Fibromialgia

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Prof.João Eurico da Fonseca

O que é?

As pessoas com fibromialgia apresentam queixas de dor generalizada, pontadas e rigidez nos músculos e articulações de todo o corpo em conjunto com uma fadiga e cansaço fora do vulgar. Não existe causa conhecida para a fibromialgia e os médicos não conseguem encontrar uma razão física para a manifestação de todos estes sintomas. Análises ao sangue, raios-X e outros exames são frequentemente normais nas pessoas que padecem de fibromialgia.

Talvez por isso mesmo, a fibromialgia é uma doença controversa. Uma parte da comunidade médica não acredita inclusivamente que se trate de uma doença, mas que possa ser antes o reflexo de stress ou de um momento de perturbação/angústia psicológica. Todavia, também nada existe que prove que a fibromialgia tenha na sua origem uma causa psicológica. Enfim, até que a comunidade científica tenha um melhor entendimento da natureza desta condição, é provável que a controvérsia e o debate se mantenham.

Possivelmente a fibromialgia tem mais do que uma causa. Alguns investigadores crêem que se pode dever a anomalias nos ciclos de sono, sobretudo na parte do sono em que não se sonha, ou a níveis baixos de serotonina no organismo, um químico que actua a nível cerebral e que regula o sono e os mecanismos de recepção de dor. Outras teorias associaram a fibromialgia a níveis baixos de somatomedina C (ou IGF-1), um químico que actua ao nível da força e da reparação do tecido muscular, ou a níveis elevados de substância P, um químico que afecta o limiar a partir do qual se começa a sentir dor. Outros investigadores encontraram outros possíveis despoletadores da fibromialgia como por exemplo traumatismos físicos, anomalias no fluxo sanguíneo dos tecidos musculares, infecções virais ou outro tipo de infecções.

Estima-se que a fibromialgia afecte cerca de 2 a 4% da população, ou seja cerca de 200.000 pessoas em Portugal. A doença manifesta-se mais vulgarmente em mulheres em idade reprodutiva ou mais velhas. Na verdade, algumas estimativas apontam para a possibilidade de mais de 7% das mulheres na casa dos 70 anos poderem sofrer de fibromialgia. Por fim, note-se que é relativamente frequente os indivíduos com fibromialgia apresentarem também problemas do foro psiquiátrico, como depressão, ansiedade ou distúrbios alimentares, embora esta associação permaneça pouco clara.

Manifestações clínicas

A fibromialgia provoca dor e rigidez nos músculos e articulações ao longo de todo o corpo, incluindo o tronco, pescoço, ombros, dorso e ancas. É muito comum os doentes apresentarem dores na área compreendida entre as omoplatas e a base do pescoço. A dor tanto pode ser generalizada e suportável, ainda que incómoda, como pode ser muito intensa e mais localizada. A rigidez muscular tende a ser pior nos períodos da manhã. Geralmente quem sofre desta condição também se queixa de um cansaço anormal e de acordar já fatigado, apesar te terem dormido o suficiente. As pessoas com fibromialgia também podem apresentar zonas específicas do corpo que são dolorosas ao toque, sintomas de síndrome do cólon irritável, depressão, ansiedade e cefaleias. Para efeitos de pesquisa e investigação o Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology – ACR) estabeleceu um conjunto de critérios de diagnóstico para a fibromialgia. Para cumprir estes critérios, um indivíduo tem que apresentar pelo menos 3 meses de dores generalizadas por todo o corpo, de carácter aparentemente inexplicável, e pelo menos 11 a 18 pontos específicos de dor localizada.

Diagnóstico

Após questionar os seus sintomas, o seu médico deverá observá-lo, prestando particular atenção a zonas de inchaço, vermelhidão ou limitações de mobilidade nas zonas do corpo em que apresenta um quadro doloroso. É recomendado que nesse momento também procure pontos específicos de dor localizada no seu corpo, conforme estabelecido pelo ACR.

De seguida, é importante avaliar o seu historial clínico e proceder a um exame físico rigoroso que permita excluir outras condições ou doenças que possam eventualmente explicar os seus sintomas.

Uma vez que os critérios do ACR foram desenvolvidos tendo em vista fins de pesquisa e investigação, médicos que não estejam envolvidos em investigação muitas vezes diagnosticam a doença sem que estes critérios sejam rigorosamente cumpridos, mas isto só após não terem sido capazes de excluir uma qualquer outra causa alternativa para os sintomas de dor e fadiga.

Evolução clínica

Muitas pessoas apresentam queixas de dor crónica durante um período de tempo muito superior ao mínimo de três meses requerido pelo ACR. Até que ponto a fibromialgia pode ser incapacitante, é algo que permanece incerto, mas a maioria das pessoas consegue adaptar-se à doença, controlar os sintomas e continuar a viver de forma activa.

Prevenção

Não se conhece forma de evitar a fibromialgia.

Tratamento

Para aliviar as dores resultantes da fibromialgia, o seu médico pode receitar o paracetamol; a aspirina ou outros agentes anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), como o ibuprofeno; um relaxante muscular como a ciclobenzaprina; ou um antidepressivo como a amitriptilina ou a fluoxetina. Por vezes estes medicamentos são prescritos de uma forma combinada. A amitriptilina e a fluoxetina tomadas em conjunto, por exemplo, proporcionam resultados terapêuticos melhores do que aqueles que conseguem alcançar quando administradas isoladamente.

Recentemente foi aprovado o uso de pregabalina, duloxetina e milnaciprano para o tratamento da fibromialgia. Todavia, ainda não foram efectuados estudos comparativos que avaliem os resultados terapêuticos a longo prazo obtidos por estes medicamentos em comparação com os anteriores. Um certo número de outros medicamentos, incluindo a gabapentina, o tramadol e a tizanidina, está a ser alvo de pesquisas para o tratamento da fibromialgia. No entanto, a medicação nem sempre funciona da melhor maneira e os tratamentos não-farmacológicos (ver abaixo) podem ser muito mais adequados e apresentar melhores resultados.

O exercício aeróbico, como por exemplo a marcha, o ciclismo ou a natação (e hidroginástica) várias vezes por semana também é considerado um aspecto fundamental para o tratamento desta condição. Finalmente a melhoria da qualidade dos períodos de sono e de descanso pode aliviar os sintomas, pelo que evitar a cafeína, não praticar exercício já muito tarde no dia e não consumir bebidas alcoólicas durante o serão pode ajudá-lo a beneficiar de um sono mais tranquilo e repousado. Se ainda assim os seus sintomas não melhorarem, o seu médico poderá recomendar-lhe que experimente uma ou mais das terapias que se seguem: acupunctura, massagens, aplicação de compressas quentes, hipnose, terapia de grupo ou tratamento de gestão de stress. Caso apresente sintomas de depressão e ansiedade, estes podem ser aliviados por sessões de psicoterapia e por meio de antidepressivos ou ansiolíticos.

Cada doente de fibromialgia é um caso particular e diferente, pelo que as medidas terapêuticas poderão variar muito, e inclusivamente passar por outras que não as mais vulgares especificadas acima.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico sempre que uma dor crónica ou um cansaço extremos interfira com a sua capacidade de trabalhar, dormir e executar as tarefas domésticas com normalidade, assim como se o impedirem de tirar partido das suas actividades de lazer.

Prognóstico

Os estudos realizados não são concordantes entre si no que concerne às perspectivas de cura para as pessoas que padecem de fibromialgia. Por exemplo, os resultados apresentados por alguns centros de tratamento especializados apontam para um sucesso terapêutico pobre. No entanto, outras avaliações do tratamento em centros de cuidados primários revelam que os sintomas se desvanecem em cerca de um quarto dos indivíduos e que cerca de metade alcança um alívio significativo dos seus sintomas.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Reumatologia

http://www.spreumatologia.pt/

Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia

http://www.apdf.com.pt/

4 Respostas to “Fibromialgia”

  1. maria da luz ferreira (luzinha) Says:

    gostei de ler…tenho fibromialgia mas assuciada a problema degerativo da coluna…estado avancado.os medicamentos que referem …ja’ os tomo…falta o tapete rolante ainda nao tenho.Pois…como nao e’ so’ fibromialgia…tudo que faca mecher coluna…nao posso fazer.gostei mu
    ito do vosso artigo.muito obrigado.

  2. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente artigo de revisão e actualização acerca da Fibromialgia.
    Parabéns.
    Um abraço.

  3. Roberta Guerreiro Says:

    OLá, bom dia!
    Gostei imenso de ler seu artigo. Já há dois anos me foi diagnosticada a fibromialgia, os meus médicos foram incansaveis nas investigações do diagnóstico, enquanto não excluiram tudo o que poderia estar calsando me estes sintomas. TAC. Ressonância, RX, Análeses do sangue enfim Tudo! E só assim avançaram com o tratamento para a fibromialgia.
    Mas, eu ouvi falar num tratamento chamado EMDR, que em 70% dos casos tem uma eficácia positiva anivel do alívio das dores e em aguns casos até deixam a toma dos medicamentos mas, é um tratamento caro e por sua vez não esta ao alcance de todos. A minha pergunta é; Há no país algum tratamento de EMDR disponibilizado pelo Estado? Se houver Gostaria de o fazer aliás; tudo que diz, que pode aliviar as minhas dores eu quero fazer mas, na maioria das vezes esse tipo de tratamentos são caros e nao consigo suportalos a nivel finaceiro. Obrigada pela vossa preocupação conosco e que tenha dias muito felizes em sua vida!!!

    • info2hmsportugal Says:

      Estando o Programa consciente e totalmente solidário com o seu pedido de ajuda, a politica editorial do Programa não permite fazer referenciação médica ou emitir segundas opiniões. O objetivo foca-se em dar informação complementar com a melhor base cientifica que não dispensa acompanhamento médico presencial.

      Esperemos que compreenda o nosso posicionamento e esperamos que na informação que produzimos lhe consigamos ser útil.

      Sinceros cumprimentos


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