Procedimento de LASIK

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Validação Científica:

Prof. Joaquim Murta

O que é?

A cirurgia de LASIK (“Queratomileusis in situ assistida por laser excimer) é uma forma inovadora de cirurgia ocular, refractiva, que usa um laser para remodelar a forma da  córnea.

A córnea é uma “membrana” arredondada, de tecido transparente, que permite a entrada da luz na parte anterior do globo ocular. Ao remodelar a forma da córnea, o cirurgião focaliza a imagem na retina (a camada na parte posterior do globo ocular responsável pela visão). Consequentemente, a visão melhora frequentemente nas pessoas com diminuição da visão ao longe, e/ou ao perto.

Na cirurgia  LASIK, o oftalmologista cria, em primeiro lugar, um pequen lentículo de tecido da parte anterior da córnea com um instrumento denominado microqueratomo ou com um laser de femtosegundo (espessura de cerca de 1/10 do mm). Uma vez levantado esse lentículo, é utilizado um segundo laser (laser de Excimer) para remodelar as fibras de proteínas (colagénio) da córnea. Esta remodelação é baseada em medições precisas efectuadas pelo oftalmologista durante um exame pré-cirúrgico. Quando a remodelação com laser se encontra concluída, o lentículo é colocado novamente no seu lugar, Assiste-se , na maioria das pessoas, a uma melhoria enorme da visão quase imediatamente.

A cirurgia de LASIK é um procedimento realizado em regime de ambulatório, o que significa que não há necessidade de o doente ficar internado. Muitos cirurgiões tratam ambos os olhos numa mesma sessão, enquanto outros tratam apenas um olho por sessão. Em seguida, depois de se confirmar a obtenção de um bom resultado no primeiro olho, realizam o procedimento no segundo olho.

A cirurgia de LASIK é o tratamento cirúrgico mais comum para corrigir a diminuição da acuidade visual ao longe (miopia). Esta técnica tem sido utilizada com sucesso em todo o mundo desde 1991 e centenas de milhares de pessoas ficaram satisfeitas com os resultados obtidos. No entanto, uma vez que o procedimento ainda é relativamente recente, os efeitos a longo prazo da LASIK continuam desconhecidos. Por este motivo, as pessoas devem compreender bem os riscos e complicações potenciais da cirurgia de LASIK.

Para que é utilizada

A cirurgia de LASIK pode ser utilizada para tratar os seguintes problemas de visão:

  • diminuição da acuidade visual ao longe (miopia), em que os objectos distantes estão desfocados
  • diminuição da acuidade visual ao perto (hipermetropia), em que os objectos próximos estão desfocados
  • astigmatismo, no qual a visão distorcida é consequência da forma ovóide da córnea

Se um doente apresentar um destes problemas de visão, o oftalmologista pode fornecer-lhe mais informações sobre se a cirurgia de LASIK é apropriada para ele. Este tipo de intervenção não deve ser realizada se:

  • o doente tiver uma idade inferior a 18 anos (só em casos excepcionais de por exemplo assimetrais de refracção acentuadas entre os dois olhos)
  • a refracção (prescrição de lentes dos óculos ou de lentes de contacto) tiver sido alterada nos últimos 12 meses (a gravidez e a amamentação podem alterar temporariamente a refracção)
  • o doente tiver uma doença auto-imune crónica (lúpus, artrite reumatóide), diabetes não controlada ou qualquer doença que possa alterar a cicatrização das feridas a cirurgia deverá ser muito ponderada
  • o doente estiver a tomar um medicamento que afecte a visão ou que atrase significativamente a cicatrização das feridas.
  • o doente tiver história de uma inflamação ocular grave, como uma uveíte ou irite
  • o doente tiver história de uma infecção ocular por herpes simplex ou herpes zóster (zona)
  • o doente tiver glaucoma ou qualquer outro problema que altere a pressão intraocular.
  • O doente tiver uma córnea extremamente fina ou uma doença ocular em que a porção média da córnea diminui de espessura e faz procidência para fora (queratoconus)
  • a córnea tiver sido lesada por um traumatismo ou alterada por uma cirurgia ocular prévia; actualmente há já alguns excimer laser que possibilitam a regularização de córneas irregulares
  • as pupilas forem extraordinariamente grandes; o tamanho da pupila em condições de baixa luminosidade deve ser avaliado e o diâmetro do tratamento realizado em função deste parâmetro
  • o doente tiver os olhos extremamente secos.

Preparação

Quando um doente se decide submeter a uma cirurgia ocular de LASIK, o médico irá programar uma avaliação oftalmológica antes da cirurgia. Se a pessoa usar lentes de contacto, deve passar a usar óculos durante algumas semanas antes desta avaliação. Isto irá permitir à córnea recuperar a sua forma natural.

Na avaliação ocular pré-operatória, o médico irá rever a história clínica do doente e, em particular, a sua história oftalmológica. Para confirmar se a visão está estabilizada, o médico pode pedir para ver o registo das prescrições de lentes do doente, pelo que este deve trazê-las quando for observado. Além disso, o doente deve fazer uma lista dos medicamentos que toma, incluindo os medicamentos de venda livre e os produtos naturais. O médico irá necessitar de rever esta lista.

Depois de usar um colírio para dilatar as pupilas, o médico irá examinar cuidadosamente a retina os olhos. O médico irá realizar medições precisas dos olhos, incluindo exames que avaliam a forma e a espessura da córnea.

Depois deste exame oftalmológico ter terminado, o médico irá discutir a cirurgia de LASIK como opção de tratamento. Esta discussão deve incluir as expectativas o doente, os potenciais riscos e complicações da cirurgia, outras opções de tratamento e respostas a todas a dúvidas. No final desta discussão, o médico irá provavelmente pedir a doente para assinar um formulário de consentimento informado dando ao médico autorização para realizar a intervenção cirúrgica.

Como é realizada

O médico irá pedir a uma doente para deixar de usar maquilhagem, loções e perfumes durante um dia ou dois antes da cirurgia. A doente não poderá conduzir depois de ser submetido ao procedimento de LASIK, pelo que deve providenciar alguém para o levar a casa.

No dia da intervenção, o doente será levado para uma sala de operações e deitado numa cadeira reclinável. A área em redor do globo ocular será limpa com uma solução anti-séptica. Em seguida, são colocadas gotas anestésicas no olho para que o doente não sinta dor ou desconforto durante a cirurgia. Um instrumento (bléfarostacto) será inserido no olho para manter as pálpebras abertas.

Em seguida, é colocado um dispositivo de sucção em forma de anel na porção anterior do olho. Este anel de sucção irá causar uma sensação de pressão mas não provoca dor. Em seguida, um instrumento mecânico de corte, denominado microqueratomo, ou um laser de Femtosegundo, será usado para cortar uma fina lamela de tecido na parte anterior da córnea (lentículo) com cerca de 100 a 120 micras de espessura. O doente não irá sentir este corte na córnea com qualquer um dos métodos. A grande diferença está na precisão da espessura do lentículo e na taxa de complicações mais baixa com a utilização do laser de femtosegundo.

Uma vez realizado esse corte, o cirurgião irá remover o anel de sucção do olho e irá rebater (dobrar para trás) o lentículo da córnea. Em seguida, o laser será colocado em posição e o doente deverá olhar fixamente para uma luz de fixação. O médico activa então um sistema de seguimento por infra-vermelhos que seguirá o globo ocular durante o tratamento (pequenos movimentos do globo ocular que podem ocorrer). Uma vez estabilizado o olho, e introduzida a correcção refractiva desejada, o laser vaporizará a parte anterior da córnea. Esta vaporização é orientada por um computador e baseia-se em medições oculares precisas que foram realizadas durante o exame pré-operatório. Durante o funcionamento do laser, o doente irá ouvir um som semelhante a estalidos e pode notar um cheiro semelhante a cabelos queimados. Estes sons e cheiros são normais.

Quando o tratamento por laser terminar, o médico irá reposicionar o lentículo da córnea que tinha sido afastado. Não são necessários quaisquer pontos de sutura e o médico irá proteger o globo ocular com um penso ocular que será removido algumas horas após.

Depois da cirurgia, o doente deve ter o cuidado de não tocar nem pressionar o olho. Durante algumas horas pode sentir um ligeiro desconforto ou uma sensação de ardor; raramente, o doente pode conseguir obter alívio para estas queixas com um medicamento analgésico ligeiro prescrito. Serão então prescritos colírios com antibiótico e anti-inflamatório bem como “lágrimas artificiais”.

Seguimento

A primeira consulta de seguimento será provavelmente marcada para o dia seguinte ao da cirurgia. Nesta consulta, o médico irá remover o penso ocular, examinar a córnea e avaliar a visão.

O médico informará quando é seguro recomeçar a conduzir, a usar maquilhagem nos olhos, a praticar desportos de contacto. Para ajudar a proteger o olho em cicatrização, o doente poderá necessitar, algum tempo, oclusão com penso ocular à noite durante .

O médico pode pedir ao doente para voltar para uma segunda consulta de seguimento alguns dias depois da cirurgia. Dependendo da evolução, podem ser necessário realizar mais alguns exames oculares nos seis meses seguintes.

Riscos

Os riscos e complicações potenciais incluem:

  • funcionamento deficiente do microqueratomo, do dispositivo de sucção ou do equipamento de laser de femtosegundo, o que pode resultar num corte inadequado do lentículo corneano ou no posicionamento impróprio do feixe de laser.
  • infecção com formação de cicatrizes na córnea
  • recolocação do lentículo corneano numa posição errada depois da cirurgia
  • Deslumbramento luminoso ou diminuição da acuidade visual, especialmente à noite. Algumas pessoas queixam-se de ver “estrelas luminosas” ou “halos” em volta dos objectos luminosos.
  • olho seco
  • uma diminuição da acuidade visual depois da cirurgia. Em alguns casos, mesmo os óculos ou as lentes de contacto podem não corrigir o problema completamente.
  • desconforto persistente no olho, visão turva, deslumbramento luminoso ou aumento da sensibilidade à luz
  • hipercorrecção, de forma que uma pessoa com uma diminuição da visão ao perto passa a ver mal ao longe e vice-versa.

As complicações cirúrgicas ocorrem em cerca de 1 a 2% dos doentes submetidos a uma cirurgia de LASIK. Além disso, aproximadamente 6% das pessoas podem desenvolver complicações menores durante os primeiros três meses depois da cirurgia. Menos de 5 dos doentes necessitam de repetir a intervenção para corrigir erros refractivos residuais.

No entanto, na grande maioria das pessoas, o tratamento com LASIK é bem sucedido e não tem complicações. Mais de 90% dos doentes com diminuição da visão ao longe conseguem alcançar uma visão igual ou superior a 5/10 depois da cirurgia de LASIK. Nos doentes com diminuição da visão ao perto, a percentagem é ligeiramente mais baixa, sendo de cerca de 87%. Em alguns casos, a visão melhora imediatamente, enquanto noutros a melhoria ocorre gradualmente ao longo de três a seis meses. Quanto maior o erro refractivo menor a predictabilidade da correcção cirúrgica.

Quando contactar um médico

O doente deve contactar o médico imediatamente se:

  • notar olho vermelho, dor ou aumento do desconforto no olho submetido à cirurgia de LASIK
  • a sua visão continuar a deteriorar-se
  • desenvolver sintomas visuais novos que não apresentava antes da cirurgia.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

http://www.spoftalmologia.pt/

Direcção Geral de Saúde

http://www.dgs.pt/

American Society of Cataract and Refractive Surgery

http://www.ascrs.org/

The LASIK Institute
http://www.lasikinstitute.org/

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Uma resposta to “Procedimento de LASIK”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente artigo, esclarecedor e muito útil.
    Parabéns.


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