Será que existe uma substância anti-envelhecimento?

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Ao longo dos anos, os estrogénios, a hormona de crescimento humana e a DHEA (dihidroepiandrosterona) foram todos considerados como tendo algumas propriedades anti-envelhecimento. Poderão estas substâncias – ou as suas formas sintéticas – realmente ajudar a atrasar o envelhecimento? E será que os benefícios ultrapassam os riscos? Uma análise da investigação sobre este assunto revela que nenhuma destas substâncias é a fonte da juventude.

Hormona de crescimento humana

Quando produzida naturalmente pela hipófise, a hormona de crescimento estimula o desenvolvimento dos músculos, dos ossos e do sistema imunitário. Ao longo do tempo, esta substância diminui em aproximadamente metade de todos os adultos. Poderá a sua substituição ajudar as pessoas a readquirirem determinados aspectos da juventude? Na década de 1990, novidades animadoras sobre a hormona de crescimento humana recombinante (hGH) baseadas num ensaio clínico de pequenas dimensões realizado em homens com idade igual ou superior a 60 anos sugeriu que isso era possível. A administração de injecções de hGH três vezes por semana fez com que os participantes no estudo parecessem mais jovens em algumas avaliações. Eles aumentaram a massa corporal magra e perderam algum tecido adiposo. A sua pele – que se tinha tornado mais fina com a idade – aumentou de espessura. Mas, quando as injecções foram suspensas, os efeitos reverteram.

Um ensaio clínico aleatorizado, controlado com placebo, publicado no Journal of the American Medical Association em 2002, demonstrou que as injecções de hormona de crescimento administradas com ou sem esteróides sexuais em homens e mulheres saudáveis com idade compreendida entre os 65 e os 88 anos aumentaram de forma semelhante a massa corporal magra e reduziram o tecido adiposo. A força muscular também aumentou marginalmente e a resistência cardiovascular melhorou nos homens que receberam hormona de crescimento associada a um esteróide sexual, embora os mesmos resultados não tivessem sido observados nas mulheres.

Apesar da promessa inicial da hormona de crescimento sintética, a investigação adicional revelou que, de um modo geral, a hormona injectável conduz meramente a um aumento do volume do músculo – não a um aumento da força muscular. Além disso, os estudos notaram que a hormona de crescimento pode apresentar efeitos secundários prejudiciais nas pessoas idosas, tais como uma elevação da pressão arterial e um agravamento da osteoartrose. Esta substância foi associada igualmente ao desenvolvimento cancros. No estudo realizado em 2002, que teve uma duração de 26 semanas, os efeitos secundários, tais como sintomas do canal cárpico, dores articulares, edemas e alterações na tolerância à glucose e sintomas de diabetes, levaram os investigadores a concluír que a utilização da hormona de crescimento constituía uma espada de dois gumes que deveria ser mantida confinada aos estudos de investigação.

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