Epilepsia

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª. Ana Sofia Correia

Validação Científica:

Dr. Alexandre Campos

O que é?

A epilepsia é uma doença do sistema nervoso que causa alterações repetidas, súbitas e breves da actividade eléctrica do cérebro, manifestando-se por crises epilépticas recorrentes. As crises epilépticas são episódios de descarga anormal e excessiva de células nervosas cerebrais, que afectam temporariamente a forma como a pessoa se comporta, move, pensa ou sente. Um indivíduo pode ter uma crise epiléptica sem ter epilepsia e sem ter uma doença do sistema nervoso (o que pode acontecer, por exemplo, por alterações dos iões ou diminuição da glicose no sangue, privação de álcool nos alcoólicos ou ingestão de drogas).

Existem dois tipos principais de crises epilépticas:

  • Uma crise epiléptica generalizada primária envolve todo o cérebro e provoca perturbação do estado de consciência.
  • Uma crise epiléptica focal ou parcial começa numa área cerebral, afectando apenas uma parte do cérebro. No entanto, uma crise parcial pode transformar-se numa crise epiléptica generalizada (crise parcial com generalização secundária).

Muitas situações podem afectar o cérebro e desencadear epilepsia, incluindo:

  • lesões cerebrais, antes ou depois do nascimento (por exemplo, traumatismo)
  • tumores cerebrais
  • infecções, especialmente a meningite e a encefalite
  • doenças genéticas
  • vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações vasculares)
  • tóxicos (por exemplo, intoxicação pelo chumbo).
  • malformações do desenvolvimento do cérebro.

Na maior parte das pessoas com epilepsia desconhece-se a causa específica.

Manifestações clínicas

As manifestações da epilepsia variam, dependendo da extensão da área do cérebro afectada e da sua localização.

Crises epilépticas generalizadas primárias:

  • Crise tónico-clónica generalizada (crise tipo grande mal) — A pessoa perde a consciência, cai no chão e pára temporariamente de respirar. Todos os músculos corporais contraem-se ao mesmo tempo durante um curto período. Isto é seguido por uma série de movimentos espasmódicos. Algumas pessoas têm incontinência urinária e fecal (perda de urina e fezes) e pode ocorrer mordedura da língua. Esta crise pode durar alguns minutos, sendo seguida por um período de sonolência e confusão mental. Podem ocorrer dores musculares, bem como dores de cabeça. O termo convulsão geralmente refere-se a uma crise epiléptica tónico-clónica, embora algumas pessoas utilizem este termo como sinónimo de crise epiléptica.
  • Crise tipo ausência(crise tipo pequeno mal) — A perda de consciência é tão breve que a pessoa geralmente não muda de posição. As ausências começam e terminam abruptamente, com retorno imediato ao estado normal. Durante alguns segundos, a pessoa pode:
    • ficar com olhar vazio, fixo
    • pestanejar rapidamente
    • efectuar movimentos de mastigação
    • mover um braço ou uma perna ritmicamente.

Este tipo de crise epiléptica geralmente começa na infância ou no início da adolescência.

Crises epilépticas parciais (focais):

  • Crise parcial simples—A pessoa permanece acordada e consciente. Os sintomas variam, dependendo da área cerebral envolvida, podendo incluir:
    • movimentos espasmódicos numa parte do corpo
    • experiência de odores, sons anormais ou alterações visuais
    • náuseas
    • sintomas emocionais, tais como medo ou raiva inexplicados
  • Crise parcial complexa — A pessoa pode parecer consciente mas não responde durante um curto período, podendo verificar-se:
    • um olhar vazio
    • mastigação ou estalar os lábios
    • movimentos repetitivos da mão
    • comportamentos fora do habitual

Depois da crise, a pessoa não tem memória do episódio.

Estado de mal epiléptico — Ocorre quando a pessoa tem uma crise epiléptica generalizada que dura 15 a 30 minutos ou mais, podendo também resultar de uma série de crises epilépticas sem recuperação completa da consciência entre as várias crises. Esta situação constitui uma emergência médica potencialmente fatal.

Diagnóstico

O doente frequentemente não tem nenhuma crise epiléptica quando consulta o médico. Por esta razão, é importante pedir a colaboração de qualquer pessoa que tenha testemunhado a crise e que poderá descrever exactamente o que viu, incluindo o que aconteceu no início da crise e o que aconteceu depois. Esta descrição irá ajudar o médico a determinar o tipo de crise que o doente teve e a decidir o tratamento apropriado.

Ter uma crise epiléptica não significa que a pessoa tem epilepsia. Por exemplo, é comum as crianças terem convulsões associadas à febre. A maior parte das crianças com este problema não desenvolve epilepsia.

O médico irá diagnosticar epilepsia com base nos seguintes dados:

  • história clínica
  • exame físico pormenorizado
  • exame neurológico completo
  • resultados de um electroencefalograma (EEG), exame em que é feito um registo da actividade eléctrica do cérebro através de eléctrodos metálicos ligados ao couro cabeludo. Apesar de ser um exame útil, um doente com epilepsia pode ter um electroencefalograma normal quando não está a ter nenhuma crise epiléptica.

Em muitos casos, o médico irá pedir também uma tomografia computorizada (TC) ou uma ressonância magnética nuclear (RMN) do cérebro. Podem também ser necessários outros tipos de exames cerebrais.

O médico pode verificar se as crises epilépticas estão relacionadas com causas exteriores ao cérebro. Para isso, pode pedir exames laboratoriais, incluindo análises de sangue e análises de urina. Poderá ser também solicitada a realização de um electrocardiograma (ECG).

Apesar destes exames, o diagnóstico de epilepsia poderá ser difícil e, quando o médico não observa o doente na altura da crise, nem sempre é possível perceber se o doente teve verdadeiramente uma crise epiléptica. Para ajudar no diagnóstico, o doente pode realizar um electroencefalograma de 24 horas, quer em ambulatório, quer em internamento acompanhado de um vídeo permanente para que o médico possa classificar as crises.

Evolução clínica

A epilepsia é uma doença para toda a vida mas muitas pessoas com uma história de múltiplas crises epilépticas irão acabar por deixar de sofrer deste problema, o que acontece com frequência nos doentes mais jovens. Por outro lado, quando há alterações do exame neurológico, o prognóstico é pior.

Na maior parte das pessoas com epilepsia, as crises epilépticas podem ser controladas com medicação.

Prevenção

A causa da maior parte dos casos de epilepsia permanece desconhecida. Deste modo, não existe forma de prevenir a doença.

No entanto, os traumatismos cranianos podem provocar epilepsia e são muitas vezes evitáveis com as seguintes medidas:

  • usar cinto de segurança quando conduz e dar preferência a carros com “airbags”
  • usar um capacete apropriado quando anda de skate, de mota ou de bicicleta
  • usar protecções para a cabeça na prática desportiva.

Qualquer pessoa com epilepsia activa deve tomar precauções para minimizar o risco de lesão no caso de ocorrer uma crise epiléptica. Por este motivo, as pessoas com epilepsia são aconselhadas a não conduzir veículos motorizados durante, pelo menos, dois anos depois da crise epiléptica mais recente. Da mesma forma, deve ser evitada a utilização de maquinaria perigosa.

As pessoas com epilepsia devem ponderar o uso de uma identificação médica que descreva a sua doença. Isto irá proporcionar informações importantes para o pessoal médico numa situação de emergência.

Tratamento

Os doentes com epilepsia devem ter períodos de sono regulares, com repouso nocturno suficiente, e não devem consumir álcool.

Na maior parte dos casos, o tratamento começa com um ou mais medicamentos anti-epilépticos. O tipo de medicação usado depende do tipo de crise epiléptica a ser tratada.

Quando a medicação não consegue controlar as crises, pode ponderar-se uma intervenção cirúrgica. A decisão de realizar uma cirurgia depende de muitos factores, incluindo:

  • a frequência e a gravidade das crises epilépticas
  • o risco de lesão cerebral, bem como de outras lesões, devido à ocorrência de crises frequentes
  • efeito sobre a qualidade de vida
  • estado de saúde em geral do doente
  • probabilidade da cirurgia poder controlar as crises epilépticas.

O estado de mal epiléptico constitui uma emergência médica potencialmente fatal, devendo ser tratado com medicamentos administrados por via endovenosa ou rectal. Devem também ser tomadas medidas de protecção para manter a permeabilidade das vias aéreas do doente e para ajudar a prevenir as lesões da cabeça e da língua.

Quando contactar um profissional

Contacte o médico se apresentar episódios que pareçam ser crises epilépticas.

Peça ajuda de emergência imediatamente se suspeitar que alguém com epilepsia desenvolveu um estado de mal epiléptico.

Prognóstico

A maior parte das pessoas com epilepsia consegue controlar as crises com medicação.

Algumas pessoas têm uma epilepsia que não é controlada com medicamentos anti-epilépticos, podendo muitos destes casos ser tratados com cirurgia.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Neurologia

Gabinete 404 M/76 – Centro de Escritórios do Chiado, Rua da Misericórdia, 76

1200-273 Lisboa

Telefone / Fax: +351- 213210112

spn.sec@spneurologia.org

http://cgmdesign.fatcow.com/spn/

 

Liga Portuguesa Contra a Epilepsia

Rua Carlos Mardel 107  3ºA  1900-120 Lisboa

Tel: 21 847 47 98

epicentrosul@hotmail.com

http://www.epilepsia.pt

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Uma resposta to “Epilepsia”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente revisão muito útil para todos.
    Parabéns aos autores e ao Programa Harvard Portugal.


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