Cancro do pulmão de grandes células

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Dr. António Bugalho

O que é?

O cancro do pulmão de grandes células recebeu este nome porque as células anormais que apresenta são grandes, quando observadas ao microscópio. Os cancros do pulmão dividem-se em dois grupos principais: o cancro do pulmão de pequenas células e o cancro de pulmão de não pequenas células. O cancro do pulmão de grandes células é um dos cancros de não pequenas células.

Os cancros do pulmão de grandes células começam mais frequentemente na zona central do pulmão. Tendem a crescer e a disseminar-se pelo que são na maioria dos casos descobertos já num estádio tardio. O cancro pode disseminar-se para os gânglios linfáticos próximos, parede torácica e para órgãos mais distantes.

A maior parte das pessoas que desenvolvem um cancro do pulmão de grandes células são, ou foram, fumadores.

Manifestações clínicas

Por vezes, o cancro do pulmão é descoberto numa radiografia do tórax (Rx) ou numa tomografia computorizada (TAC) que foram realizadas por outra preocupação diagnóstica.

Quando ocorrem sintomas, o mais comum é uma tosse persistente. No entanto, a maior parte das pessoas com uma tosse persistente não têm cancro do pulmão. Outros sinais e sintomas que podem estar relacionados com o cancro do pulmão incluem:

  • Expetoração com ou sem sangue
  • Falta de ar
  • Pieira
  • Fadiga acentuada
  • Pneumonias repetidas na mesma área do pulmão
  • Perda de peso ou de apetite inexplicadas

Diagnóstico

Como referido anteriormente, o cancro do pulmão de grandes células pode ser encontrado acidentalmente numa radiografia do tórax,. Outros exames, como a TAC), a ressonância magnética nuclear (RMN) e a tomografia de emissão de positrões (PET), podem ajudar a definir o tamanho, a forma e a localização do tumor. Esta informação ajuda os médicos a determinar onde obter amostras do tumor (biopsias) e a confirmar o tipo de cancro do pulmão.

A PET utiliza um método especial baseado num açúcar radio-marcado e pode ajudar a diagnosticar o cancro do pulmão e a mostrar qual a sua disseminação e extensão. As células cancerosas absorvem mais este açúcar marcado do que as células normais, o que faz com que o cancro se torne visível. Estudos recentes mostraram que a PET pode ser mais eficaz do que a TAC na avaliação do grau de disseminação do cancro do pulmão.

Vários exames podem ser utilizados para diagnosticar um cancro do pulmão de grandes células:

  • Amostra da expetoração: Neste exame é colhido muco proveniente do pulmão após o doente tossir fortemente e observado ao microscópio para procurar identificar a presença de células anormais. Este teste resulta melhor nos tumores situados próximo do centro do pulmão, não sendo tão bom para descobrir os tumores de pequenas dimensões localizados na periferia do pulmão.
  • Broncoscopia: Durante este procedimento, é introduzido através da garganta um instrumento com a forma de um tubo até alcançar os pulmões. Uma câmara na extremidade do tubo permite aos médicos observar o cancro e remover um pequeno fragmento de tecido como biópsia. Por vezes, pode ser necessária a realização deste exame com um aparelho de ecografia na ponta (ecoendoscopia) de forma a adquirir tecido dos gânglios linfáticos para ver se o cancro de disseminou.
  • Mediastinoscopia: Neste procedimento cirúrgico, após uma incisão (por exemplo no pescoço), um instrumento é utilizado para biopsar gânglios linfáticos ou massas situadas entre os pulmões (numa área denominada mediastino). Uma biópsia obtida desta forma permite diagnosticar o tipo de cancro do pulmão e determinar se este se disseminou para os gânglios linfáticos.
  • Aspiração por agulha: Através de uma TAC ou ecografia, pode ser identificada uma área suspeita. É então inserida uma agulha fina nessa zona do pulmão ou da pleura para remover um fragmento de tecido que é subsequentemente examinado num laboratório com o objetivo de diagnosticar o tipo de cancro.
  • Toracocentese: Se existir líquido acumulado no tórax (entre o pulmão e a parede), este pode ser drenado através de uma agulha esterilizada. Este líquido é posteriormente analisado para verificar a presença de células cancerosas.
  • Cirurgia toracoscópica vídeo-assistida: Neste procedimento, um cirurgião insere no tórax, através de uma incisão, um tubo flexível com uma câmara de vídeo na extremidade, o que permite avaliar a presença de cancro no espaço entre os pulmões e a parede torácica e na zona periférica do pulmão. Pode igualmente ser removido tecido pulmonar anormal através de uma biópsia.
  • Cirurgia: Por vezes, a melhor abordagem é a cirurgia imediata para assim remover simultaneamente o tumor, em especial se existir apenas uma lesão visível sem evidência de disseminação.

Prevenção

O fumo do tabaco aumenta enormemente a probabilidade de desenvolver a maior parte das formas de cancro do pulmão, incluindo o cancro do pulmão de grandes células. Se fumar, deixe de o fazer e evite o fumo dos cigarros de outras pessoas. Até agora, não existe uma boa forma de identificar precocemente o cancro do pulmão. Nenhum estudo sobre o rastreio do cancro do pulmão demonstrou melhorar a sobrevivência destes indivíduos.

Tratamento

O tamanho e a localização do tumor ― também conhecido por estádio do cancro ― determinam o tratamento.

  • Os tumores no estádio I são pequenos e localizados (não invadiram os tecidos ou órgãos próximos).
  • Os tumores nos estádios II e III são maiores, podem ter invadido os tecidos e/ou os órgãos próximos e disseminar-se para os gânglios linfáticos.
  • Os tumores no estádio IV têm pior prognóstico, com disseminação extensa para outros órgãos, muitas vezes para fora da área torácica.

Em geral, o objetivo do tratamento é remover ou reduzir o tamanho do tumor. O tratamento pode incluir a cirurgia, a radioterapia ou a quimioterapia. Mesmo quando a terapêutica reduz o tamanho ou remove o cancro é necessário manter uma monitorização destes doentes durante meses ou mesmo anos após do tratamento. Isto deve-se ao facto do cancro do pulmão poder voltar a aparecer.

A cirurgia constitui o principal tratamento para o cancro do pulmão de grandes células que não se disseminou. Nos tumores pequenos, limitados a uma área, pode ser possível remover apenas uma pequena secção do pulmão, enquanto que, no cancro mais extenso, é muitas vezes necessária a remoção de um lobo do pulmão (lobectomia) ou sua a totalidade (pneumectomia). Para ajudar a controlar a doença pode ser recomendada ainda a realização de quimioterapia e/ou radioterapia .

Para alguns doentes com outros problemas de saúde graves a cirurgia não constitui uma opção segura, pelo que é apenas recomendado tratamento com quimioterapia, radioterapia ou uma combinação das duas.

 A quimioterapia pode ajudar a diminuir a velocidade de crescimento do tumor e a diminuir os sintomas, mesmo quando o cancro não pode ser curado. Infelizmente, a quimioterapia e a radioterapia não são muito eficazes contra o cancro do pulmão de grandes células.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se apresentar alguns sinais ou sintomas sugestivos de cancro do pulmão.

Prognóstico

Na maior parte dos casos, o cancro do pulmão de grandes células é diagnosticado já num estádio avançado. Para estas pessoas, a probabilidade de cura é pequena. Quando o diagnóstico é efetuado precocemente, especialmente se o cancro do pulmão de grandes células puder ser totalmente removido através da cirurgia, o prognóstico é muito melhor.

Mesmo quando a cirurgia e as outras terapêuticas são inicialmente bem sucedidas, o cancro pode voltar a surgir. Com os novos avanços no estudo do cancro, existe a esperança de que o prognóstico dos doentes com cancro do pulmão venha a melhorar num futuro próximo.

Informações adicionais

Institutos de Oncologia em Portugal

http://www.ipolisboa.min-saude.pt/ (Lisboa)

http://www.ipoporto.min-saude.pt/Homepage (Porto)

http://www.croc.min-saude.pt/ (Coimbra)

Liga Portuguesa Contra o Cancro

http://www.ligacontracancro.pt/

Sociedade Portuguesa de Pneumologia

http://www.sppneumologia.pt/textos/?imc=51n81n

Instituto Nacional de Câncer (Brasil)

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home/

Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO)

http://www.esmo.org/

Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)

http://www.cancer.net/portal/site/patient

 

Anúncios

2 Respostas to “Cancro do pulmão de grandes células”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente descrição acerca do cancro do pulmão.
    Continuação de bons artigos e estudos médicos.
    Parabéns ao portugal hms e seus colaboradores.

  2. jorge manuel bastos das neves Says:

    Nunca é demais rever estes bons artigos.
    Bom descanso (possível) neste fim de semana.
    Felicidades.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: