Edição da Manhã, SIC Noticias – Os doentes obesos despendem mais recursos em saúde

Prof. António Vaz Carneiro

Na Edição da Manhã da Sic Notícias, o Prof. António Vaz Carneiro, Diretor Programa Informação HMS-PT, fala dos custos dos doentes obesos para o sistema nacional de saúde.

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Que sintomas são mais preocupantes em termos de doença?

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “Que sintomas são mais preocupantes em termos de doença?” com o Prof. António Vaz Carneiro: Que sintomas são mais preocupantes em termos de doença?

É sabido que todos somos um pouco hipocondríacos, isto é, nos preocupamos um pouco demais com a possibilidade de termos uma doença grave.

E isto é mais verdade quando de repente temos um sintoma inesperado, uma dor abdominal incomodativa, uma tontura prolongada, uma tosse que parece não passar, por exemplo.

A questão então coloca-se: que sintomas serão mais preocupantes em termos de gravidade, isto é, que possam significar uma doença grave?

Isto mesmo foi analisado recentemente, num estudo em que os investigadores se preocuparam em avaliar um conjunto de sintomas em doentes ambulatórios, procurando identificar os que poderiam ser provocados por uma doença cancerosa.

Os 4 sintomas seleccionados foram o aparecimento de sangue na urina ou na expectoração, dificuldade em engolir e perda de sangue pelo recto.

Os autores concluíram que apenas em 2-7% se detectou um cancro, isto é, que em cada 100 doentes com este sintomas, estes eram causados por doenças benignas em 93-98 doentes.

Que concluir?

A maior parte dos sintomas em cuidados primários – mesmo alarmantes como os citados – não representam doença maligna. No entanto, se persistirem ou se agravarem, deve procurar assistência médica imediata.

Quanto mais doentes um hospital trata, melhores são os resultados!

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “Quanto mais doentes um hospital trata, melhores são os resultados!” com o Prof. António Vaz Carneiro: Quanto mais doentes um hospital trata, melhores são os resultados!

Os nossos ouvintes estarão com certeza recordados da recente polémica acerca do encerramento de maternidades, assim como da concentração do tratamento dos doentes com cancro apenas em hospitais seleccionados.

Porque é que se promovem estas alterações na oferta de cuidados do nosso SNS?

A razão tem a ver com o facto de centros com mais experiência terem melhores resultados clínicos.

Com efeito, quer se trate de cirurgias, de ataques de coração, de partos ou de infecções graves, por exemplo, quanto mais doentes os centros hospitalares, os serviços de internamento, ou até os médicos individuais tratam, melhores são os resultados.

E isto tem pouco a ver com a qualidade e competência dos profissionais de saúde individuais. São os grupos bem treinados e habituados a trabalhar em conjunto, seguindo normas de orientação clínica numa prática baseada na evidência científica, que obtêm sistematicamente melhores resultados.

Nas últimas 3 décadas têm sido publicados inúmeros estudos que relacionam o volume de doentes vistos com a qualidade dos serviços e os bons resultados destes.

Lembre-se disto na próxima vez que ouvir dizer que um serviço de urgência vai encerrar…

O que são Normas de Orientação Clínica?

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “O que são Normas de Orientação Clínica?” com o Prof. António Vaz Carneiro: O que são Normas de Orientação Clínica?

Seguramente que os nossos ouvintes já ouviram falar do projecto de elaboração, disseminação, implementação e auditoria das chamadas Normas de Orientação Clínica, da responsabilidade da Ordem dos Médicos e da Direcção Geral da Saúde.

Mas afinal o que são Normas de Orientação Clínica?

São um conjunto de recomendações técnico-científicas, desenvolvidas de maneira sistematizada, e que se destinam a apoiar o médico na tomada de decisões acerca dos cuidados de saúde dos seus doentes.

Por outras palavras, são documentos que resumem os dados científicos acerca por exemplo de uma doença, de um teste diagnóstico, de um tratamento qualquer, e os disponibilizam ao médico, de maneira a este poder actuar da melhor maneira possível.

Estes instrumentos apareceram nos últimos anos devido a três ordens de razões:

  • a primeira, porque a ciência médica, pela sua gigantesca dimensão, necessita de ser resumida de modo prático para aplicação imediata pelos clínicos;
  • em segundo lugar, porque a utilização desta informação resumida aumenta a qualidade dos actos médicos;
  • e finalmente, porque ajuda à racionalização da prática clínica, entrando em linha de conta com o doente, a doença, os custos, os seguimentos, etc.

Acreditamos que a generalização destas Normas de Orientação Clínica no nosso SNS aumentará a satisfação dos doentes e dos profissionais de saúde, melhorando deste modo os resultados em saúde.

As medidas comparativas de qualidade dos cuidados hospitalares têm de ser analisadas com prudência

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “As medidas comparativas de qualidade dos cuidados hospitalares têm de ser analisadas com prudência” com o Prof. António Vaz Carneiro: As medidas comparativas de qualidade dos cuidados hospitalares têm de ser analisadas com prudência

Já todos ouvimos e lemos resultados de estudos comparando os chamados indicadores de qualidade entre diversos hospitais, em que um hospital fica melhor classificado por ter resultados mais favoráveis do que outros.

Por exemplo, comparam-se taxas de mortalidade entre dois hospitais, dizendo que num é de 3,2% e noutro de 3%, sugerindo desta maneira que o primeiro faz pior trabalho que o segundo e que eventualmente deve sofrer um processo de auditoria para correcção desta mortalidade.

Pois bem, as coisas não são assim tão simples. Porquê?

Porque o prognóstico de um doente, isto é, o que lhe vai acontecer quando entra num hospital, depende principalmente daquilo que se chama o seu risco basal. Por exemplo: dois doentes podem ser internados em dois hospitais diferentes com o mesmo diagnóstico – ataque de coração – mas no primeiro caso ser um doente com 70 anos, diabético, hipertenso, fumador e obeso e no segundo ser um homem de 40 anos sem factores de risco. Ora o resultado no 1º caso vai muito provavelmente ser pior do que no 2º, já que esse paciente está muito mais doente (o tal risco de base) e o impacto do ataque de coração pode ser muito mais grave.

Este fenómeno também se verifica em médicos individuais. Por exemplo, os melhores cirurgiões têm por vezes piores resultados, precisamente porque operam pacientes muito mais doentes, que os cirurgiões menos experientes não podem operar.

Portanto, a comparação de indicadores de qualidade entre instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deve ser feita com cuidado, entrando em linha de conta com a gravidade do estado clínicos dos doentes.

A literacia em saúde e a sua importância prática

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “A literacia em saúde e a sua importância prática” com o Prof. António Vaz Carneiro: A literacia em saúde e a sua importância prática

Muita agente acredita que sabe o suficiente sobre saúde para decidir sobre a maioria das situações que ocasionalmente vão surgindo nas suas vidas.

De facto, uma simples constipação, ou uma entorse, ou uma dor de cabeça são habitualmente lidadas sem tratamento, ou com medicação facilmente disponível em farmácias ou outros locais de venda.

E está certo que assim seja, já que a maior parte destas situações evolui favoravelmente e sem problemas.

Mas quando se trata de uma doença mais complicada, de características crónicas, então a informação é muito importante.

O caso mais típico é o da diabetes, em que a educação do doente – aqui entendida como a dieta que ingere, o exercício que faz, a medicação que toma, etc. – é absolutamente essencial para um correcto e eficaz tratamento.

Mas também a informação é essencial na ausência de doença, nomeadamente na adopção de estilos de vida saudáveis e de medidas preventivas eficazes.

Mas onde se encontra a informação de qualidade e relevante para o problema médico que o preocupa?

Existem muitas fontes, a começar pelo seu médico assistente, claro. Também o programa como este – o Harvard Medical School Portugal -fornece essa informação. O que deve evitar é ir à internet sem critério, já que a maior parte dos dados que obtém são falsos e, sob o ponto de vista científicos, errados.

A segurança dos medicamentos

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “A segurança dos medicamentos” com o Prof. António Vaz Carneiro:A segurança dos medicamentos

Após o medicamento estar no mercado e já ter sido comparticipado, haverá algo mais que tenhamos de saber?

Claro que sim!

Na maior parte dos ensaios clínicos que serviram de base à aprovação de medicamentos foram estudados centenas ou alguns milhares de doentes. Isto é devido ao facto destes estudos serem muito dispendiosos e muito difíceis de ser realizados pelo que a indústria farmacêutica procura obter resultados com o mínimo de doentes e tempo gasto.

É claro que só quando o medicamento está a ser tomado por centenas de milhares ou milhões de pessoas é que se detectam os chamados efeitos adversos raros, mas graves.

As agências do medicamento, como é o caso do Infarmed, são responsáveis por montar o chamado sistema de farmacovigilância, em que se procuram detectar os efeitos adversos dos medicamentos que os doentes estão a tomar.

Estes são reportados pelos médicos e pelos doentes ou suas famílias.

Deste modo, fica-se com uma ideia muito boa da segurança real dos medicamentos que está a tomar. Se tiver alguma reacção fora do comum à tomada de um medicamento, não deixe de comunicá-lo ao seu médico, para que ele possa notificar esse efeito adverso ao Infarmed.