Fenómeno de Raynaud

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

O que é?

Quando uma pessoa saudável se encontra num ambiente frio, os pequenos vasos sanguíneos da pele contraem-se, ou estreitam-se, num esforço para conservarem o calor. Nas pessoas com um fenómeno de Raynaud, esta resposta natural ao frio é extrema. Os pequenos vasos sanguíneos entram em espasmo, estreitando-se e reduzindo o fluxo sanguíneo para as áreas afectadas. Esta resposta, chamada vasospasmo, é observada mais frequentemente nos dedos das mãos e dos pés, mas também pode ocorrer nas orelhas, na face e no nariz. Em algumas pessoas com esta perturbação, a constrição ocorre igualmente em resposta ao stress emocional ou a uma alteração rápida da temperatura ambiente de quente para frio.

O efeito deste fenómeno pode ser dramático e assustador, mas é temporário e raramente perigoso. A cor da pele afectada é muito diferente da cor da pele normal. A área afectada pode estar entorpecida e apresentar uma sensação de picadas (“formigueiros”). Quando a área afectada é aquecida, os vasos sanguíneos relaxam-se e expandem-se, o que permite um aumento do fluxo sanguíneo. A pele torna-se, então, rosada ou avermelhada à medida que o sangue regressa e pode ocorrer uma sensação de calor, de latejar ou de dor surda.

Aproximadamente 5 a 10% das pessoas têm um fenómeno de Raynaud e as mulheres têm mais probabilidades de desenvolverem esta perturbação que os homens. Não se sabe qual a causa do fenómeno de Raynaud. Considera-se que as pessoas que não apresentam nenhum outro sintoma ou doença têm um fenómeno de Raynaud primário, enquanto as que apresentam um fenómeno de Raynaud como parte de uma outra doença ou situação têm um fenómeno de Raynaud secundário.

O fenómeno de Raynaud secundário está frequentemente associado a doenças do tecido conjuntivo, como a esclerodermia ou o lúpus. Pode também ocorrer em consequência da lesão dos vasos sanguíneos por traumatismos, golpes de frio ou pelo uso de máquinas que provocam vibrações, tais como os martelos pneumáticos e as motosserras. O tabagismo, alguns medicamentos para o coração e para as enxaquecas e as doenças que afectam a circulação (como a aterosclerose) podem também causar um fenómeno de Raynaud secundário ou agravar um fenómeno de Raynaud pré-existente.

Manifestações clínicas

As pessoas com fenómeno de Raynaud observam e sentem alterações nos dedos das mãos e dos pés quando estes são expostos ao frio. A pele fica descorada ou pálida e, em seguida, azul. Os dedos das mãos e dos pés podem ficar com uma sensação de formigueiro ou de entorpecimento. Quando é reaquecida, a pele torna-se rosada ou vermelha e pode ocorrer uma sensação de latejar ou de dor surda à medida que o sangue regressa aos pequenos vasos sanguíneos.

As pessoas com fenómeno de Raynaud secundário relacionado com uma doença reumática podem também apresentar uma artrite, uma erupção cutânea ou um espessamento ou endurecimento da pele.

Diagnóstico

Um médico diagnostica geralmente um fenómeno de Raynaud com base na descrição dos sintomas pelo doente. Se estiverem presentes outros sintomas, como uma erupção cutânea, podem ser pedidos testes sanguíneos ou outros exames para pesquisar outras doenças. São igualmente necessários mais testes se os sintomas não forem típicos, por exemplo, se apenas um dedo ou uma mão forem afectados ou se existirem alterações permanentes da coloração. Estes sintomas são pouco habituais no fenómeno de Raynaud e podem indicar a existência de um coágulo de sangue num vaso sanguíneo ou outro problema na circulação. Um exame cuidadoso do leito das unhas (a pele próxima da unha mais afastada da ponta dos dedos) pode mostrar alterações nos vasos sanguíneos que podem sugerir uma situação reumática subjacente, como uma esclerodermia.

Evolução clínica

Embora cada episódio de vasospasmo seja temporário, o fenómeno de Raynaud é considerado uma situação crónica (de longa duração).

Prevenção

Embora não exista forma de prevenir que uma pessoa desenvolva esta perturbação, o número de episódios de vasospasmo pode ser reduzido ou mesmo eliminado evitando as situações que podem desencadear os eventos. Para evitar o vasospasmo, o doente deve:

  • Evitar a exposição desnecessária ao frio.
  • Em casa, programar o termóstato para alguns graus mais acima.
  • Durante o tempo frio, usar chapéu e luvas sem dedos (que protegem melhor do que as luvas normais) de forma a conservar tanto quanto possível o calor.
  • Agasalhar-se antes de enfrentar o frio em vez de o fazer quando já está ao frio, para garantir que os seus braços e as suas pernas não são afectados pela mudança de temperatura.
  • Manter o casaco, as luvas e o chapéu vestidos nas secções de produtos frios e congelados do supermercado.
  • Em casa, usar pegas, luvas sem dedos ou uma toalha para remover itens do frigorífico.
  • Usar um recipiente com asa quando beber uma bebida fria.
  • Deixar de fumar.

Tratamento

A maior parte das pessoas com um fenómeno de Raynaud primário não necessita dos cuidados de um profissional. Os seus sintomas podem ser controlados através da evicção, tanto quanto possível, dos eventos desencadeantes. Um episódio de vasospasmo pode frequentemente ser terminado através do aquecimento das áreas afectadas, entrando numa casa ou aquecendo os dedos numa taça com água morna. O biofeedback, que treina o corpo a aquecer as extremidades, pode ajudar alguns doentes a controlarem os seus sintomas. Este método mente-corpo usa uma máquina para ajudar a aprender como atingir um controlo voluntário sobre os processos corporais que são tipicamente involuntários, tais como o fluxo sanguíneo.

Nos casos mais graves (mais comuns nas causas secundárias de fenómeno de Raynaud) podem ser prescritos medicamentos. Os bloqueadores dos canais do cálcio, incluindo a nifedipina e o diltiazem, podem diminuir a gravidade e o número de episódios de vasospasmo. Outros medicamentos que dilatam os vasos sanguíneos (aumentam o seu calibre) e que são geralmente prescritos para a pressão arterial elevada podem também ser eficazes. Estes medicamentos incluem o creme ou pomada de nitroglicerina, a hidralizina, a prazosina ou o losartan. Estudos recentes sugerem que o sildenafil e outros medicamentos aprovados para a disfunção eréctil dos homens podem melhorar os sintomas graves do fenómeno de Raynaud (como úlceras que não cicatrizam ou gangrena) quando os restantes tratamentos falham. Em casos extremos e raros podem ser seccionados os nervos simpáticos que controlam os vasos sanguíneos, num procedimento cirúrgico designado por simpatectomia, ou podem ser administrados medicamentos chamados prostaglandinas por via endovenosa (numa veia) para permitir a chegada de sangue aos dedos das mãos e dos pés e prevenir a morte dos tecidos afectados. Medicamentos para a disfunção eréctil, como o sildenafil, e medicamentos endovenosos (como o iloprost) constituem novas abordagens para o tratamento do fenómeno de Raynaud. Contudo, estes medicamentos estão geralmente reservados para os casos graves que não respondem a outros tratamentos, sendo necessários estudos adicionais para estabelecer o seu papel no tratamento do fenómeno de Raynaud.

As pessoas com um fenómeno de Raynaud secundário podem também necessitar de tratamento para a doença principal.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se tiver sintomas de fenómeno de Raynaud, para aprender mais sobre a doença e para estar seguro de que não tem qualquer outro problema. Se lhe foi diagnosticado um fenómeno de Raynaud, procure o seu médico se tiver alguns sintomas pouco habituais, tais como uma vermelhidão intensa, inflamação ou feridas abertas. Procure os cuidados de urgência se tiver alterações da coloração, entorpecimento ou formigueiros nos braços e nas pernas que não desaparecem ao fim de alguns minutos depois da área ser aquecida.

Prognóstico

Na maioria das pessoas, o fenómeno de Raynaud primário pode ser incómodo e causar desconforto, mas raramente é perigoso. Embora seja geralmente uma situação para toda a vida, geralmente também não se agrava. Em casos raros nos quais o vasospasmo é acentuado, a falta de fluxo sanguíneo pode originar propensão nas áreas afectadas a feridas abertas, ou úlceras, que demoram a cicatrizar.

Contudo, o fenómeno de Raynaud pode ser o primeiro sintoma de uma doença reumática, pelo que a situação não deve ser ignorada. Os doentes podem necessitar de ser examinados, realizar testes e ser monitorizados para possibilitar o diagnóstico de uma doença reumática associada o mais precocemente possível.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Reumatologia

http://www.spreumatologia.pt

Av. de Berlim, 33 B, 1800-033 Lisboa

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