O meu filho pode ser obeso?

"Uma abordagem à obesidade infantil"

Qualquer criança pode vir a ser obesa. Acompanhar o crescimento da criança é essencial para o diagnóstico, o tratamento e para a prevenção da obesidade infantil. Tal acompanhamento é feito nas consultas de saúde infantil de rotina. Estas consultas são oportunidades únicas para identificar sinais de alerta de que a criança está em risco de ter obesidade. Assim, é possível atuar com medidas de prevenção e tratamento antes que a obesidade se instale.

Saber como é feito o acompanhamento do crescimento da criança e quais os principais sinais de alerta para o risco de obesidade infantil pode ser muito importante. Desta forma, será muito mais fácil esclarecer as suas dúvidas, procurar a ajuda necessária junto dos profissionais de saúde, e contribuir para a prevenção da obesidade na sua criança. Confira a seguir.

Peso e altura: a primeira análise

O primeiro passo para fazer o diagnóstico da obesidade ou identificar sinais de alerta para o risco de obesidade é acompanhar o crescimento da criança através do seu peso e altura.

Ter excesso de peso ou ganhar peso de forma excessiva num curto espaço de tempo são os principais sinais de alerta de que uma criança está em risco de desenvolver obesidade.

Nas consultas de saúde infantil de rotina as crianças são pesadas e medidas. Nestas ocasiões, o médico ou o enfermeiro poderão fazer um diagnóstico de obesidade ou identificar situações de excesso de peso ou de aumento excessivo de peso que justifiquem medidas de prevenção ou tratamento. Isso acontece de forma diferente dos 0 aos 2 anos e a partir dos 2 anos de idade, conforme poderá observar a seguir.

Dos 0 aos 2 anos de idade

Até aos 2 anos de idade, o médico ou o enfermeiro compara os valores do peso e do comprimento (altura) da criança com as tabelas de percentis do peso e do comprimento (0-24 meses) presentes no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil. Nas Figuras 1 e 2 poderá observar exemplos destas tabelas que estão presentes no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil da sua criança.

Figura 1: Tabela de percentis do peso do Boletim de Saúde Infantil de rapazes

Figura 2: Tabela de percentis do comprimento do Boletim de Saúde Infantil de raparigas

 

Nesta etapa, as tabelas de percentis demonstram apenas se o crescimento em termos de peso ou comprimento é ou não o esperado para aquela criança. Estas tabelas não servem para um diagnóstico do excesso de peso e da obesidade, mas podem anunciar sinais de alerta.

São sinais de alerta que podem indicar um problema de saúde ou uma alimentação em excesso:

  • Peso acima do percentil 95;
  • Ganho de peso muito rápido, com aumento do percentil do peso a ultrapassar linhas de percentil. Por exemplo, passar de um percentil próximo do 25 para outro próximo do 50, do 50 para o 75 e assim por diante.

Estas situações devem ser devidamente analisadas pelo médico para que este possa avaliar se o ganho de peso é ou não adequado para a criança. A análise de outros fatores, que virão descritos mais abaixo, é indispensável para fazer um diagnóstico preciso e definir se há ou não necessidade de tomar medidas de controlo.

A partir dos 2 anos de idade

A partir dos 2 anos de idade, os valores de peso e altura são transformados num indicador denominado índice de massa corporal (IMC).

Nesta fase, são também utilizadas nas consultas de saúde infantil as tabelas de percentis do IMC do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil. Na Figura 3 poderá observar um exemplo desta tabela.

Figura 3: Tabela de percentis do IMC do Boletim de Saúde Infantil de rapazes

 

A utilização destas tabelas permite fazer as seguintes classificações para o IMC da criança: magreza, normal, excesso de peso, obesidade.

O índice de massa corporal é calculado da seguinte forma:

IMC = peso (kg) ÷ altura2 (m)

Depois de encontrado o valor de IMC, este é apontado na tabela de percentis do IMC do Boletim de Saúde Infantil. Assim, teremos:

MAGREZA: Uma criança que esteja abaixo do percentil 5

NORMAL: Uma criança que esteja entre os percentis 5 e 85

EXCESSO DE PESO: Uma criança que esteja entre os percentis 85 e 95

OBESIDADE: Uma criança que esteja acima do percentil 95

São sinais de alerta que podem indicar um problema de saúde ou uma alimentação em excesso:

  • IMC entre os percentis 85 e 95 – Excesso de peso;
  • IMC acima do percentil 95 – Obesidade;
  • Ganho de peso rápido, com aumento do percentil do IMC a ultrapassar linhas de percentil na direção do percentil 85, que representa o excesso de peso. Por exemplo, passar de um percentil próximo do 25 para outro próximo do 50, do 50 para o 75, e assim por diante.

Estas situações devem ser devidamente analisadas pelo médico para que este possa definir se o crescimento é ou não adequado para a criança. Mesmo com a classificação do IMC, somente com a análise de outros fatores, que virão descritos a seguir, é possível fazer um diagnóstico mais preciso e tomar medidas de controlo adequadas.

Outros fatores importantes a serem analisados

Acompanhar o crescimento da criança através do seu peso e altura não é o único aspeto a ser analisado pelo profissional de saúde para saber se uma criança é obesa ou está em risco de obesidade e definir medidas de controlo. Uma criança pode ter um peso elevado devido ao excesso de músculos, por exemplo. Outra pode ter um peso classificado como normal mas necessitar de algumas mudanças de hábitos por ter uma forte tendência para ser obesa.

Assim, para fazer um diagnóstico preciso e definir se é ou não necessária uma intervenção e qual seria esta intervenção, é essencial ainda analisar uma série de outras situações. São elas:

  1. 1.      A existência de fatores que contribuem para aumentar a tendência para a criança ser obesa

Algumas crianças têm maior tendência para desenvolver obesidade por uma série de fatores que podem ocorrer desde a gravidez. A análise desses fatores pode auxiliar o profissional de saúde no diagnóstico e na decisão de intervir ou não através de medidas de prevenção ou tratamento da obesidade.

São fatores que aumentam a tendência para uma criança ser obesa:

  • obesidade dos pais ou de um dos pais;
  • obesidade em familiares próximos;
  • obesidade da mãe no início da gravidez;
  • ganho de peso excessivo da mãe durante a gravidez;
  • diabetes não controlada durante a gravidez;
  • fumar durante a gravidez;
  • nascer com peso elevado. Embora não existam limites estabelecidos para esta relação, é comum a preocupação com crianças que nascem com 4 kg ou mais;
  • ganhar peso muito rapidamente, a ultrapassar linhas de percentil do peso nos dois primeiros anos de vida;
  • ter o peso num percentil acima do 95 durante o primeiro ano de vida;
  • já ter sido obesa anteriormente;
  • alimentação por biberão com leite artificial nos primeiros meses de vida;
  • introdução de outros alimentos para além do leite antes dos 4 meses de vida.

Apresentar vários destes fatores pode ser considerado um sinal de alerta para o risco de obesidade. Mesmo que não tenham excesso de peso, crianças que apresentam vários destes fatores serão beneficiadas de um acompanhamento mais frequente do seu crescimento para que possam ser tomadas medidas de prevenção antes que a obesidade se instale.

  1. 2.      A existência de uma doença ou condição que seja a causa do aumento excessivo de peso ou da obesidade

A maior parte das situações de aumento excessivo de peso ou de obesidade não se deve a doenças ou outras situações, como a utilização de medicamentos, mas sim a maus hábitos de alimentação e atividade física. É a chamada obesidade nutricional. No entanto, a causa da obesidade deve ser analisada pelo profissional de saúde para que se possa estabelecer um diagnóstico preciso e definir as medidas de controlo adequadas.

  1. 3.      A existência de outras doenças e problemas de saúde relacionados com o excesso de peso, como a tensão alta, o colesterol elevado e a diabetes

Investigar se a criança tem outros problemas de saúde associados ao excesso de peso é essencial para um diagnóstico mais preciso e para a decisão acerca das medidas a serem tomadas no sentido de tratar o excesso de peso e as doenças associadas.

  1. 4.      Os hábitos alimentares, de atividade física e de sono da criança e da família

Conhecer os hábitos alimentares, de atividade física e de sono da criança e da família pode auxiliar o profissional de saúde no diagnóstico e é fundamental para a sugestão de medidas de prevenção ou tratamento da obesidade. Mesmo que a criança não tenha excesso de peso, identificar e intervir no sentido mudar maus hábitos na criança e na família é uma medida que contribui para a saúde de todos. É importante ter em conta que alguns hábitos prejudiciais podem ocorrer sem que os pais se apercebam, quando a criança passa parte do seu tempo sob o cuidado de outras pessoas.

O que fazer se o meu filho se encontra numa das situações de alerta?

Se o seu filho se encontra numa destas situações de alerta para o risco de obesidade, esclareça as suas dúvidas com o profissional de saúde que o acompanha. Somente um profissional de saúde poderá decidir se há ou não necessidade de intervir e qual será esta intervenção no sentido de prevenir ou tratar o excesso de peso no seu filho.

Além disso, continue a consultar os materiais que o projeto Papa Bem preparou para si!

Investigadora principal:

Profª Isabel Loureiro

Investigadora:

Drª. Gisele Câmara

Investigadora:

Drª Graciete Bragança

Investigadora:

Drª Ana Rita Goes

Investigadora:

Drª Ana Rito

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3 Respostas to “O meu filho pode ser obeso?”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente artigo de revisão acerca de “obesidade infantil”.
    Parabéns pelo esforço e dedicação aos profissionais envolvidos neste trabalho.
    Parabéns ao Programa Harvard Medical School Portugal.

    • isabel loureiro Says:

      Muito obrigada pelo incentivo. Creio que ainda se coloca aqui um problema a resolver: uma fácil acessibilidade pelo público alvo a quem, mais em particular, se destinam estes conteúdos.

  2. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente artigo acerca de obesidade infantil.


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