Doença de Alzheimer

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª. Ana Correia

Validação Científica:

Prof. João Lobo Antunes

O que é?

A doença de Alzheimer é uma forma de demência em que ocorre perda de funções cerebrais que se agrava ao longo do tempo.

Nesta doença a memória a curto prazo é afectada de forma precoce e, gradualmente, deterioram-se outras funções intelectuais e o discernimento ou juízo crítico é prejudicado. A maior parte das pessoas com Doença de Alzheimer avançada perdem a sua capacidade para realizar as actividades normais da vida diária.

A doença tem início geralmente depois dos 60 anos, podendo ocasionalmente afectar pessoas mais jovens.

Ainda há muito por descobrir sobre as causas e os mecanismos responsáveis pelos sintomas da doença de Alzheimer. Os indivíduos com esta doença desenvolvem depósitos excessivos de duas proteínas no seu cérebro. Os investigadores acreditam que estas proteínas perturbam a comunicação entre as células cerebrais.

Nesta doença, os níveis de acetilcolina (substância química que ajuda a transmitir mensagens entre as células nervosas ) começam a descer, o que pode agravar os problemas de comunicação entre as células cerebrais.

Finalmente, as próprias células cerebrais são afectadas, começando a deteriorar-se e morrem.

Os seguintes factores podem aumentar o risco de desenvolvimento de doença de Alzheimer:

  • Idade. O risco aumenta com a idade.
  • História familiar. Se os familiares, especialmente os pais ou os irmãos, têm ou tiveram Doença de Alzheimer, o risco de um indivíduo aumenta.
  • Factores genéticos. A herança de determinados genes aumenta o risco.

Manifestações clínicas

A doença de Alzheimer é uma doença de agravamento progressivo.

Nos estádios mais precoces da doença:

  • as memórias novas ou recentes são difíceis de recordar
  • é difícil aprender e reter novas informações.

À medida que a doença se agrava:

  • As memórias mais antigas ou distantes são gradualmente perdidas.
  • Podem surgir outros sintomas, incluindo dificuldade em:
    • expressar verbalmente os pensamentos
    • cumprir instruções simples
    • reconher faces familiares ou objectos bem conhecidos
  • O doente pode não ser capaz de:
    • planear as refeições
    • gerir o dinheiro
    • recordar-se de manter as portas fechadas
    • recordar-se de tomar os medicamentos
    • manter o sentido de orientação, mesmo numa vizinhança com que esteja familiarizado.

Por outro lado, uma pessoa com uma Doença de Alzheimer em fase inicial geralmente é capaz de se alimentar, de tomar banho, de se vestir e de se arranjar sem ajuda.

Muitas pessoas com esta doença desenvolvem problemas psicológicos. Estes podem incluir alterações da personalidade, irritabilidade, ansiedade ou depressão.

À medida que doença progride para os seus estádios intermédios e tardios, o indivíduo afectado pode:

  • ter delírios, ou seja convicções irracionais, especialmente relativamente a ser perseguido ou roubado;
  • ter alucinações, podendo acreditar que vê, ouve, cheira, saboreia ou está a ser tocado por alguma coisa que na realidade não se encontra ali;
  • tornar-se agressivo;
  • sair de casa e vaguear se for deixado só.

Diagnóstico

As pessoas com doença de Alzheimer frequentemente não reconhecem que existe um problema. Por outro lado, os familiares e os amigos íntimos notam os esquecimentos e as alterações no comportamento. Em vez de tentar convencer a pessoa de que tem um problema, procure marcar uma consulta médica. O doente deve ser acompanhado por um familiar ou um amigo íntimo.

Não existe um teste que permita diagnosticar com certeza a doença de Alzheimer. O médico irá diagnosticar a doença através da colheita de uma história clínica pormenorizada e da realização de um exame físico, que irá incluir um exame neurológico, bem como uma avaliação do estado mental.

O médico irá querer ser informado da existência de:

  • lapsos de memória
  • dificuldades de linguagem
  • problemas na aprendizagem e na retenção de novas informações
  • dificuldade em seguir orientações ou em executar tarefas complexas
  • episódios de falta de discernimento ou comportamentos pouco habituais ou arriscados.

Grande parte destas informações será provavelmente fornecida pelos familiares e amigos.

O médico irá realizar um exame neurológico para avaliar o cérebro e os nervos e irá proceder a um exame breve do estado mental. Isto inclui a realização de testes visuais, da escrita e da memória.

O médico poderá pedir exames para excluir outras doenças que podem causar sintomas que se assemelham à doença de Alzheimer. Os testes podem incluir análises de sangue, tais como doseamentos dos níveis de vitamina B12 e das hormonas tiroideias. Níveis muito baixos de vitamina B12 e uma tiroideia extremamente hipoactiva podem provocar dificuldades de raciocínio e de memória. Estes problemas podem melhorar ou mesmo desaparecer com o tratamento.

Se os testes simples do médico para avaliar o raciocínio e a memória indicarem que pode haver um problema, podem ser realizados exames mais detalhados da função cerebral, denominados exames neuropsicológicos.

Em alguns casos, o médico pode pedir um exame imagiológico cerebral (ex: tomografia computorizada ou ressonância magnética), que pode excluir outras causas para os sintomas. Os exames imagiológicos cerebrais não permitem diagnosticar a doença de Alzheimer de forma segura. No entanto, juntamente com a observação do médico, as análises de sangue e os exames neuropsicológicos, podem ajudar o médico a estabelecer um diagnóstico.

O médico pode referenciar o doente para um especialista para confirmar o diagnóstico, incluindo um neurologista, um geriatra ou um psiquiatra geriátrico.

Evolução clínica

A doença de Alzheimer é irreversível e as funções mentais vão sofrendo uma deterioração progressiva.

Prevenção

Não existe forma de prevenir a doença de Alzheimer. No entanto, a actividade física e intelectual e uma dieta equilibrada são importantes para evitar a deterioração cognitiva.

Tratamento

Não existe cura para a doença de Alzheimer. O objectivo do tratamento consiste em controlar os sintomas e atrasar a progressão da doença.

Uma classe de medicamentos denominados inibidores da colinesterase (donepezil, rivastagmina, galantamina) ajuda a restabelecer a comunicação entre as células cerebrais. Estes medicamentos podem atrasar o declínio intelectual em algumas pessoas com doença de Alzheimer ligeira a moderada. Eles actuam aumentando os níveis cerebrais de acetilcolina.

Outro medicamento que demonstrou estabilizar a memória nas pessoas com doença moderada a grave é o primeiro de uma nova classe de fármacos denominados antagonistas dos receptores do glutamato NMDA (memantina).

As técnicas da neuropsicologia podem ser utilizadas para ajudar os doentes, podendo incluir a orientação para a realidade e treino da memória.

Podem ser também administrados medicamentos para diminuir os sintomas depressivos ou para controlar um comportamento agitado.

Tanto quanto possível, os doentes com doença de Alzheimer devem:

  • ter uma rotina de exercício físico regular
  • manter contactos sociais normais com a família e os amigos
  • continuar as actividades intelectuais.

Os doentes e a sua família devem aproveitar os recursos existentes na comunidade e os grupos de apoio e devem discutir todas as preocupações de segurança (especialmente no que respeita à condução de veículos automóveis) com o médico do doente.

Diversos produtos de venda livre alegam melhorar a função mental mas a evidência científica é fraca e por isso o médico deve ser contactado antes da administração de qualquer medicamento de venda livre.

Quando contactar um profissional

Contacte o seu médico sempre que notar em si próprio ou num familiar qualquer dos seguintes problemas:

  • Lapsos importantes na memória ou no discernimento
    • esquecimento da medicação
    • esquecimento do forno ligado
    • permissão da entrada de estranhos em casa
    • perder-se a conduzir ou andar a pé, especialmente numa local conhecido
    • alteração substancial na personalidade.

A pessoa afectada frequentemente não tem consciência destes problemas e pode mesmo negar a sua existência.

Prognóstico

Não existe nenhuma medicação que permita curar a doença de Alzheimer. No entanto os medicamentos podem melhorar a capacidade para realizar as actividades da vida diária e diminuir os problemas comportamentais, prolongando a autonomia do doente.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Neurologia

Gabinete 404 M/76 – Centro de Escritórios do Chiado, Rua da Misericórdia, 76

1200-273 Lisboa

Telefone / Fax: +351- 213210112

spn.sec@spneurologia.org

http://cgmdesign.fatcow.com/spn/

Associação Alzheimer Portugal

Av. de Ceuta Norte, Lote 15, Piso 3 Quinta do Loureiro 1300 – 125 Lisboa
Telefones: 21 361 04 60 / 8
Fax : 21 361 04 69
geral@alzheimerportugal.org

http://www.alzheimerportugal.org/scid/webAZprt/

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