo do tempo. Na maioria dos casos é o resultado de consumos excessivos de calorias, que podem ser pequenos, mas que são repetidos ao longo de dias, semanas, meses e anos.

O que contribui para a obesidade infantil?

A forma mais natural e eficaz de aumentar o gasto da energia consumida com a alimentação é através da atividade física. Por isso, pode-se dizer que os maus hábitos alimentares e a pouca atividade física das crianças são os grandes responsáveis pelo aumento do número de casos de obesidade nos últimos anos.

No entanto, é fundamental compreender que existem ainda diversos fatores capazes de influenciar negativamente os hábitos de alimentação e atividade física da criança ou aumentar a tendência de uma criança para ganhar peso. É o caso, por exemplo, de alguns fatores relacionados com a gravidez, de fatores genéticos, dos hábitos alimentares dos próprios pais e dos hábitos de sono da criança. Estes fatores também devem ser tidos em consideração se quisermos agir de modo a prevenir ou tratar a obesidade infantil.

A investigação que tem sido feita em torno deste tema permite-nos apontar os seguintes fatores capazes de contribuir para a obesidade infantil:

Fatores relacionados com a gravidez

  • Obesidade materna no início da gravidez;
  • Ganho de peso excessivo da mãe durante a gravidez;
  • Fumo do tabaco durante a gravidez;
  • Diabetes não controlada durante a gravidez.

Fatores relacionados com a alimentação

  • Aleitamento por biberão com leite artificial nos primeiros meses de vida;
  • Introdução de novos alimentos para além do leite materno ou do leite de substituição antes dos 4 meses de vida;
  • Não reconhecimento ou desrespeito aos sinais de fome ou de que a criança está satisfeita;
  • Baixo consumo de frutas e vegetais;
  • Consumo frequente de alimentos ricos em calorias e de baixo valor nutritivo, como bolos, doces, chocolates, rebuçados, salgadinhos, entre outros;
  • Consumo frequente de bebidas açucaradas, como refrigerantes, sumos e néctares de frutas e leites aromatizados;
  • Consumo excessivo de calorias;
  • Consumo regular de refeições fora de casa;
  • Consumo regular de alimentos fora das refeições;
  • Disponibilidade excessiva de alimentos ricos em calorias e de baixo valor nutritivo em casa ou em outros ambientes que a criança frequente com regularidade;
  • Proibição do consumo de determinados alimentos;
  • Pressões para comer toda a refeição servida ou determinados alimentos;
  • Utilização de alimentos como recompensa, conforto ou para conseguir que a criança faça ou coma algo em troca.

Fatores relacionados com a atividade física e o sono

  • Excesso de atividades sedentárias como ver televisão, usar computadores e jogar videojogos;
  • Pouca atividade física;
  • Pouco acesso a espaços seguros e outros recursos que facilitem a prática da atividade física;
  • Dormir menos horas que o necessário.

Fatores relacionados com os pais, a família e outros cuidadores (amas ou outros em instituições como creches e jardins de infância)

  • Obesidade dos pais;
  • Obesidade em familiares próximos;
  • Maus hábitos de alimentação e atividade física dos pais e pessoas mais próximas;
  • Falta de conhecimento dos pais e outros cuidadores acerca da alimentação saudável.

Consequências da obesidade infantil

A obesidade infantil está associada a uma série de consequências negativas para a vida das crianças:

Consequências ao nível da saúde da criança

Como consequência da obesidade é cada vez mais frequente encontrar crianças com colesterol elevado, tensão alta, diabetes, problemas ortopédicos, doenças do fígado, entre outros problemas de saúde.

As crianças obesas têm também um maior risco de sofrer de problemas sociais e psicológicos, como dificuldades na relação com outras crianças e baixa autoestima.

Consequências na vida adulta

A obesidade é uma doença crónica. Uma criança obesa terá sempre tendência para continuar obesa ou voltar a ser obesa durante toda a sua vida. Sabe-se que mais da metade das crianças com excesso de peso antes da puberdade terá excesso de peso no início da sua vida adulta. Além disso, todas as crianças obesas têm maior tendência a sofrer de diabetes ou de doenças cardiovasculares na vida adulta.

Obesidade infantil: um problema nosso

O combate à obesidade infantil é considerado um dos maiores desafios para a saúde pública no século XXI. Trata-se de um problema crescente ao nível mundial, que afeta não só os países ricos, mas também países de baixo ou médio rendimento.

A Organização Mundial de Saúde estima que em 2010 havia em todo o mundo cerca de 42 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade com excesso de peso. A situação em Portugal é bastante preocupante uma vez que Portugal é o 5º país da Europa com o maior número de crianças com excesso de peso aos 4 anos.

Infelizmente, é comum que as pessoas não se preocupem com o excesso de peso e a obesidade em crianças pequenas. Muitos acreditam que uma criança gordinha é uma criança saudável. Outros pensam que o excesso de peso passa sem causar danos, à medida que a criança cresce. Mas sabe-se hoje que até mesmo o excesso de peso já tem um impacto negativo na saúde dos mais pequeninos.

A obesidade deixa sempre marcas e todos aqueles que tenham oportunidade devem ajudar a combater este mal. Quer saber como? Continue a consultar os materiais que a equipa do projeto Papa Bem preparou para si!

Conteúdo produzido no âmbito do projeto de produção de Informação do Programa Harvard Medical School-Portugal “Papa Bem: uma abordagem à obesidade infantil”

Este trabalho é cofinanciado através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, QREN E COMPETE

Investigadora principal:

Profª Isabel Loureiro

Investigadora:

Drª. Gisele Câmara

Investigadora:

Drª Graciete Bragança

Investigadora:

Drª Ana Rita Goes

Investigadora:

Drª Ana Rito

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