Obesidade Infantil: Gerações em Risco

Dra. Maria Daniel Vaz Almeida

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “ Obesidade Infantil: Gerações em Risco” com a Dra. Maria Daniel Vaz Almeida:  Obesidade Infantil: Gerações em Risco

O excesso de peso e a obesidade na infância constituem um problema de saúde pública de enormes proporções e repercussões a nível mundial. A gravidade do problema é tal que se pode falar de gerações em risco. Mas não se estará a dramatizar ao falar de “gerações em risco”? Não, o que se quer transmitir é que a obesidade é efetivamente uma doença. E é uma doença crónica. Isto é, pode ser controlada mas não tem cura. E quanto mais cedo na vida se instalar maiores serão as consequências para os indivíduos e para a sociedade. Na verdade, nas crianças, a ingestão alimentar excessiva em relação aos gastos provoca não só aumento do volume das células gordas mas também um aumento do seu número. Esta é uma das razões para a doença se tornar crónica e em parte explica a dificuldade que os obesos têm em perder peso e em se manterem assim. Daí ser imprescindível prevenir a doença, o que começa logo à nascença com o aleitamento materno.

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Obesidade pediátrica: não uma mas muitas doenças para a vida

Dra Carla Rego

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre “ Obesidade pediátrica: não uma mas muitas doenças para a vida” com a Dra Carla Rego:  Obesidade pediátrica: não uma mas muitas doenças para a vida

Não se fica obeso de um dia para o outro, vai-se ficando obeso!

Saba-se atualmente que há várias obesidades:

  • há obesidades que dependem de doenças das hormonas ou outras (são raras);
  • há obesidades que dependem apenas do comportamento de vida pouco saudáveis caracterizados por erros alimentares e sedentarismo;
  • e há obesidades que acontecem em crianças que têm maior predisposição genética para ficarem obesas.

Uma grávida obesa ou pais obesos têm maior probabilidade de ter filhos que venham a ser obesos perpetuando, assim, o ciclo de obesidade.

Uma criança obesa tem mais de 50% de hipótese de ser um adulto obeso. Já um adolescente obeso tem cerca de 90% de hipóteses de se manter um adulto obeso.

A obesidade é uma doença complexa, crónica que desde cedo se faz acompanhar de outras doenças. Efectivamente, em crianças e adolescentes portuguesas obesos com idades entre 2 – 18 anos, 14 em cada 100 tem colesterol elevado; 30 em cada 100 tem risco de vir a ter ou já tem hipertensão arterial; 13 em cada 100 tem risco de diabetes e 50 em cada 100 tem não apenas uma, mas mais do que duas destas doenças, para além da sua propria obesidade.

Para além destas doenças cardiometabólicas, que são para toda a vida, a obesidade compromete ainda a felicidade e o bem-estar.

Temos pois que pensar que se não evitamos e tratamos precocemente a obesidade pediátrica, suceder-nos-á uma geração de obesos e doentes que viverão com menos qualidade e menos tempo que os seus próprios pais.

O Desafio da Obesidade Infantil – Projecto Papa Bem.

Profª Isabel Loureiro

Neste vídeo a Professora Isabel Loureiro, da Escola Nacional de Saúde Pública, e a Drª Graciete Bragança, pediatra do Hospital Fernando Fonseca, falam sobre o desafio da obesidade infantil: o que contribui para o seu aparecimento, quais as suas consequências, as dificuldades no tratamento e a necessidade de prevenção logo no início da vida.

Veja aqui o vídeo:

Diferenças genéticas ou Estilos de vida diferentes?

Prof. Luis Filipe Silva

Leia o artigo aqui:
Alguns estudos de investigação são esclarecedores neste sentido! Mostram-nos que:
  • à medida que cidades orientais como Tóquio (com um forte ritmo urbano), adoptam um estilo de vida ocidental, vêem a sua incidência de cancro da mama aumentada;
  • também as comunidades migratórias asiático-americanas aumentam os seus valores de incidência de cancro da mama assim que adoptam novos hábitos de vida – em duas ou três gerações, atingem valores típicos Americanos.

Claramente existem factores típicos de um estilo de vida Ocidental, que aumentam em muito as probabilidades de vir a ter cancro da mama.

São dados preocupantes, mas com uma vertente positiva: mostram-nos que é possível prevenir a doença; basta estar atento e promover um conjunto de hábitos saudáveis no nosso quotidiano.

Informe-se! Peça ajuda junto do seu médico de família.

Conteúdo produzido no âmbito do projecto de produção de Informação do Programa Harvard Medical School-Portugal ” criação um sistema de informação cancro hereditário, com ênfase – cancro da mama e colo-rectal. “
Este trabalho é co-financiado através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, QREN E COMPETE

É verdade que o cancro tem aumentado em Portugal?

Prof. Luis Filipe Silva

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cancro pelo Prof. Luis Filipe Silva: É verdade que o cancro tem aumentado em Portugal?

Leia o artigo aqui:

Sim, é verdade. De acordo com os números oficiais do IARC (International Agency for Research on Cancer) os números estimados de novos casos de cancro em Portugal eram de 36 835 no ano 2000, e passaram a 43 284 em 2008.
Claro que factores como a maior capacidade de detecção e um registo mais eficaz dos casos de cancro bem como a maior longevidade da população também contribuem para este aumento.
Os cancros que mais aumentaram, estão sobretudo associados a um estilo de vida ocidental.
O cancro mais frequente em Portugal é o cancro de pele. O segundo mais frequente, mas sem dúvida o mais mortal, é o cancro colo-retal.
Os dois aumentaram a sua incidência na última década, e têm uma relação bastante óbvia com hábitos modernos:
  • uma exposição perigosa ao sol, em férias relâmpago, de forma intensa (no primeiro);
  • a obesidade decorrente de dieta desequilibrada e de excessos, rica em gorduras e calorias, e falta de exercício físico (no segundo).

Obesidade Infantil: da raridade à epidemia