Doença de Graves

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Profª. Olinda Marques

O que é?

A doença de Graves é uma doença do sistema imunitário que faz com que a glândula tiroideia se torne hiperactiva. É uma doença auto-imune, o que significa que o sistema imunitário ataca as próprias células do organismo em vez de as proteger dos invasores estranhos. Na doença de Graves, o sistema imunitário produz substâncias químicas, denominadas imunoglobulinas, que estimulam a glândula tiroideia a produzir quantidades excessivas de hormona tiroideia. Este estado de hiperactividade da glândula tiroideia é denominado de hipertiroidismo.

Os médicos não sabem ainda o que causa a doença de Graves, mas o facto de ter tendência a afectar várias pessoas da mesma família indica que esta pode ter uma componente genética (hereditária). É possível que a produção anormal de imunoglobulinas seja desencadeada por um factor desconhecido no meio ambiente e que o sistema imunitário não consiga interromper esta produção excessiva devido a um defeito hereditário.

A doença de Graves afecta mais mulheres do que homens e é mais frequente entre os 20 e os 40 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade.

Manifestações clínicas

A doença de Graves pode causar os seguintes sinais e sintomas:

  • nervosismo
  • insónias
  • oscilações emocionais
  • sudação excessiva
  • tremor das mãos
  • palpitações
  • perda de peso inexplicado (apesar de um aumento do apetite)
  • intolerancia às temperaturas elevadas (sensação de calor permanente)
  • fraqueza muscular
  • falta de ar.

Nas mulheres, os períodos menstruais podem tornar-se menos frequentes ou até desaparecer. Nas pessoas idosas, particularmente nas pessoas com doença cardíaca, a doença pode causar insuficiência cardíaca ou uma dor no peito relacionada com o coração, denominada angina.

A doença de Graves pode igualmente causar:

  • Bócio — O bócio é um aumento de volume da porção inferior e anterior do pescoço causado por um aumento da glândula tiroideia.
  • Sintomas oculares — Edema dos tecidos em volta dos olhos, o que provoca uma aparência característica de “espanto” ou de “susto”. Os olhos ficam salientes e as pálpebras parecem estar repuxadas para trás. Existe uma diminuição do pestanejar e a pessoa pode ter visão dupla, prurido ocular e lacrimejo.
  • Sintomas cutâneos — Raramente, pode verificar-se edema dos pés e da porção inferior das pernas. A pele nesta área edemaciada pode apresentar-se mais espessa e mais escura do que a pele normal e pode dar comichão.

Diagnóstico

O médico deverá procurar a evidência física de uma doença de Graves, incluindo bócio, sinais oculares e sinais cutâneos ao mesmo tempo que interroga o doente sobre o aparecimento recente de perda de peso, nervosismo, tremores, aumento da sudação, palpitações, dejecções muito frequentes, irregularidades menstruais e sensação permanente de calor.

Durante o exame físico, é fundamental avaliar a glândula tiroideia para verificar a presença de nódulos anormais e de um aumento de volume. Pode ser também usado um estetoscópio para ouvir sinais de um fluxo de sangue anormal próximo da glândula tiroideia. Noutras partes do corpo, o médico deverá procurar identificar sinais adicionais de hipertiroidismo, incluindo uma frequência cardíaca aumentada, um ritmo cardíaco irregular, tremores das mãos, reflexos osteo-tendinosos aumentados (quando os tendões são percutidos com um martelo de borracha) e olhos salientes.

Para confirmar que a glândula tiroideia está a produzir e a libertar quantidades excessivas de hormonas é necessário realizar análises ao sangue. Se houver alterações oculares potencialmente graves podem ser pedidos outros exames como uma tomografia computorizada (TAC) ou uma ressonância magnética nuclear (RMN) dos olhos e, caso se suspeite de atingimento cardíaco, será também necessário realizar um electrocardiograma (ECG) e/ou outros exames cardíacos.

Evolução clínica

Praticamente todos os indivíduos com uma doença de Graves necessitam de tratamento, pelo menos inicialmente. São necessárias várias semanas para que a acção dos medicamentos anti-tiroideus reduzam os níveis de hormona tiroideia no sangue para valores normais. A medicação anti-tiroideia é continuada durante, pelo menos, um ano, a menos que seja utilizado outro tratamento. As queixas relacionadas com os níveis elevados de hormona tiroideia circulante irão melhorar rapidamente com medicamentos como os beta-bloqueantes e os tranquilizantes.

Prevenção

Não existe forma de prevenir a doença de Graves.

Tratamento

O tratamento incide em dois objectivos: melhorar rapidamente os sinais/sintomas de hipertiroidismo e diminuir a velocidade de produção da hormona tiroideia pela glândula.

Os sintomas de palpitações, de aumento da frequência cardíaca, de tremor e de nervosismo são tratados com um medicamento beta-bloqueante, como o propranolol. Para a ansiedade e para as insónias, o médico pode prescrever diazepam, lorazepam ou um medicamento semelhante.

Para impedir a tiróide de produzir quantidades excessivas de hormona, existem três tratamentos possíveis: os medicamentos anti-tiroideus, o iodo radioactivo e a cirurgia.

A doença de Graves é com frequência tratada com um medicamento anti-tiroideu, o metimazol que bloqueia a formação de hormonas tiroideias. Encontra-se também disponível outro medicamento anti-tiroideu, denominado propiltiouracilo, mas este fármaco deve apenas ser utilizado em doentes que não conseguem tolerar o metimazol ou nas mulheres imediatamente antes e durante o primeiro trimestre de gravidez. A partir do momento em que os níveis de hormona tiroideia alcançaram valores normais, o doente pode decidir, em conjunto com o seu médico, se deve continuar a medicação anti-tiroideia diária ou se irá optar por um tratamento com iodo radioactivo.

O iodo radioactivo é um tratamento administrado por via oral, numa dose suficientemente grande, que impede totalmente a glândula tiroideia de produzir a hormona. Uma vez que as pessoas que recebem uma terapêutica com iodo radioactivo armazenam uma pequena quantidade de radiação na glândula tiroideia, elas deverão evitar um contacto prolongado com grávidas e com crianças durante vários dias após o tratamento. O iodo radioactivo é concentrado no leite materno, pelo que as mulheres devem deixar de amamentar se optarem por esta terapêutica. Depois de realizar este tratamento é necessário que o doente faça diariamente medicação com hormona tiroideia para o resto da vida.

A cirurgia para a doença de Graves raramente é efectuada. No entanto, as pessoas com bócios muito volumosos têm uma menor probabilidade de responderem bem à medicação anti-tiroideia ou ao iodo radioactivo e podem apresentar melhores resultados se a maior parte da glândula tiroideia for removida cirurgicamente (denominada tiroidectomia subtotal).

Os doentes com sinais oculares de doença de Graves podem ser medicados com colírios oftálmicos para manter os olhos húmidos e com óculos escuros para proteger os olhos do sol, do vento e da poeira. Nas pessoas com sintomas oculares graves, podem ser necessários medicamentos corticosteróides, quer administrados isoladamente quer em associação com tratamentos de radioterapia dirigidos aos músculos que controlam os movimentos oculares. As alterações cutâneas da doença de Graves podem ser tratadas com cremes e pomadas de corticosteróides.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se apresentar algum dos sinais ou sintomas sugestivos de hipertiroidismo, incluindo:

  • sensação constante de ansiedade
  • dificuldade em dormir
  • sudação anormal ou sensibilidade exagerada às temperaturas quentes
  • palpitações, falta de ar ou dor no peito
  • perda de peso, apesar de um apetite normal ou aumentado
  • fraqueza ou diminuição da massa muscular.

Contacte igualmente o seu médico caso surjam edemas ou alterações cutâneas nos pés e na parte inferior da pernas ou alterações na aparência ou no funcionamento dos seus olhos.

Prognóstico

Muitos doentes permanecem bem depois de um único período de tratamento com medicamentos anti-tiroideus, mas pode verificar-se uma recorrência da doença em qualquer altura. O iodo radioactivo é muito eficaz, mas resulta frequentemente em níveis anormalmente baixos de hormonas tiroideias (hipotiroidismo). A cirurgia conduz habitualmente também a níveis baixos destas hormonas.

Os sinais e sintomas oculares da doença de Graves tendem a melhorar com o tratamento com medicamentos anti-tiroideus. No entanto, é possível que persista alguma alteração e que mantenha alguns sinais oculares com aparência de “espanto”.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

http://www.spedm.org/

Grupo de Estudo da Tiróide da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

http://www.spedm-tiroide.org/scid/tyropag/

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

http://www.endocrino.org.br/

Associação Britânica da Tiróide

http://www.british-thyroid-association.org/

Associação Europeia da Tiróide

http://www.eurothyroid.com/

Associação Americana da Tiróide

http://www.thyroid.org/

Federação Internacional daTiróide

http://web.thyroid-fed.org/en/#home

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Uma resposta to “Doença de Graves”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente, parabéns.


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