O que é uma Substituição Valvular?

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Leia o artigo aqui:

O que é?

Por vezes, uma válvula cardíaca natural que não está a funcionar apropriadamente necessita de ser substituída cirurgicamente por uma prótese valvular, que é um substituto de tecido ou sintético que tem por objectivo imitar os movimentos normais de abertura e de encerramento da válvula natural. Uma prótese valvular pode substituir qualquer das quatro válvulas cardíacas ― aórtica, mitral, pulmonar e tricúspide. As próteses valvulares cardíacas são divididas em duas categorias básicas: válvulas mecânicas sintéticas e válvulas biológicas de tecido humano ou animal.

Funcionamento das válvulas cardíacas saudáveis

Válvulas mecânicas

Existem diversas formas diferentes de válvulas mecânicas que variam nos mecanismos que utilizam para abrir e fechar as válvulas.

De um modo geral, as válvulas mecânicas tendem a durar mais tempo do que as válvulas biológicas, mas comportam a longo

Substituição valvular

prazo um maior risco de tromboembolismo, em que um coágulo de sangue flutuante viaja através da circulação e se aloja num pequeno vaso do corpo, obstruindo-o e causando um acidente vascular cerebral ou outros problemas (dependendo da localização do vaso afectado). Para ajudar a prevenir o tromboembolismo, as pessoas que recebem válvulas cardíacas mecânicas devem tomar anticoagulantes (medicamentos que evitam a formação de coágulos) para o resto da sua vida, embora esta utilização aumente o risco de problemas hemorrágicos.

Embora as válvulas mecânicas sejam geralmente utilizadas nos doentes mais jovens devido à sua durabilidade, a necessidade de medicação anticoagulante pode complicar uma gravidez nas mulheres jovens.

Válvulas biológicas

As válvulas biológicas podem ser feitas de tecido humano ou animal. As opções incluem:

  • Válvulas de autoenxerto ― Neste caso, a válvula de substituição é feita de outra válvula do próprio coração do doente. Por exemplo, a válvula pulmonar do doente pode ser removida e utilizada para consertar a válvula aórtica. A válvula pulmonar em falta é então substituída por uma das outras opções.
  • Válvulas de homoenxerto ― Esta válvula de substituição é obtida a partir de um dador humano falecido.
  • Válvulas de heteroenxerto ― Neste caso, a válvula de substituição é obtida a partir de um animal dador, que pode ser um porco ou uma vaca.

De um modo geral, as válvulas biológicas são menos duráveis do que as válvulas mecânicas, tendo uma maior probabilidade de sofrer desgaste e de necessitar de substituição. Por este motivo, as válvulas biológicas são utilizadas mais frequentemente nas pessoas com idades a partir de 65 a 70 anos, uma vez que a sua esperança de vida é mais baixa. Atendendo a que o risco a longo prazo de tromboembolismo é mais baixo com as válvulas biológicas do que com as válvulas mecânicas, o doente geralmente não necessita de tomar anticoagulantes durante mais de três meses depois da cirurgia. Por este motivo, muitos doentes mais jovens que têm estilos de vida activos e que não querem tomar anticoagulantes também escolhem usar válvulas biológicas.

Para que é usada

As razões para a substituição de uma válvula cardíaca variam ligeiramente, dependendo de qual das quatro válvulas se encontra envolvida. No entanto, como orientação geral, pode estar indicada uma substituição valvular em qualquer das seguintes razões:

  • Estreitamento significativo (estenose) ou fuga (regurgitação) de uma válvula que está a causar sintomas cardíacos graves, tais como uma angina de peito (dor no peito), falta de ar, síncope (desmaios) ou sintomas de insuficiência cardíaca.
  • Estenose ou regurgitação valvular com afectação grave da função cardíaca de acordo com o determinado por exames complementares de diagnóstico, mesmo que os sintomas cardíacos ainda não sejam graves.
  • Estenose ou regurgitação valvular mais ligeira, mas num doente que necessita de uma cirurgia cardíaca a céu aberto por outra razão (tal como uma pontagem/bypass de uma artéria coronária). A válvula cardíaca problemática pode ser substituída durante esta intervenção cardíaca a céu aberto, corrigindo a situação antes de haver agravamento.
  • Válvula cardíaca gravemente lesada por uma endocardite (uma infecção da uma válvula cardíaca) ou presença de endocardite resistente aos antibióticos.
  • Prótese valvular cardíaca já existente, mas que necessita de ser substituída por ter uma fuga ou estar a funcionar mal, por apresentar coágulos sanguíneos recorrentes ou devido a infecção, ou ainda por o doente apresentar problemas hemorrágicos relacionados com a toma de anticoagulantes.

Preparação

A preparação irá incluir uma avaliação cardíaca pormenorizada, incluindo um exame físico, uma radiografia do tórax, um electrocardiograma (ECG) e um ecocardiograma. Em alguns casos, pode também ser necessária uma prova de esforço, um cateterismo cardíaco ou uma ressonância magnética nuclear (RMN). Serão igualmente efectuadas análises de sangue para avaliar a função renal e para pesquisar a eventual existência de anemia ou de outros problemas relacionados com o sangue.

Como é realizada

Um cateter endovenoso será inserido no braço para a administração de soros e de medicamentos e o doente será submetido a uma anestesia geral. Na cirurgia tradicional para as válvulas cardíacas será realizada uma grande incisão na linha média do peito e o esterno será serrado ao meio para expor o coração. Depois de o coração ser exposto, o doente será ligado a uma máquina de coração-pulmão, a qual irá oxigenar e bombear o sangue durante a cirurgia. O coração será arrefecido e parado temporariamente e, quando o se encontrar imóvel, o cirurgião irá cortar a parede muscular e remover a válvula cardíaca que funciona mal, inserir a prótese valvular e suturá-la no seu lugar. Em alguns centros médicos, os cirurgiões estão a testar novas abordagens nas quais a cirurgia valvular cardíaca é realizada através de incisões mais pequenas e mesmo com cateteres especiais. No entanto, ainda não é evidente quais os doentes que podem ser submetidos com segurança a este tipo de operações “minimamente invasivas”.

Depois de encerrar a incisão na parede do coração, o cirurgião irá começar a aquecê-lo. Se este não começar a bater novamente por si próprio depois de ter regressado à temperatura normal, o cirurgião pode necessitar de desencadear os batimentos cardíacos com um choque eléctrico. Logo que for evidente que o coração está a bombear de forma estável e sem fuga de sangue, será desconectado da máquina de coração-pulmão. O cirurgião irá então usar arames para voltar a fixar as metades do esterno, a incisão no peito será encerrada com suturas e será levado para a unidade de cuidados intensivos cirúrgica.

Ao fim de um ou dois dias na unidade de cuidados intensivos cirúrgica, será transferido para um quarto hospitalar normal, mas irá continuar a ser monitorizado através de análises de sangue e ECGs diários até estar suficientemente estável para ir para casa. Dependendo da estratégia de tratamento de rotina do médico, pode efectuar outro ecocardiograma antes de ter alta do hospital ou já em ambulatório.

Seguimento

Depois da substituição valvular cardíaca, irá necessitar de tomar medicamentos anticoagulantes indefinidamente se tiver uma válvula mecânica ou durante cerca de três meses se tiver uma válvula biológica. Um médico irá trabalhar consigo no sentido de determinar uma dose de anticoagulante que seja suficientemente elevada para prevenir o tromboembolismo mas suficientemente baixa para prevenir os problemas hemorrágicos. Além disso, irá necessitar de tomar antibióticos para o resto da vida antes de efectuar determinados procedimentos dentários ou médicos de alto risco, que irão ajudar a prevenir a infecção da prótese valvular no caso de entrada de bactérias para a corrente sanguínea.

Depois da alta, o médico irá pedir-lhe para regressar para uma consulta de seguimento dentro de 3 a 4 semanas. Se estiver a sentir-se bem nessa consulta e se os resultados do novo ecocardiograma forem bons, o médico irá programar as futuras consultas com intervalos de 3 a 12 meses.

Riscos

As válvulas cardíacas mecânicas raramente falham. No entanto, mesmo quando os doentes tomam anticoagulantes suficientes, um pequeno número desenvolve coágulos de sangue nas válvulas. Em cada ano, 1,3 a 2,7% dos doentes que têm uma válvula cardíaca mecânica têm um episódio de hemorragia grave relacionada com os anticoagulantes.

As válvulas biológicas tendem a falhar ao longo do tempo, requerendo a substituição em 30% dos doentes dentro de 10 anos e em 50% dos doentes dentro de 15 anos. No entanto, o risco de coágulos de sangue é muito baixo.

Quando contactar um profissional

Depois da alta, contacte o médico imediatamente se:

  • Desenvolver uma dor no peito, falta de ar, tonturas ou batimentos cardíacos irregulares
  • Tiver febre
  • A sua incisão ficar vermelha, inchada ou dolorosa ou se deitar sangue

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
http://www.spc.pt
 
Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardio-Torácica e Vascular
http://www.spcctv.pt/
 
Alto Comissariado da Saúde
http://www.acs.min-saude.pt
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