Quanto mais doentes um hospital trata, melhores são os resultados!

Prof. António Vaz Carneiro

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Os nossos ouvintes estarão com certeza recordados da recente polémica acerca do encerramento de maternidades, assim como da concentração do tratamento dos doentes com cancro apenas em hospitais seleccionados.

Porque é que se promovem estas alterações na oferta de cuidados do nosso SNS?

A razão tem a ver com o facto de centros com mais experiência terem melhores resultados clínicos.

Com efeito, quer se trate de cirurgias, de ataques de coração, de partos ou de infecções graves, por exemplo, quanto mais doentes os centros hospitalares, os serviços de internamento, ou até os médicos individuais tratam, melhores são os resultados.

E isto tem pouco a ver com a qualidade e competência dos profissionais de saúde individuais. São os grupos bem treinados e habituados a trabalhar em conjunto, seguindo normas de orientação clínica numa prática baseada na evidência científica, que obtêm sistematicamente melhores resultados.

Nas últimas 3 décadas têm sido publicados inúmeros estudos que relacionam o volume de doentes vistos com a qualidade dos serviços e os bons resultados destes.

Lembre-se disto na próxima vez que ouvir dizer que um serviço de urgência vai encerrar…

As medidas comparativas de qualidade dos cuidados hospitalares têm de ser analisadas com prudência

Prof. António Vaz Carneiro

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Já todos ouvimos e lemos resultados de estudos comparando os chamados indicadores de qualidade entre diversos hospitais, em que um hospital fica melhor classificado por ter resultados mais favoráveis do que outros.

Por exemplo, comparam-se taxas de mortalidade entre dois hospitais, dizendo que num é de 3,2% e noutro de 3%, sugerindo desta maneira que o primeiro faz pior trabalho que o segundo e que eventualmente deve sofrer um processo de auditoria para correcção desta mortalidade.

Pois bem, as coisas não são assim tão simples. Porquê?

Porque o prognóstico de um doente, isto é, o que lhe vai acontecer quando entra num hospital, depende principalmente daquilo que se chama o seu risco basal. Por exemplo: dois doentes podem ser internados em dois hospitais diferentes com o mesmo diagnóstico – ataque de coração – mas no primeiro caso ser um doente com 70 anos, diabético, hipertenso, fumador e obeso e no segundo ser um homem de 40 anos sem factores de risco. Ora o resultado no 1º caso vai muito provavelmente ser pior do que no 2º, já que esse paciente está muito mais doente (o tal risco de base) e o impacto do ataque de coração pode ser muito mais grave.

Este fenómeno também se verifica em médicos individuais. Por exemplo, os melhores cirurgiões têm por vezes piores resultados, precisamente porque operam pacientes muito mais doentes, que os cirurgiões menos experientes não podem operar.

Portanto, a comparação de indicadores de qualidade entre instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deve ser feita com cuidado, entrando em linha de conta com a gravidade do estado clínicos dos doentes.

Em cuidados primários, o processo clínico eletrónico fornece a melhor informação clínica sobre os doentes

Prof. António Vaz Carneiro

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Todos sabemos que as tecnologias da informação em saúde podem ser de extrema utilidade para prestar cuidados de qualidade, ajudando a racionalizar a prática clínica.

O processo clínico eletrónico é um programa informático que serve para recolher a informação demográfica do doente (nome, idade, morada, estado civil, etc.), assim como os seus dados clínicos (definição da doença, testes diagnósticos de sangue ou de imagem, por ex., tratamento e seus resultados, etc.).

Como é fácil de ver, o processo clínico eletrónico constitui um instrumento de grande valia de suporte aos cuidados clínicos, já que, quando correctamente preenchido e utilizado, fornece informação de grande qualidade.

Isto mesmo foi confirmado num recente estudo em que os investigadores, tendo como modelo um conjunto de medidas preventivas em cuidados primários recomendadas para doentes diabéticos (rastreio de colesterol, vacinações da gripe, determinação do açúcar do sangue, entre outras), analisaram os dados dos processos clínicos eletrónicos, tendo concluído que estes são consideravelmente mais completos e detalhados que todos os outros, incluindo os processo em papel e até as fichas das companhias de seguros e serviços do Estado.

É portanto muito importante implementar o processo clínico electrónico no nosso SNS.

Os cuidados primários são a base da qualidade em saúde

Prof. António Vaz Carneiro

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Ouve-se frequentemente afirmar que o segredo de um bom SNS é a oferta aos cidadãos de bons cuidados primários de saúde. Estas afirmações provém dos políticos, dos gestores, dos médicos e outros profissionais de saúde até dos doentes.

Mas que provas existem que suporte tal afirmação?

Bom, existem inúmeros estudos que confirmam esta ideia, mas um dos mais importantes foi recentemente publicado nos Estados Unidos, um país onde os cuidados de saúde primários seguramente não podem servir de exemplo…

Os investigadores foram estudar a relação entre a oferta de cuidados primários (neste caso médicos de família e internistas) e a mortalidade assim como a taxa de internamentos hospitalares. O estudo foi realizado em doentes com mais de 65 anos em toda a América e verificou-se que, tudo o resto sendo igual, quando havia um maior nº disponível de médicos de cuidados primários, os doentes eram menos hospitalizados e morriam menos das suas doenças. Estes resultados verificaram-se em todas as regiões dos Estados Unidos.

Eis portanto uma evidência científica da extraordinária importância dos cuidados primários num SNS.

Mitos e Crenças: Quantos mais recursos estiverem disponíveis melhor são os cuidados no SNS.

Prof. António Vaz Carneiro

Persiste o mito ou crença que quantos mais recursos estiverem disponíveis, melhor são os cuidados no serviço nacional de saúde. Neste vídeo, o Prof. António Vaz Carneiro explica porque motivo quanto mais agressivos são os cuidados médicos, piores resultados apresentam.

Veja o vídeo aqui: