Deformidade nasal

Dra Luísa Magalhães Ramos

O que é?
As deformidades nasais podem ser funcionais (perturbam a respiração) ou estéticas. Para além disso, podem classificar-se como congénitas (presentes ao nascimento, geralmente devido a malformações esqueléticas, vasculares, etc.) ou adquiridas (como é o caso de traumatismos).O nariz é um elemento central da face, cujas proporções estéticas têm sido estudadas desde a Antiguidade,  que quando intervencionado visa uma melhor harmonia da face.
Do ponto de vista estético, as áreas mais frequentemente tratadas são o dorso (que pode ser demasiado baixo, largo, com “bossa”, entre outros) e a ponta nasal (por vezes demasiado larga, com falta ou com demasiada projecção). Há ainda outras situações que condicionam um aspecto desagradável do nariz, como o rinofima (condicionado pelo aumento da actividade glandular que provoca uma aparência em “favo de abelha”), causando imensas perturbações sociais e psicológicas aos seus portadores.
Do ponto de vista funcional há várias patologias que podem interferir com a função respiratória, nomeadamente desvio do septo nasal (que também condiciona a aparência estética), hipertrofia dos cornetos, pólipos nasais, etc.

Sintomas e diagnóstico
Obstrução respiratória, ressonar, ou escorrências nasais podem estar subjacentes a patologia funcional nasal. O diagnóstico depende essencialmente do exame clínico, podendo ser pedidos meios auxiliares de diagnóstico, nomeadamente, Rx e TAC, sempre que necessário.

Tratamento
O tratamento é cirúrgico, devendo sempre ter em conta as componentes estética e funcional. Obviamente, não se pode equacionar um nariz esteticamente perfeito em que a pessoa em causa não consiga respirar devidamente.  De entre as abordagens possíveis para uma rinoplastia cujo objectivo seja melhorar a aparência do mesmo, dependendo das características presentes, podem-se utilizar vias exonasais ou endonasais (por fora ou por dentro do nariz, respectivamente), pode ser necessário fracturar os ossos do nariz ou ainda utilizar enxertos de cartilagem colhida no pavilhão auricular ou nas costelas. Se houver uma patologia funcional complexa, o trabalho do Cirurgião Plástico deverá ser complementado com o de um  Otorrinolaringologista, preferencialmente numa única intervenção.

Prognóstico
A intervenção visa melhorar a aparência e optimizar a função respiratória e esses objectivos são geralmente cumpridos. Um aspecto fundamental é que haja expectativas realistas face à intervenção proposta, uma vez que o resultado final depende sempre também do ponto de partida, isto é, do caso clínico em concreto. Não é possível aplicar uma receita para a rinoplastia e esperar que todos os narizes tenham resultados idênticos, uma vez que há características inerentes a cada indivíduo e diferentes técnicas que se adequam aos problemas de cada um.