Programa Harvard Medical School Portugal

Pólipos do cólon

Anúncios
Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Adaptação Científica:

Dra. Sara Belga

Validação Científica:

Prof.Rui Tato Matinho

O que são?

Os pólipos do cólon são formações que surgem na camada que reveste o interior (denominada de mucosa) do cólon ou intestino grosso. Alguns pólipos aparecem como protusões em forma de cogumelo suportadas por um pedículo (pólipos pediculados). Outros surgem como crescimentos aplanados da mucosa (pólipos sésseis).

Os pólipos surgem na mucosa intestinal, mais frequentemente no cólon. Existem vários tipos de pólipos. Importa salientar que estes não são sinónimo de cancro, embora possam ser percursores do mesmo ou conter em si um cancro (ou carcinoma).

Existem diversos tipos de pólipos,  a maioria dos quais é benigna (não cancerosa). No entanto, o pólipo adenomatoso, que corresponde a cerca de dois terços de todos os pólipos no cólon, encontra-se associado a alterações no ADN das células que o contituem, a chamada displasia (que pode ser de baixo ou alto grau), podendo degenerar em cancro do cólon e recto. Quanto maior for o pólipo, maior a probabilidade deste conter células malignas. Num pólipo com um diâmetro superior a 1 cm, existe um risco quatro vezes superior de ser maligno em relação a pólipos de menores dimensões.

Algumas pessoas nascem com doenças genéticas que estão associadas  a tendência para desenvolver múltiplos pólipos. Algumas doenças hereditárias, de que são exemplos a Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e a Síndrome de Gardner, podem levar ao aparecimento de centenas e milhares de pólipos que se desenvolvem ao nível do cólon e do recto. Sem uma intervenção cirúrgica para remover o cólon e recto, é praticamente certo que pelo menos um destes pólipos se venha a transformar num cancro na meia-idade ou mesmo antes. Contudo, estas duas doenças são raras.

A Síndrome de Lynch, ou carcinoma do cólon e recto hereditário não associado a polipose, é a síndrome hereditária mais comum de presdisposição a cancro do cólon e recto (constituindo 2 a 3% de todos os casos deste tipo de cancro), no entanto não está associada a desenvolvimento de múltiplos pólipos. Os doentes com esta síndrome apresentam um risco muito aumentado de cancro do útero, equiparado ao risco do cancro do cólon e recto, bem como um risco também elevado de outros cancros (ovário, vias urinárias, estômago, intestino delgado, pâncreas e vias biliares, pele e sistema nervoso central).

Manifestações clínicas

Na maioria das vezes, as pessoas não têm consciência de que têm pólipos do cólon e/ou recto, uma vez que estes são na maior parte dos casos assintomáticos. Os pólipos de maiores dimensões podem sangrar, levando ao aparecimento de sangue nas fezes. Por vezes, os pólipos sangrantes podem causar fadiga e outros sintomas resultantes do desenvolvimento de anemia (níveis baixos de glóbulos vermelhos). Em ocasiões raras, um pólipo de grandes dimensões pode causar diarreia ou secreção de grande quantidade de potássio, o que pode causar fadiga acentuada e fraqueza muscular.

Diagnóstico

O médico pode realizar um ou mais dos seguintes exames para determinar se um indivíduo tem pólipos do cólon e recto:

Cólon e Recto – colonoscópio: com a introdução de um colonoscópio pelo recto, o médico pode visualizar toda a mucosa do intestino grosso, permitindo observar directamente os pólipos e removê-los.

Importa salientar que a colonoscopia e rectossigmoidoscopia são os únicos exames que para além de diagnósticos, são também terapêuticos, permitindo ao mesmo tempo remover os pólipos e enviar para análise.

História Natural

Se um pólipo não for removido, irá continuar a crescer, sendo geralmente necessários vários anos para que se transforme num cancro. No entanto, alguns pólipos têm células malignas apesar de serem de pequenas dimensões. Cerca de um terço dos pólipos adenomatosos progridem para um cancro dentro de três a cinco anos se não forem detectados.

Prevenção

Os pólipos preocupam os médicos pelo facto de, na maior parte dos casos, o cancro do cólon surgir a partir dos mesmos. Pode reduzir-se a probabilidade de desenvolvimento de pólipos cancerosos através das seguintes medidas:

Além disso, alguma investigação sugere que estas medidas podem ajudar a diminuir o risco de cancro do cólon:

As mulheres que tomam hormonas após a menopausa apresentam um risco mais baixo de virem a ter um cancro do cólon. No entanto, a utilização a longo prazo de da chamada terapêutica hormonal de substituição após a menopausa, comporta outros riscos pelo não deve ser utilizada com este objectivo.

Atendendo a que o risco de cancro do cólon aumenta com a idade, as pessoas com idade igual ou superior a 50 anos devem ser submetidas a um rastreio periódico para a detecção precoce de pólipos e de cancro do cólon e recto. As opções para o rastreio incluem:

As pessoas que apresentam uma doença hereditária que leva ao aparecimento de um grande número de pólipos no intestino grosso, devem ser submetida a exames mais frequentes, dependendo da síndrome em questão, que pode começar tão cedo como na puberdade (no caso da PAF).

Importa salientar que a partir do momento em que os pólipos aumentam para a faixa dos milhares, será sempre muito difícil na colonoscopia periódica despistar um cancro, pelo que a remoção do cólon e recto (proctocolectomia) é fortemente recomendado pelos médicos.

 A frequência com que este exame deve ser efectuado depende da idade da pessoa, da história familiar (se for positiva para cancro do cólon e recto) e do que foi observado na última colonoscopia.

Tratamento

Com frequência, o médico pode remover os pólipos durante a colonoscopia. Este procedimento consiste em seccionar o pólipo, separando-o da parede do cólon por meio de uma corrente eléctrica, que é passada através de uma ansa de arame colocada na extremidade do colonoscópio. Por vezes, é necessária uma cirurgia abdominal para remover um pólipo de grandes dimensões, não ressecável por via da colonoscopia. No caso dos pólipos malignos, deve igualmente ser removido o tecido circundante ou submeter-se a ressecção de parte do cólon (dependendo da abordagem ser endoscópica ou cirúrgica).

Através do colonoscópio, o médico pode remover os pólipos do cólon que posteriormente são observados ao microscópio para determinar que tipo são e se contém contêm ou não cancro.

Quando contactar um médico

Deve consultar imediatamente o médico se surgir alteração recente dos seus hábitos intestinais, sangue nas fezes ou hemorragia rectal, bem como sintomas de anemia como sejam palidez, cansaço entre outros.

Por rotina, todas os adultos devem ser submetidos a exames de rastreio do cólon e recto a partir dos 50 anos. As pessoas com uma história familiar de cancro do cólon numa idade precoce, ou com Polipose Adenomatosa Familiar, Síndrome de Gardner  ou Síndrome de Lynch, devem iniciar o rastreio mais precocemente.

Prognóstico

Embora se estime que 30% das pessoas de meia-idade ou idosas tenham pólipos do cólon, apenas menos de 1% dos pólipos irão progredir para um cancro. Nas pessoas em que o cancro do cólon é identificado e tratado precocemente, a taxa de sobrevivência aos 5 anos é superior a 90%. Se o cancro tiver atingido os gânglios linfáticos, a probabilidade de sobrevivência desce para 65%. Quando o cancro se disseminou para zonas distantes do corpo, tal como o fígado ou os ossos, a probabilidade da pessoa viver mais de cinco anos desce para menos de 10%. Este informação salienta a importância do rastreio, de forma a detectar lesões precoces.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

http://www.spg.pt/

Direcção Geral de Saúde

Site: http://www.dgs.pt/

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt/

Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva

www.sped.pt

Anúncios

Anúncios