Sabia que o padrão de exposição solar parece afectar o risco de desenvolvimento de melanoma?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Dr. Ricardo da Luz

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Melanoma

O melanoma é um cancro nas células que dão cor à pele e ocorre quando estas células se modificam e se dividem de forma agressiva. O número de casos de melanoma, o mais mortífero entre os cancros da pele, está a aumentar muito mais rápido do que qualquer outro cancro.

Os médicos não têm a certeza do motivo pelo qual as taxas de melanoma são crescentes, mas a diminuição da camada de ozono, que absorve muita da radiação solar nociva, e a maior exposição da pele ao sol em actividades ao ar livre, poderá justificar este facto.

O padrão de exposição solar parece afectar o risco de desenvolvimento de melanoma, mais do que o tempo total de exposição durante uma vida inteira. São as pequenas incidências de radiação solar intensa, especialmente no caso de queimaduras solares, que parecem ser as mais perigosas. A exposição solar produz alterações nos genes das células saudáveis da pele (mutações). Algumas destas mutações são partilhadas por diversas células tumorais do melanoma, pelo que é provável que estejam implicadas no aparecimento deste tipo de cancro.

O tipo mais comum de melanoma desenvolve-se na superfície da pele (melanoma de extensão superficial) e pode permanecer na superfície ou então crescer para tecidos mais profundos. Outros tipos menos comuns de melanoma podem começar em qualquer local do corpo, seja no seu interior ou na superfície.

O risco de desenvolver melanoma é maior se tiver:

  • Pele clara
  • Cabelo louro ou ruivo
  • Olhos verdes ou azuis
  • História de exposição ao sol excessiva, especialmente em criança
  • A mãe, o pai, uma irmã ou um irmão com melanoma (se tiver um destes familiares com melanoma, a probabilidade de desenvolver melanoma aumenta oito vezes).

Os aspectos das sardas ou sinais que aumentam o risco de melanoma incluem:

  • O aparecimento de um novo sinal após os 30 anos
  • O aparecimento de um novo sinal, em qualquer idade, se for numa área raramente exposta ao sol
  • Uma alteração num sinal existente
  • Um ou mais sinais fora do normal — sinais que se parecem com um ovo estrelado ou sinais que sejam mais escuros do que os outros ou ainda que tenham contornos/forma irregular.
  • 20 ou mais sinais que tenham mais do que 2 milímetros de diâmetro
  • ou mais sinais que tenham mais do que 5 milímetros de diâmetro (maiores do que a borracha de um lápis)
  • Sardas causadas por exposição solar

Manifestação clínica

O melanoma é normalmente visível como um mancha escura isolada. Pode aparecer em qualquer local do corpo, mas desenvolve-se maioritariamente nas áreas expostas das costas, peito e pernas. Na maior parte das vezes, o melanoma desenvolve-se em pele com aspecto normal, mas pode também desenvolver-se a partir de um sinal existente.

Vigie um sinal no que respeita ao A, B, C, D e E do melanoma:

  • Assimetria (um lado não coincide com o outro)
  • Bordos irregulares
  • Cores ou formas da pele que são diferentes no mesmo sinal
  • Diâmetro superior a 6 milímetros (maior do que a borracha de um lápis)
  • Expansão do tamanho

Um sinal que sangre, que cause uma sensação de entorpecimento ou que tenha uma superfície com crosta pode também ser indício de melanoma.

Diagnóstico

Se suspeitar que um sinal pode ser um melanoma, o seu médico poderá realizar uma biópsia da pele ou encaminhá-lo-á para um especialista que a realize.

Antes da biópsia, é essencial realizar um exame completo à pele assim como procurar gânglios linfáticos aumentados junto ao sinal. Se tiver um melanoma, os gânglios linfáticos aumentados podem significar que o cancro se espalhou. Após uma biópsia da pele os gânglios linfáticos próximos podem inchar devido à recuperação da incisão, sem significado patológico.

Numa biopsia é removido um pedaço de tecido para que possa ser examinado num laboratório. Baseado no relatório, o médico pode determinar a espessura do melanoma e a profundidade a que cancro cresceu sob a superfície da pele. Este é o factor mais importante para a previsão da possibilidade de cura.

Os melanomas com uma profundidade superior a 1 milímetro têm uma maior probabilidade de se espalharem para outras partes do corpo. Nestes casos podem ser necessários testes adicionais, incluindo:

  • Exames sanguíneos
  • Uma radiografia do tórax
  • Tomografias computorizadas (TAC)
  • Biópsias adicionais

Se o cancro for avançado, uma amostra da biópsia do melanoma pode ser testada de forma a ver se tem uma das mutações de genes comuns em melanomas. Alguns tratamentos de melanomas mais recentes para o melanoma foram concebidos para atacar subtipos genéticos específicos deste cancro.

Prevenção

Se existir história de melanoma, existe o risco de vir a desenvolver outro; por isso, peça ao seu médico para examinar a sua pele regularmente.

Para reduzir o risco de ter melanoma, deve evitar a exposição solar excessiva. Uma queimadura solar séria é um factor de risco significativo. Passar muito tempo ao sol em criança pode representar o maior risco. Para estar seguro ao sol siga estes passos:

  • Aplique protector solar abundantemente com um factor de protecção (FPS) de, pelo menos, 15.
  • Utilize óculos de protecção solar, roupa (com mangas compridas e calças) e chapéus de abas largas.
  • Mantenha-se afastado do sol quando este é mais forte (das 11.00h às 16.00h).
  • Pergunte ao seu médico se algum medicamento que toma pode tornar a sua pele mais sensível ao sol.
  • Evite solários. Se se quiser bronzear, utilize os bronzeadores que estão disponíveis em supermercados e farmácias.

O melanoma é relativamente fácil de detectar precocemente porque pode ser visto na pele. Se estiver em risco de desenvolver melanoma, peça ao seu médico para também examinar a sua pele e pergunte com que frequência o deve fazer.

Deve prestar especial atenção a quaisquer sinais com aspecto fora do normal. Uma vez que alguns melanomas podem surgir de sinais existentes, aqueles que tenham características atípicas (mais susceptíveis de se tornarem cancerosos) poderão ser removidos. Alternativamente, o seu médico pode tirar fotografias aos seus sinais para, no futuro, ser possível comparar as fotografias e determinar se estes se alteraram e de que forma.

Examine a sua pele regularmente, especialmente se tiver factores de risco para o melanoma. Peça a alguém que lhe examine o couro cabeludo utilizando um secador para afastar o cabelo. Essa pessoa pode examinar também as suas costas e outras áreas de mais difícil observação, senão use um espelho de corpo inteiro e um de mão. Esteja atento ao aparecimento de novos sinais e a alterações nos existentes com especial atenção para os sinais que tem de nascença; estes podem ser mais susceptíveis de se tornarem em melanoma.

Tratamento

O melanoma pode ser curado se o tumor for removido ainda antes de se espalhar para zonas mais profundas da pele. Os melanomas mais avançados requerem um tratamento mais prolongado.

Para tratar o melanoma, é necessário remover o tumor visível, juntamente com 1 a 2,5 centímetros de pele saudável em redor, dependendo do tamanho do tumor, porque na pele mais próxima pode existir fragmentos microscópicos de cancro.

Se o melanoma tiver mais do que 1 milímetro de profundidade, é fundamental saber se este se espalhou para os gânglios linfáticos próximos. Para isso é injectado um líquido radioactivo em redor do tumor que flui através da via de drenagem natural que liga a área afectada aos gânglios linfáticos mais próximos. A via de drenagem pode assim ser localizada e o primeiro gânglio linfático nessa via é chamado gânglio sentinela. Este será removido e examinado em busca de células cancerosas. Se o gânglio sentinela não tiver cancro, os outros gânglios dificilmente serão cancerosos. Por sua vez, se for encontrado cancro são recomendados tratamentos adicionais.

Se o melanoma se espalhou para um ou mais gânglios linfáticos, alguns especialistas podem escolher remover todos os gânglios linfáticos da zona. Mas isto é controverso pois embora as células cancerosas que se espalharam sejam removidas, as células que estão a combater o cancro também o são. Nestes casos não está ainda provado que a remoção dos gânglios linfáticos aumente a probabilidade de sobrevivência.

Outras terapias podem com frequência ajudar pessoas com:

  • Um melanoma que se situa profundamente na pele
  • Células cancerosas que se espalharam para gânglios linfáticos
  • Cancro que se tenha espalhado para outros órgãos

Estes tratamentos podem incluir quimioterapia, radioterapia e/ou medicação que aumente a capacidade do sistema imunitário para combater o cancro. Exemplos de estimuladores de imunidade contra o melanoma incluem:

  • Interleucina-2
  • Alfa-interferão
  • Vacinas anti-melanoma

Quando contactar um médico

O tratamento precoce do melanoma é crucial. Se detectar algum dos sinais ABCDE ou notar alguma alteração da pele suspeita, fale com o seu médico atempadamente. Se demorar, o melanoma pode espalhar-se. Se alguém na sua família tiver um melanoma, ou se tiver outros factores de risco, esteja especialmente alerta e peça ao seu médico para examinar a sua pele regularmente.

Prognóstico

Cinco factores chave ajudam a determinar quão sério o melanoma é:

  • Espessura do tumor (ou seja quão profundo está na pele).
  • Localização (um melanoma nos braços ou nas pernas pode não ser tão grave como um tumor num outro local do corpo).
  • Idade (as pessoas com mais do que 60 anos têm maior risco).
  • Sexo (os homens têm maior probabilidade de vir a morrer da doença).
  • Expansão do tumor (vinte por cento das pessoas com melanoma apresentam invasão dos gânglios linfáticos aquando do diagnóstico).

A espessura do tumor constitui o factor mais importante para se determinar como pode ser tratado. Os tumores superficiais podem geralmente ser curados, enquanto os mais profundos são mais difíceis, por vezes impossíveis, de tratar. Se as células do melanoma se disseminarem para outros órgãos, tais como os pulmões, o fígado ou o cérebro, o cancro poderá ser curado apenas num pequeno número de doentes.

Se o tratamento for iniciado enquanto o cancro tiver menos do que 0,75 milímetros de profundidade, a probabilidade de cura é excelente. Mais de 95% das pessoas com melanomas de pequenas dimensões mantém-se livres de cancro até 8 anos depois. Contudo, para melanomas com maior profundidade, a taxa de sobrevivência é baixa, com menos de metade das pessoas com tumores com mais de 4 milímetros de espessura a sobreviverem para além de 5 anos. Se as células do melanoma forem encontradas num gânglio linfático, a taxa de sobrevivência nos 5 anos seguintes é de 30 a 50%.

Informação Adicional

Institutos de Oncologia em Portugal

http://www.ipolisboa.min-saude.pt/ (Lisboa)

http://www.ipoporto.min-saude.pt/Homepage (Porto)

http://www.croc.min-saude.pt/ (Coimbra)

Alto Comissariado da Saúde – Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas

http://www.acs.min-saude.pt/pt/doencas-oncologicas

Liga Portuguesa Contra o Cancro

http://www.ligacontracancro.pt

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

http://www.dermo.pt/default.asp

Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo

http://www.apcc.online.pt

Instituto Nacional de Câncer (Brasil)

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home

Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO)

http://www.esmo.org

Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)

http://www.cancer.net/portal/site/patient

Conteúdo proveniente de Harvard Medical School Portugal
Revisão:
Dr. André Carvalho
Especialista em Endocrinologia e Nutrição
Editor Médico Programa HMS-PT
Assistente Hospitalar do Centro Hospitalar do Porto – Hospital de Santo António
Assistente em Anatomia Sistemática do Mestrado Integrado em Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Universidade do Porto
Validação:
Dr. Ricardo da Luz
Especialista em Oncologia 
Oncologista médico, Sociedade Portuguesa de Oncologia
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Uma resposta to “Sabia que o padrão de exposição solar parece afectar o risco de desenvolvimento de melanoma?”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente artigo de revisão acerca de melanoma.
    Muito útil para profissionais de saúde e população em geral.
    Parabéns aos autores e ao Programa HMSPortugal.


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