Erisipela

Produção Científica:

Dr. Hugo Morgado Dias

Validação Científica:

Dr. Fernando Guerra

O que é?

A erisipela é uma infeção da pele, que se desenvolve como resultado da contaminação por bactérias, que ultrapassam a barreira da pele. Trata-se de uma patologia mais frequente nas crianças e idosos, surgindo cerca de 200 novos casos de erisipela por cada 100000 pessoas, por ano.

 Manifestações clínicas

 A erisipela manifesta-se por áreas de pele marcadas por inchaço, vermelhidão e calor (edema, rubor e calor). Tratam-se de lesões bem demarcadas, com clara distinção entre zonas afetadas e não-afetadas. As zonas mais frequentemente afetadas pela erisipela são os membros inferiores. Outras formas podem envolver a parede abdominal, a face ou a região peri-oribitária (em redor dos olhos).

 Esta patologia difere de uma celulite, pois envolve apenas a camadas superiores da derme e os linfáticos superiores, enquanto também a gordura subcutânea é atingida (celulite). Para além disso, doentes com erisipela costumam iniciar o quadro de forma rápida e aguda, com febre e calafrios, enquanto a celulite surge de forma mais insidiosa.

 Manifestações adicionais da erisipela incluem a linfangite/linfadenite (inflamação dos gânglios linfáticos adjacentes à zona infetada). Também o aspeto da “pele casca de laranja” pode surgir, fruto do inchaço criado em redor dos folículos pilosos, bem como o aparecimento de nódoas negras.

 Algumas situações tornam os indivíduos mais suscetíveis ao aparecimento desta patologia, com a disrupção da barreira cutânea como resultado de um traumatismo (mordedura de inseto, cortes, injeções), inflamação (por eczema, psoríase ou radioterapia), infeções cutâneas prévias (impétigo ou tinha cutânea), varicela e inchaço (causado por insuficiência venosa).

 Diagnóstico

 O diagnóstico da erisipela é feito com base em características clínicas. Nomeadamente febre alta (calafrios), dôr, edema (inchaço), e consequente diminuição da função dum membro quando ocorre neste. Análises de sangue, culturas ou biopsias não são, geralmente, utilizadas no diagnóstico de uma infeção moderada. Estes procedimentos podem ser utilizados nos pacientes com:

  • toxicidade sistémica
  • envolvimento de extensas áreas de pele
  • doenças associadas (diabetes, neoplasias, imunodeficiências)
  • exposição a mordeduras de animais ou queimaduras

Os exames imagiológicos podem ser uma ferramenta útil para excluir abcessos ocultos ou distinguir de uma osteomielite.

 Evolução clínica

 Doentes com erisipela, demonstram melhoria significativa ao final de 24-72 horas, após início de tratamento antibiótico adequado. A progressão de doença findo este período deve fazer pensar em microrganismos resistentes ou em diagnósticos alternativos. Porém, apesar do tratamento adequado, a remissão completa dos sintomas pode demorar até 2 semanas.

 Prevenção

 Os doentes com algumas condições predisponentes para erisipela, devem estar especialmente atentos ao aparecimento de sinais clínicos compatíveis com infeção cutânea. Assim, constituem situações de risco aumentado para erisipela:

  • Lesão recente da pele (feridas, cortes, injeções, mordeduras)
  • Inchaço cutâneo por radioterapia
  • Infeções cutâneas (como impétigo ou “pé de atleta”)
  • Edema acentuado dos membros inferiores (por insuficiência cardíaca, insuficiência venosa, doença hepática)
  • Excesso de peso e obesidade
  • Doenças cutâneas crónicas, como psoríase ou eczema

 Tratamento

 O tratamento principal da erisipela assenta nas medidas farmacológicas, com administração de antibióticos.

 Porém, as medidas não-farmacológicas são também importantes, como elevação da área afetada e tratamento das condições associadas. Esta elevação facilita a drenagem do edema e substâncias inflamatórias pelo efeito da gravidade. A pele deve também estar convenientemente hidratada para evitar novas portas de entrada.

 Os doentes com edema podem beneficiar do uso de meias de contenção e tratamento com diuréticos. Para além disso, aqueles doentes com condições predisponentes (tinha, insuficiência venosa), devem tratá-las concomitantemente.

No que diz respeito ao tratamento antibiótico, os doentes com erisipela associada a manifestações sistémicas (como febre e calafrios) devem ser tratados com a administração diária de um antibiótico intra-muscular (como a Penicilina ou no caso de alergia a esta, ceftriaxone ou a cefazolina). Por outro lado, doentes com infeções moderadas podem ser tratados com antibiótico oral (amoxicilina). A duração do tratamento é individualizado e depende da resposta clínica inicial, contudo, um esquema entre 5 a 10 dias costuma ser eficaz.

 Quando contactar um médico

 Contacte o seu médico caso note o aparecimento de áreas de pele marcadas por inchaço, vermelhidão e calor (edema, rubor e calor).

 Prognóstico

 O prognóstico desta situação é bom, especialmente após início de tratamento antibiótico adequado.

 Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

http://www.dermo.pt/pt/home.asp

Uma resposta to “Erisipela”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Acessível, bem elaborado, pertinente.
    Parabéns pelo vosso trabalho.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: